segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Climnestra ou uma mulher que devia estar à frente de qualquer coisa na justiça portuguesa


(Leda e o Cisne por Rubens)
Climnestra era uma rapariguinha grega, a sua mãe Leda era lindíssima, tão linda que Zeus se transformou num cisne e assim a violou. Confesso que me faz impressão esta mania dos Deuses se transformarem em pássaros para abusarem das mortais, estão a ver a quem é que me refiro mais, não estão?
Adiante, desse acto nasceram dois ovos, com dois pares de gémeos, Polux (não a loja de utilidades da Baixa Lisboeta, mas um rapazinho) e Climnestra, num ovo, e no outro Helena (alguém com um nome normal mas com uma vida estranha) e Castor, bem depois os romanos diziam que não era bem assim que Castor e Polux eram dois meninos romanos gémeos criados por uma loba, tão verosímil como nascerem de ovos…
Assim sobre Leda e a sua prole caiu sempre uma suspeição, será que eram filhos do fabuloso Zeus ou do tirano Tindaro, Rei de Esparta (os Espartanos eram conhecidos pelo seu mau feitio)?
Assim cresceram e por razões diversas, daquelas que matavam crianças a eito em tempos idos, ficaram as duas meninas, Climnestra e Helena, as duas lindas ao que parece mas só quem casasse com Climnestra tinha direito ao trono de Esparta, Helena era tão bela que ninguém via mais nada, mas dois irmãos gregos fizeram o ajuste, Agamemnon deposto príncipe de Micenas casou com Climinestra, o seu irmão mais novo com Helena, assim um ficou Rei de Esparta e pode recuperar Micenas para o irmão.
Acho que eram assim brutinhos, o mais velho cobiçou sempre a mulher do mais novo, mas parece que nenhuma delas gostava de nenhum deles, a Climenestra restava apesar de tudo a alegria de ser mãe.
Daí para a frente tudo se complica, Helena farta de estar casada com um bruto beberrão que a exibia todas as noites nua nos salões para verem como era bela a sua mulher foge apaixonada por Paris, Príncipe de Tróia. Menelau aceita tudo menos ser cornudo, pede ajuda ao irmão, Agamemnon decide que acima de tudo, principalmente do orgulho de macho ferido do mano, se conseguir vencer Tróia fica com um império entre mãos, atenção por Tróia entenda-se a cidade mais ou menos mítica no Peloponeso, não a península explorada por Belmiro de Azevedo.
Mas para atacar Tróia precisa de vento e um sacerdote qualquer convence-o que só pode ter vento favorável sacrificando a sua filha Ifigénia… È claro que a besta o faz.
Vai para a Guerra, vence, não é muito claro se traz a cunhada Helena de volta, segundo a imprensa da época a guerra durou dez anos e foi ganha com uma trafulhice, a tal do cavalo. Bom mas Guerras de décadas e trafulhices nas mesmas são coisas com que estamos familiarizados (“espera aí que eu tenho a certeza que têm armas de destruição massiva! Afinal enganei-me…)
O que interessa é que durante esse tempo Climnestra governou a Grécia, com justiça, educou os filhos que tinham ficado, recebeu o seu marido e prendeu-o, foi julgado por homicídio, parece que o primeiro registo de tal coisa.
Ficou representada na mitologia grega pela Fúria! Ainda bem.
(Leda e os filhos por Leonardo Da Vinci)

domingo, 30 de agosto de 2009

Sacudir o pó!


Pronto, cheguei a casa!
Deixei umas batatas na cozinha que serviram de universo criador a umas mosquinhas minúsculas, um pacote de leite aberto no frigorifico que já tinha a consistência de requeijão, há pó acumulado, como se o pó tivesse ocupado o nosso lugar nesta casa, enquanto não estávamos cá, ainda não me inteirei das noticias a sério, nem das locais, o meu telemóvel continua de férias porque só toca, chama, envia e recebe mensagens quando quer, só quando quer, está ali um substituto mas ainda estou com a preguiça, trocar o cartão, os números, essas coisas…
As casas parecem-nos sempre melhores quando voltamos, maiores, mais confortáveis, damos conta de pormenores que passavam despercebidos, porque olhamos todos os dias, até é bom voltar a casa, como é bom partir sabendo que se tem para onde voltar.
Nos próximos dias tenho de me dedicar a colocar a casa em ordem, tenho um certo prazer quando acabo, é um cansaço bom, como aquele depois de fazermos amor, umas visitas à famelga, talvez acabar umas coisitas pendentes, ler mais um bocado, preparar-me para a Festa, acima de tudo continuar sem usar relógio.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Logo agora que me estava a habituar!

As férias estão quase a acabar com o que de bom e mau carregam.
Decididamente já me convenci que não vale a pena arrastar dois jovens para férias, o ano passado era calmo demais, este ano vegetam em casa com um ar aborrecido, dormem até ao meio do dia fazem o frete de eventualmente se deslocarem à piscina.

A piscina é um luxo, com vista para o mar e ainda bem que existe porque as obras mesmo à beira mar ocasionaram uma ruptura na conduto de esgoto, logo nos primeiros dias, o que tornou a praia pouco convidativa.
Embora a piscina tenha a vantagem de manhã estar deserta, apenas com um outro casal velhote a ler o jornal, colibris e libelinhas, da parte da tarde consegue ser invadida por famílias, com os tais meninos, meninos obesos que saltam para a água no intervalo de comerem batatas fritas e bolicaos molhando tudo e todos ao seu redor, meninos com ar muito beto e cabelo à surfista que se agarram ás escadas e a quem temos de pedir licença enquanto os pais infinitamente betos esturricam ao sol e falam de vidas alheias com fatos de banho de grife.
Durmo sestas, até porque o quarto com vista para o mar tem uns painéis de vidro e o cortinado de cor creme não é suficiente para expulsar a luz, ás 6 da matina, o sol invade e pronto, rien a faire! Depois tenho sono, começo a ler e durmo, sabe-me bem, até porque a medicação em nova dosagem me dá incómodos diversos, náuseas, tonturas e afins, ficando assim quieta parece que é mais fácil.
A juntar ao esgoto rebentado, ao cara metade a trabalhar que chega só ao final do dia, aos filhos mumificados, aos meninos irritantes, também tivemos cerca de quatro a cinco horas sem energia eléctrica, o que acabou por ser positivo porque coloquei duas garrafas de vinho verde no congelador e esqueci-me, quando as fui abrir estavam estupidamente geladas, uma maravilha.
Vou ter dificuldades em largar os calções, os chinelos de enfiar no dedo, o uso de túnicas e t-shirts informais, as noites na varanda, ainda tenho uma semana em casa para me adaptar, colocar coisas em ordem, ler, pintar, dormir, pois claro, começar a preparar outra fase, depois voltar ao batente.
Logo agora que me estava a habituar!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Coisas sexys






Não sou dada a coisas sexys, Burt Lancaster e Deborah Kerr na praia, ele de tronco nu ela de fato de banho num beijo apaixonado na rebentação das ondas, sublime. Analisando melhor existem ali aspectos práticos complicados, por exemplo eu estava-me a ver a engolir meia dúzia de pirolitos, se bem que já me afiançaram, até antepassados meus que uma queca dentro de água é muito bom, por isto ou aquilo nunca experimentei, beijos, abraços, encontrões, até a fazer nudismo, mas nunca o acto em si uma lacuna.
Outra coisa considerada sexy são os sapatos de salto alto, nomeadamente os saltos de stiletto, pretos com sola vermelha ou todos vermelhos ou de outra cor qualquer. No meu caso só calçando e ficando sossegadinha, sei andar de patins, aqueles antigos de quatro rodas, bicicleta, conduzo veículos ligeiros, em necessidade já conduzi um dumper, por brincadeira um empilhador, mas não consigo deslocar-me de saltos altos tropeço, pareço uma girafa de patins, torço os pés, portanto outra coisa sexy fora do meu alcance.

A lingerie, outro ícone sexy, pois tenho sim senhor, tenho um baby doll ou coisa que o valha oferta de umas amigas, é de cetim branco com micro botões forrados, rendas e cuecas a combinar, tenho outra coisa num tecido de algodão com um padrão tipo isabelino, com cordões e rendas, cuecas a combinar pois claro, tenho umas coisas de fio dental, um conjunto mais requintado todo ele renda e transparência, o pior é que nada daquilo é confortável, aliás é incomodativo, como também são desconfortáveis negligés e camisas de noite sexys decotadas e rendadas, são frias e enrolam-se. Em contrapartida lingerie desportiva é confortável, os meus pijamas de flanela e as minhas camisolas de dormir de verão, semeadas de ursos, esquilos, estrelas e demais bicharada infantil são confortáveis, provavelmente pouco sexys, mas confortáveis. Tal como as meias, tenho dezenas de peugas com sapos, abelhas, personagens BD, meias opto no máximo por aquelas de rede, mas geralmente são opacas, quentes e por vezes com padrões. Comprei uma vez um par ultra sexy, com uma percentagem de seda, que terminavam numa espécie de liga arrendada a um palmo da coxa…. Foi um desastre passei o tempo todo com a sensação que as meias iam cair e a liga lindíssima fez-me uma alergia medonha, tendo ficado com aquela zona queimada, a alternativa seria o cinto de ligas, coisa em que eu acho que iria aleijar-me porque elásticos são fisgas…

Por fim o clássico dos clássicos, cenas de amor num palheiro, devo ter visto milhares de vezes no cinema, mas só me lembro da minha febre dos fenos e considero que espirrar sem parar não é propriamente sexy!
Resumindo e concluindo existido vontade e desejo existe lá coisa mais sexy que o outro?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Época de saldos televisiva!



Hoje tentei ver as noticiais da manhã, os destaques como a opinião de um senhor visivelmente emocionado de falar na tv, em directo da praia Maria Luísa dando a sua opinião sincera sobre a tragédia ali ocorrida, o senhor tinha um grosso fio de ouro e um sotaque parecido com o Shrek, as recreações medievais pelo país afora que basicamente são iguais umas ás outras que omitem a parte tenebrosa da Idade Média de fome, sujidade e tortura, reportagens sobre famílias bilingues e outras coisas de encher chouriços, noticias ocas, que não são noticias serão curiosidades, jornalistas substitutos, nem o trânsito para safar a coisa.
Algures no país, no mundo haverá outros acontecimentos dignos de reportagem, mas parece que a redução de custos atingiu as noticias, por outro lado parece que existem coisas sobre as quais se resolve fazer um silêncio tumular.
Esta contenção de custos estende-se durante o dia dão programas em directo de diversas localidades, com os populares a debitarem opiniões, artistas voluntários de qualidade duvidosa e provas tão interessantes como dois campinos a dançar o fandango com uma travessa de azeitonas na cabeça, ou o jogo estúpido de saltar num fato de spandex numa parede recortada.
Estou de férias, não tenho tv por cabo, tenho um dvd, uma série de culto para ver aos bocadinhos, livros, uma varanda para o mar, tintas e pincéis, tudo muito mais estimulante que esta época de saldos televisiva.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quem é o pai do Zé Filipe?




Sempre que eu me portava mal, punha os pés na poças de água, travava a bicicleta com os pés, desgastava os joelhos a jogar ao berlinde, surripiava um ladrinho de marmelada, resolvia pintar moveis ou as paredes com lapis de cera, marcadores ou aguarelas, quando mastigava o comer em bolas acumuladas no canto das bochechas ou desarmava sofás para fazer um acampamento, entre outras coisas, a minha avó dizia-me com um ar ameaçador: Espera aí que eu já te digo quem é o pai do Zé Filipe!
Esta frase tinha a propriedade de me remeter a ser instantaneamente a criança mais bem comportada do mundo e arredores.
A verdade é que nunca soube quem era o Zé Filipe nem tão pouco o seu pai, ficava sempre apreensiva com aquele mistério sobre o tal Zé Filipe, coadjuvado com ar ameaçador da minha avó, mas fiquei sempre na mais profunda ignorância.
Confesso que utilizei esta frase como disciplinador dos meus filhos, com resultados eficazes.
Ontem na piscina deparei-me com um menino, sete ou oito anos, com uns pais algo distantes que sem olhar para ele diziam de tempos a tempos "Ó Duarte não faça isso!". O Duarte mantinha-se aos guinchos na piscina com uma especie de metralhadora aquatica que enchia e disparava, em todas as direcções, atingindo meninos mais pequenitos, bébés, as velhotas de roupão a conversar á beira da piscina, a própria avó.
Quando a familia se resolveu retirar, numa piscina já sem ser banhada pelo sol, o Duarte guinchou que não, a mãe deixou a toalha e foi-se embora.
Não deixei de ter pena daquela criança tão ignorada, mas o seu comportamento levou-me a pensar em arregalar-lhe os olhos, fazer cara de poucos amigos, esticar o dedo e dizer-lhe. Espera aí que eu já te digo quem é o pai do Zé Filipe!
Foi por um triz, bom vou dar um mergulho!




terça-feira, 18 de agosto de 2009

Esqueça as nódoas, confie no rosa?


Esta não sei se é uma mensagem subliminar, o facto é que é um slogan estúpido de um detergente que promete o que não consegue, o normal, atendendo que há detergentes que prometem famílias felizes, horas de diversão e um mais arrojado que garante que nenhum casal vai conseguir ir zangado para a cama…
Mas esta mensagem dá-me que pensar porque parece articulada com outras mensagens espalhadas por grandes cartazes em todas as esquinas, junto a todos os parques de estacionamento, junto a cada paragem de autocarro.
Nesses cartazes diz-se que juntos conseguimos várias coisas, por exemplo novas oportunidades para mais de novecentos mil portugueses, ocorrem-me de imediato os cerca de novecentos mil que em vez de uma habilitação literária retirada da sua experiência de vida ganharam uma viagem infernal pelo desemprego sem subsídio; noutro fala-se dos medicamentos genéricos gratuitos a idosos carenciados, noutra ainda do complemento social a idosos carenciados, só me lembro de muitos idosos que conheço que sobrevivem graças ao apoio familiar e que um dos espelhos da civilização será a forma como um país, um povo, uma comunidade, trata, cuida do passado e do futuro, por outras palavras, as crianças e os idosos, ou seja, quem trabalhou toda a vida deverá fazer prova da sua insuficiência económica para garantir a sobrevivência ou a sua medicamentação, por outro lado ainda parece que todas as crianças estão a aprender inglês, importante, especialmente porque deparo com dois primos, um com formação superior, o outro não que tiveram de procurar a sua sobrevivência na Grã Bretanha, será isso que perspectivamos já à distância? Ou por outro lado as crianças aprendem inglês nas escolas longe de casa, porque as que existiam ali foram fechadas e são transportadas em carrinhas de Autarquias, muito cedo, cedo de mais por vezes, para regressar ao fim do dia a localidades com as quais cada vez criam menos laços, que no futuro poderão ficar mesmo vazias de gente, como tal estão ocupadas todo o dia, carrinha, viagem a recolher outros meninos, escola, mais escola, incluindo o inglês, claro, com pouco tempo de facto para ser crianças…
Que fique bem claro, não sou contra medicamentos genéricos, nem contra sistemas de segurança social, nem mesmo contra a criação de novas valências no ensino, o que me aborrece é que dois maus não fazem um bom, um remendo não torna nova a coisa que remendou, uma solução de recurso não é o que faz falta, que a caridade não pode substituir um sistema justo, o que me aborrece é que não basta disfarçar ou esquecer as nódoas para que deixem de existir…

domingo, 16 de agosto de 2009

Um ninho com brisa marinha!


Pronto já tenho brisa marítima, imprescindível.
Fundamental, necessário.
Já tinha saudades!
Ontem trabalhei imenso, tudo na minha vida é assim esforçado, fiz tudo o que me tinha decidido fazer, tive um final de tarde e parte da noite num ninho de carinho familiar onde não é hábito acoitar-me, mas soube-me bem, há membros novos na família, outros já não os via há algum tempo, foi um óptimo principio de férias, encontrar outros da mesma espécie reconhecermo-nos assim só pelo cheiro, pelo sentido de humor, pela gargalhada, o formato do nariz e o feitio dos olhos, as fotos antigas, os sorrisos actuais, as perspectivas de futuro, fiquei a saber que o meu bisavô estava destinado a ser padre e que fugiu do seminário por uma corda, que há pintores artísticos ilustres com direito a Museu e tudo na família…
Esta família não cessa de me surpreender!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ecce




Eis que chegado o fim-de-semana, não um fim-de-semana mas O FIM DE SEMANA!
Despachei tudo, papeis, chamadas, cheques, recados, até colei com fita-cola um rebuçado bola de neve para quem vai pegar nas coisas onde deixei, ela vem retemperada de energias, espero eu.
O calor é de facto abrasador, surgem agora noticias que o tempo vai mudar (claro pois se eu vou de férias!) e dói-me a cabeça, estive muito tempo concentrada a escrever, a fazer cálculos a ter certeza que não me esqueci de nada imprescindível.
Fiz um jantar daqueles muito rápido para metade da família e mandei o sector juvenil comprar um dose de qualquer coisa que lhes agradasse para o jantar, já desliguei o tirano telemóvel de serviço, encontra-se de castigo, mudo e quedo numa gaveta já comprei as coisas imprescindíveis para levar: papel higiénico, guardanapos, pasta de dentes, vinho verde, Nescafé (só bebo nas férias!), uma bejecas pretas para o cara-metade, etc...
Fiz uma moldura para oferecer, levo mais umas quantas para me entreter, os pincéis, as tintas, talvez um bordado, fiz a lista de outras coisas: protector solar, lentes, livros, lenços de papel, especiarias imprescindíveis e uma garrafa de whisky, para beber à noite na varanda a ver a lua reflectida no mar.
Ainda falta mais bocado, falta dar um jeito à casa, lavar e passar roupa a ferro, assar um pedaço de carne para a primeira refeição, fazer com calma e carinho uma bola de carnes para um encontro de família, onde cada um leva uma especialidade, mas acima de tudo levamos todos vontade de nos juntar.
E ir! Depois volto!
(esta foto é mais um desejo, mas sim vou ter uma varanda para o mar! )

Faça o teste!


A silly season ou época parva está aí, embora ache que esteja mais ou menos activa todo o ano. Este ano mais parva do que o costume devido á campanha eleitoral.
Como abundam nas revistas e jornais os questionários inúteis, resolvi fazer um que pode ser útil.
È um teste de memória e não só, quem conseguir 9 pontos ganha direito de votar em consciência



1) Quem de 30 de Outubro de 1995 a 25 de Novembro de 1997 foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente?

a) Action Man b) José Sócrates c) Donaltim

2) Quem de Novembro de 1997 a 25 de Outubro de 1999 exerceu as funções de Ministro-Adjunto do Primeiro ministro durante o XIII Governo Constitucional?

a) Power Ranger Amarelo b) José Sócrates c)Hulk

3) Quem foi o Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional, de 5 de Outubro de 1999 a 6 de Abril de 2002?

a) Pikachu b) José Sócrates c) Mandrake


4) Quem foi o Ministro do Equipamento Social do XIV Governo Constitucional?

a) Figo b) José Sócrates c) Zorro

5) Qual o Primeiro Ministro do XVII Governo Constitucional?

a) Coelhinho Duracell b) José Sócrates c) O Gato Félix

6) Quem foi Secretário de Estado do Orçamento no XI Governo Constitucional?

a) Madona b) Manuela Ferreira Leite c) o Feiticeiro do Oz


7) Quem foi Secretário de Estado Adjunto do XII Governo Constitucional e posteriormente titular da pasta da educação?


a) Minnie b) Manuela Ferreira Leite c) Maga Patalógica


8) Quem era o Ministro de Estado e Finanças do XV Governo Constitucional?

a) Cruella de Ville b) Manuela Ferreira Leite c) Ruth Marlene


9) Quem exerceu funções de Conselheiro de Estado entre 2006 e 2008?

a) A Rainha Santa Isabel b) Manuela Ferreira Leite c) Popota

Pontuação-Se respondeu b) a todas soma um ponto por cada uma, não anda nada distraído(a), sabe que o seu voto conta e que estes personagens que agora dizem que vão resolver tudo, pelo menos desde 1990 que andam a dar cabo disto, a lixar-nos a vida, a favorecer os do costume e a espremer-nos até ao tutano.

Se respondeu nas outras opções sem ser a b) merece ser governado por esta cambada ou então merece que este questionário o abane, principalmente os neurónios e que pense seriamente o que vai fazer com o seu voto.
(Publicado em simultâneo no Cheira-me a Revolução)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Madalena


A Tia Madalena têm oitenta e tantos anos, é a única de um lote alargado de irmãos, era a mais nova também, seca, magra, solteirona, um bocadinho azeda e com um humor mordaz, acabou por sempre mimada pelos irmãos, sendo a mais pequena de uma família fora do comum, o pai homem de grande capacidade intelectual teve o arrojo de fugir com a sua apaixonada, menina filha de Morgado com brasão e tudo, herdades e palacete, um bocadinho arruinado com farras e amantes, mas Morgado, que viu a única filha fugir durante a noite levando uma muda de roupa atracada a um anarco sindicalista.
Depois acabou por perdoar, por essa época os filhos eram vários, não sei precisar quantos, conheci cinco, sei que eram mais, também já era comunista, acabou por ir parar a Cabo Verde, sete anos de trabalhos forçados a construir a prisão do Tarrafal, outros sete no degredo a trabalhar para a Administração Colonial. Nesses últimos sete anos deu-se ao luxo de escrever várias vezes ao Governo reclamando da falta de condições e das injustiças cometidas pela a Administração contra a população negra….
A Madalena tinha quatro anos quando o pai partiu e dezoito quando ele retornou, retirando-lhe o titulo de mais nova, porque trouxe mais dois filhos, mulatos, com ele.
A mulher recebeu-o assim como aquelas crianças, não se queixou dos dezoito anos em que sobreviveu a fazer rendas e bordados e sobreviverem também do trabalho dos filhos a quem não foi dado o espaço de serem meninos.
A Madalena cresceu assim entre insuficiências, a protecção dos irmãos, a espera de um pai mitológico, brasões e rendas, uma mãe sempre de aspecto sereno, a protecção dos irmãos garantiu-lhe ao longo de toda a vida uma vivência acima das suas possibilidades, nunca lhe faltou nada, manteve-se solteira por opção, acho eu, dedicou-se a rendas e bordados e a cães e gatos, viveu com a irmã mais velha, na casa contigua a outra irmã, até que ficou só ela.
Deixou de fumar aos sessenta, voltou a fumar há meia dúzia de anos argumentando “sempre é uma companhia…”, quando lhe respondi “Ó tia eu fumo e nunca falei com os cigarros!” deitou-me um olhar gelado que me fez sentir com quatro anos de idade e remeteu-me á minha insignificância.
Está num lar, a cada visita pergunta quando é que a mãe a vai buscar, se os irmãos estão no trabalho, refila com os outros idosos, para se endireitarem, inclusive ralha veementemente com outra utente, com pé boto, para que endireite os pés, fuma cigarros na janela e critica as roupas das funcionárias, na sua cabeça o pai está em Cabo Verde, os irmãos estão a aprender um oficio, a mãe acaba mais uma toalha ou jogo de lençóis, ela espera que se juntem todos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aceitam-se sugestões para o titulo...


O meu gabinete de trabalho é sufocante!
Decidi mantê-lo na penumbra e fingir que me refresco com uma ventoinha asmática que funciona três velocidades devagar, devagarinho e ainda com mais calma.
A manhã foi ocupada com múltiplas chamadas daquelas em que me colocam problemas para os quais a minha paciência já se esgotou na Primavera, obstante tal facto as chamadas não terminaram, apareceu mais uma tarefa sui generis mesmo à ultima hora, a minha blusa nova, fresca e que faz parte das favoritas debotou e tem umas manchas amarelas provenientes do próprio bordado, a xanata descolou, o carro ficou ao sol, ao longo da manhã continuam a apresentar-me contratempos e berbicachos, tento descascar a pilha de coisas a resolver, alguém me diz para não me preocupar que estão a fazer almoço a contar comigo, não interessa, no momento em que me sento à mesa alguém liga com um problema angustiante, a gritar socorro, desisto e largo os talheres, dou palavras de conforto, recomeço a comer, logo o toque irritante se impõe, é um numero cá de casa tenho de atender, pois sim, tem calma, paro ergo no garfo outra vez, o comer está mesmo frio, mas não interessa e não interessa mesmo porque logo ligam outra vez, uma crise familiar é preciso acalmar várias hostes, contemporizar, acalmar, remediar parvoíces que foram ditas sem pensar, enxugar lágrimas, lá vou com volante a escaldar, a xanata descolada, faço isso tudo, as coisas acalmam-se voltou tudo ao normal, trago uns chinelos emprestados, recebo mais telefonemas de coisas inesperadas para resolver, as crises alheias acabaram por me desnortear o dia de amanhã, descongelo qualquer coisa para o jantar, dispo-me, dói-me a cabeça da nuca até à testa.
Já só falta três dias….

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Se eu podia viver sem férias? Podia, mas não era a mesma coisa!




Daqui para a frente os dias não são a somar, são a diminuir, não é mais um dia é menos um.
As férias aproximam-se e eu desdobro-me para deixar tudo pronto, organizado, alinhavado, preparado, existem coisas a pesar mais, solicitações inesperadas, nestes dias o trabalho parece que duplica, mas só penso nos dias que me separam da palavra mágica das férias.
No enquadramento geral, férias serão um luxo, mais ou menos à vontade, são luxo, num país em que a maioria resvala para a falta de emprego, o emprego precário, o salário em atraso, a pensão insuficiente, os livros escolares que se avizinham já no mês que vem. No entanto este ano outra vez, ainda, uma vez mais, vou desligar-me do meu sitio durante duas semanas, tentar contrabalançar em mergulhos, chinelos e calções, noites indolentes, sestas e muita leitura, os restantes onze meses e meio de stress, horas marcadas, frustrações várias, responsabilidades, compromissos, sapatos fechados, semáforos vermelhos, telemóveis histéricos, coisas urgentes a sobreporem-se a coisas ainda mais urgentes, falta de lugar para estacionar, por estes dias nem olho para a agenda, crio lembretes no telemóvel que apita a horas certas para não me esquecer algum imprescindível, começo a ganhar raiva ao relógio que anseio em deixar em casa, como faço sempre em férias, desligar o tirano telemóvel de trabalho, ligar o pessoal só e apenas quando quiser falar com alguém.
Estou cansada, tenho um sono profundo guardado dentro de mim à espera de ser usado, existem partes do meu corpo que anseiam por estar dentro de água, como deve de ser, não num duche.
Sei que a teoria da relatividade aplica-se sempre ao tempo de férias, vão passar num ápice, não faz mal, venham elas!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Gabardina


O meu avô materno tinha uma gabardina, acompanhou-o toda a vida de adulto, era uma gabardina inglesa comprada numa alfaiataria da Baixa.
O meu avô era um homem calmo, organizado, meticuloso, até picuinhas, ao que contam.
Era um ferroviário, transformando em pequeno comerciante, o que consta na documentação é industrial de panificação, para vender o pão fazia o contrapeso com pão do dia ao contrário da maioria que colmatava as gramas a menos em cada pão com uma fatia de pão duro, em casa consumia-se pão duro, dos roubos sofridos constam papo-secos roubados pela minha mãe e tias que desejavam comer pão fresco, tenho um relógio de bolso, de alpaca, com mostrador de esmalte que foi achado na porta da padaria e que esteve duas décadas pendurado na parede.
O meu avô tinha uma gabardine e apesar de ser padeiro, apesar de ter colocado as filhas a estudar, apesar de nunca ter existido fome lá em casa, havia frio e aquela gabardina tinha múltiplas funções, servia para ele vestir nos dias de inverno e de coberta das filhas na noite….

domingo, 9 de agosto de 2009

Escuta!


Consegues ouvir?!
O fragor de mil injustiças
De milhões de suspiros de resignação
Que crescem
Este som são lágrimas
Pequenas gotas de mar saídas
De um olhar de tristezas acumuladas
Acabaram!
Acabaram os suspiros de resignação,
Os pedaços de mar a fugirem pela face
O fragor das injustiças
Todos se juntaram e agora
Escuta!
Escuta só este troar crescente
Não é uma trovoada distante
É o futuro a chegar!

sábado, 8 de agosto de 2009

Balduíno

Já falei de uma série de personagens familiares, quase todas coberta com uma certa dignidade, mas verdade, verdadinha existem outras variantes.
O Primo Balduíno era primo da minha avó, filho da irmã gémea da minha bisavó Laurinda, a tia Teresa.
Gémeas, falsas, a minha bisavó tinha olhos e cabelos como carvão, a tia Teresa era ruiva de olhos azul céu.
O Primo Balduíno era filho ilegítimo, um grande estigma na época, existem duas versões, numa a Tia Teresa ficou grávida do noivo que morreu lá longe nos campos da I Guerra Mundial, outra é que a tia Teresa teria sucumbido aos avanços e encantos de um ricaço qualquer.
Aparecem ainda as variantes da tia Teresa ter entregue a criança ao pai que prometeu cria-lo com desvelo e carinho e que o terá abandonado. Não interessa, certo é que ocultou a gravidez, o parto foi sozinha na praia e o bebé ficou embrulhado no xaile. Alguém o encontrou, identificou o xaile e tudo se descobriu.
O primo Balduíno cresceu na família mas sempre rejeitado pela mãe, era alto, forte, trabalhava como estivador e parece que tinha um cérebro de passarinho.

Registam-se vários episódios no mínimo hilariantes, o meu favorito prende-se com a licença de isqueiro (para quem não sabe era obrigatório no Regime Fascista), ora bem no instante em que o Balduíno acendeu o cigarro o GNR diz “Alto lá! Apresente a licença”
Estando na muralha junto ao Tejo, desenrascou-se em vez de se livrar do isqueiro, atirou-se ao Rio…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Paixão segundo Eu….


Já estive várias vezes apaixonada, não vou falar da paixão por livros, filmes, autores, pintores, compositores, etc e tal, falo de paixão mesmo, entre duas pessoas que sentem aquela coisa electrizante, uma atracção profunda, uma sensação de borboletas no estômago, pés leves, olhar alucinado, respiração e palpitação alteradas, a vertigem do outro, uma noção diferente de espaço e tempo, quando está com o outro e quando não está.
A paixão, olhando em retrospectiva é um estado tão bem aventurado como estupidificante, acho que nunca me apaixonei pelos atributos físicos de ninguém, por si só, é claro que também conta, mas pode ser só um certo tom de cor dos olhos, um remoinho no cabelo, o formato das mãos ou o tom de voz, o resto é sinceramente secundário e não escrevo isto por ter passado os quarenta, mas porque na verdade para mim foi assim.
Mas as paixões são como as doenças infantis, convém apanhar, cria-se defesas.

Lembro-me de ter tido uma paixão assolapada onde para além das chamadas telefónicas, de estarmos juntos todos os momentos possíveis, dávamo-nos ao trabalho de escrever cartas e enviar por via postal, cartas com flores secas, poemas, desenhos, anagramas, eu sei lá, era uma aflição, no tempo que estávamos juntos, para além dos arrulhos e carinhos, ficávamos com aquele ar alucinado a olhar um para o outro, a sorte é que não existia telemóvel, Internet e demais, o problema foi que passado o estado de graça, três ou quatro semanas, descobrimos que não concordávamos com quase nada, não gostávamos das mesmas coisas, não tínhamos nada em comum, nem nada para dizer um ao outro, de facto não o conhecia, nem tinha vontade de o conhecer, foi uma separação sem doer e sem magoa, saímos daquilo assim de fininho como se nos tivéssemos enganado na sala.
O amor, o amor é outra coisa!

O divórcio não se fez para os cães…


Com esta frase o meu pai terminava qualquer arremedo de discussão conjugal, embora fosse o homem com menos apetências para viver só que alguma vez conheci, deixava um rasto de peúgas e sapatos ao chegar a casa, a única coisa que comi confeccionada por ele foi ovos com chouriço e chouriço assado sendo que algumas vezes assava chouriços nos objectos mais estranhos, como por exemplo num cinzeiro de cristal que obviamente estalou.
Não quero falar do meu pai mas sim dos divórcios, ultimamente parece que estou rodeada deles por todos os lados, ao meu redor amigos, conhecidos, assim-assim e familiares divorciam-se, há várias espécies de divórcio.

O divórcio tunning

Como o nome indica, não passa despercebido é acompanhado por gritarias, chorrilhos de acusações, exércitos de partidários, acções em tribunal e intervenções das autoridades. Neste modelo, costuma existir ainda a variante da infidelidade conjugal, a agressão verbal ou mesmo física e acima de tudo a luta pela custódia de filhos menores.
Isso aí é um festival, os minutos de entrega são contados, as crianças são trocadas de trincheira em trincheira com as recomendações “Diz à parva da tua mãe” e “Dá o recado à besta do teu pai”

O divórcio alforria

As duas partes resolvem voltar ao ponto antes do casamento, por vezes muito antes, começam a gozar de uma adolescência tardia. Saem todas as noites, mudam de hábitos, arranjam namoros descartáveis, planeiam férias com amigos, vão à descoberta de discotecas e bares. Geralmente esquecem-se que existem crianças, lá ficam os avós com esse ónus…
Ao divorciar-se descartam-se na íntegra da vida conjugal, filhos incluídos.

O divórcio mais que cordato

Separam-se mas por vezes continuam a partilhar durante uns tempos a casa, carro, contas bancárias. Não existem pensões de alimentos atribuídas, vai-se gerindo os gastos das crianças em conjunto, continuam a passar juntos Natais e Aniversários, se existem outras pessoas passam a partilhar também desses momentos.
Chegam mesmo a ir namorando.

O utilitário

Separam-se, a divisão de bens é razoável, a custódia de menores é verdadeiramente partilhada, não existem dias fixos de visitas ou fim de semana. São pessoas maduras e equilibradas.

O divórcio Barbie & Ken

Existe uma anedota sobre um homem que vai comprar um Barbie para a filha, a vendedora vai-lhe mostrando: Barbie Enfermeira 30 euros, Barbie Alpinista 30 euros, Barbie professora 30 euros, Barbie Divorciada 150 euros
Inquirindo sobre a diferença de preço a vendedora esclarece “A Barbie divorciada vem com todas as roupas, carro e casa do Ken”….
Esse é o divórcio Barbie e Ken….

Não me deixa de fazer uma certa confusão existirem agora festas de divórcio, anéis de divórcio feitos com a aliança de casamento derretida, da mesma maneira que me custa a conceber que alguém que supostamente decidiu viver junto, amar-se e respeitar-se, passe para o mais absoluto desprezo…

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rosa de Hiroshima



Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

Vinicius de Moraes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Desculpem qualquer coisinha...


Sou despassarada, já o escrevi várias vezes.
Por despassarada entenda-se que existem coisas fundamentais para os outros mas perfeitamente dispensáveis para mim que me passam ao lado, em que não reparo, tenho enganos, não cumprimento pessoas porque estou tão absorta que não reparo nelas, as marcas e os modelos dos carros não me dizem nada, sei do meu, pouco mais, de resto o do amigo A é cinza, amarelo, preto, verde e pronto.
Esqueço-me de coisas fundamentais, esqueço-me que o meu tique de abanar o pé abana a mesa inteira de reuniões, piso o pé de um amigo no café num bar convencida que piso a base da mesa, já tentei abrir carros de outras pessoas, já entrei em carros de outras pessoas, já disse Olá com um sorriso feliz a alguém que me parecia conhecido, já passei trombuda e esquecida por alguém conhecido num gesto facilmente conotado com falta de educação.
Dos telemóveis, automóveis, telefones, computadores e outros aparelhos, pretendo apenas que funcionem, não me interessa de todo conhecer outros mistérios que encerrem.
A minha secretária, as minhas gavetas, a minha mala a minha pasta são uma confusão, onde eu sei a localização de tudo, ou não, mas entendo-me.
Tenho tanto de atitudes contidas como desabridas, parece que por vezes me fecho num mutismo que aos 10 anos me dava um ar de adulta, ou então esqueço os 42 anos, alguns cabelos brancos que espreitam, um peso a mais e ajo como se tivesse 16.
Não resisto a cantar num concerto, a pular, a abanar-me ao som da música, a fazer trombas e olhares arrevesados a quem não gosto, a fugir de um sitio que me oprime, a molhar os pés na praia, só os pés que seja, a molhar o dedo na massa do bolo e provar, a contar uma anedota, a dar uma gargalhada, que respeito imenso, mais as gargalhadas do que as lágrimas como canta Caetano... Até porque as lágrimas costumam ser escassas, são traiçoeiras e se limpam a alma, também turvam a visão.
Ultimamente o cansaço e outras ocupações fazem-me mais despassarada que o costume, portanto desculpem qualquer coisinha….

terça-feira, 4 de agosto de 2009

As coisas que guardo em mim


De vez em quando sinto-me só, por vezes um pouco triste, insegura, cansada ou só confusa, tenho sempre umas coisas por companhia, o rio, o mar, claro o mar e outras, guardo uma menina comigo, faz-me companhia, relembro coisas, brincadeiras, sensações, como a lota de manhã cedo ainda com estrelas no céu, os homens com capuzes de serapilheiras, as gaivotas enlouquecidas, e por cima dos capuzes caixotes de madeira com peixes a estrebuchar, o cheiro da terra molhada das primeiras chuvas, quando o meu pai me pegava ao colo e me aninhava dentro da sua gabardina, que cheirava a tabaco, isso com o cheiro de castanhas assadas é o cheiro do Outono; a excitação das noites de 24 de Dezembro, com a face encostada à vidraça a adivinhar formatos de nuvens, o calor da cozinha, um cheiro geral de pinheiro e canela, isso é o cheiro do Inverno; as gargalhadas e as correrias com os joelhos esfolados pintalgados com mercúrio as bolachas de baunilha abertas para se lamber o creme, depois espalhadas, pelo campo, por mim e mais dois cúmplices de joelhos pintados, para observar formigas, o campo tinha ervas tenras, por vezes perto borregos que mal se seguravam nas pernas, alfazema a crescer e papoilas a pintalgar, joaninhas, gafanhotos e outros mistérios, será sempre o cheiro da Primavera; o sal a picar depois de um dia de praia, depois deitávamo-nos e adormecíamos com aquela sensação da onda, ir e vir, como se tivesse ganho algo aquático, a figueira no quintal, bastião, montanha, castelo, aventura, o cheiro dos figos a encher o quintal, o cheiro do Verão, para sempre.
Ainda bem que esta miúda me faz companhia….

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Farturas



Gosto de farturas, assim uma ou duas vezes por ano, tenho sempre pena quando compro aquelas coisas de farinha frita com açúcar e canela não ter uma chávena daquele café das velhas que a minha avó fazia e a minha mãe ainda faz, aquele da água a ferver depois deita-se o pó, mexe-se e espera-se que o café assente, um café desses combina lindamente com uma fartura quente, frias também não tem graça nenhuma parecem borracha, se bem que comi borrachas na primária e na altura achava aquilo saboroso…o que não me sabe bem é outras farturas, estou farta de noticias parvas e deformadas, estou farta de promessas vãs, estou farta de remar e nadar contra a maré, várias marés aliás, estou farta de pensar que um dia tranquilo onde nada me inquiete seja um luxo a que não me possa dar, estou farta de esperar por um futuro melhor, eu não quero um futuro melhor, quero um presente em condições, quero não ter de me angustiar como mãe, primeiro porque tive de arranjar uma ama a quem confiar aquele pedaço de mim apenas com três meses, depois porque tive de encontrar uma creche onde tive que equacionar qualidade e preço, depois porque tive de passar por isso outra vez na segunda volta, porque tive de fazer estratagemas para ensinar os meninos a abrir a porta com chave e a esperarem um pouco que eu chegasse a casa esbaforida com o coração nas mãos, tive de prescindir de coisas para comprar livros escolares, tive de fazer contas para os óculos cuja falta os obrigava a franzir os olhos frente ao quadro, tive de fazer contas para pagar as propinas e continuo com o coração nas mãos, porque não sei se vão ter saídas profissionais, se eu alguma vez vou ter reforma, se o mês não me sobra no fim do ordenado, se vou ter sempre salário, médico de família já me habituei a não ter, se o meu corpo guarda mais nódulos escondidos de todos os exames como meninos travessos, estou farta adiar indefinidamente as férias de sonho, a ida ao concerto, a compra do tal disco, do tal livro, estou farta de interiormente de me esperançar que mais ninguém na família morra de doença prolongada, porque todos morrem de doenças prolongadas, onde morrem pouco a pouco todos os dias com os olhos lúcidos a despedirem-se e eu prolongo-me neste sentimento de impotência e dor que me afoga e faz doer a garganta, o peito e seca-me os olhos, nunca me faz chorar, estou farta de ver crianças a sofrer, estou farta de orçamentos de estado que definem como prioridades tudo o que considero supérfluo, estou farta de contemporizar, de ter que ser racional, de ter a cabeça fria, embora fervilhe com montes de coisas, só queria uma fartura morna com muita canela e um café daqueles…

Obrigadinho mas....


Em 2001 nasceram em Portugal 112825 crianças, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, menos que o desejado, mais do que os empregos que se perspectivam.
O Governo lança agora uma medida de apoio à natalidade, uma conta poupança de 200 euros a atribuir a cada recém nascido, que ficará impávida e serena até atingir a maioridade, decorridos esses 18 anos estarão lá 500 euros à espera do jovem.
Aparentemente até parece uma coisa boa, parece, mas não é, na prática o estado estará a subsidiar a banca com um depósito de 200 euros por cada nova criança, por estado entenda-se nós, entretanto ter filhos neste país equivale a duas situações: um sinal de inconsciência ou um sinal exterior de riqueza. Isto digo eu, na condição de mãe.
Numa pessoa minimamente consciente ter um filho equivale a consultas pré natais, eu já estive em lista de espera para uma consulta de ginecologia, foi marcada em Outubro para se efectivar em Abril….Portanto temos consultas pré natais, 9 mais coisa menos coisa a uma média de 60 euros, mais a revisão pós parto, perfaz assim uns lindos 600 euros, aos quais se devem de acrescer: ecografias, analises, caixinhas de nausefe para evitar os enjoos e acido fólico para prevenir a anemia.
Portanto já se gastou qualquer coisa como 800 euros, por baixo, depois tem de se preparar a recepção ao novo membro da família, se é certo e sabido que a família se mobiliza para comprar babetes, fraldas de pano, fatinhos e bonecos de peluche, a verdade é que existem coisas incontornáveis: cama de grades, carro de bebé, banheira, são mais umas centenas de euros, mas pronto por baixo, muito por baixo, 400, até agora estão gastos cerca de 1200 euros ainda a criança não nasceu.

Depois de nascer: consultas de pediatria a uma média de 50 euros por consulta, vitaminas exclusivamente destinadas a lactentes que não são comparticipadas, creme para o rabiosque, fraldas de papel ou se forem de pano vai dar ao mesmo porque não devem ser lavadas de qualquer maneira, leite porque nem sempre se consegue amamentar em quantidade e qualidade, fora os cotonetes e outras coisas, entretanto se a mãe tiver a sorte, sim porque começa a ser sorte, de ter um emprego tem de se resolver a questão de uma creche, ama ou afim, são cerca de 250 euros por mês, ou seja 3000 por ano, as coisas continuam, o preço dos livros escolares vão escalando conforme o grau de ensino, até agora o rebento não chegou aos dezoito anos, mas garanto que já foram gastos uns rios de dinheiro.
Entretanto com esta nova proposta a banca arrecada uns milhões de euros com os tais 200 por criança, eu não acho que estado me tenha de suportar as despesas dos filhos que eu decido ter, acho sim que os meus impostos devem ser canalizados para a criação de condições de vida, para uma rede de serviços de saúde que funcione e abranja de facto a população, para uma rede de creches, jardins de infância, que funcionem, que o ensino obrigatório seja gratuito ou então que os livros escolares tenham um preço acessível, que não têm, que não me lixem a cabeça com propostas sociais de anedota que no fundo só servem para continuar a ajudar os do costume, pagas pelos do costume, acho ainda que a natalidade é altamente estimulada quando as pessoas tiverem a certeza que não são despedidas por estar grávidas, quando tiverem a certeza que ter um filho não é penalizador, não são precisas esmolas mas sim estruturas.

domingo, 2 de agosto de 2009

Assustei-me juro! E enchi-me de esperanças vãs...



De repente entre tachos e panelas a meio de fazer uma massada de peixe, uns bifes em molho de tomate e deixar outra coisa adiantada para amanhã, depois da vizinha do res do chão ter tocado à campainha ás 8 da matina (Ao Domingo!) porque tinha batido no carro do cara metade, a senhora metia a primeira e o carro andava de marcha atrás e assim sucessivamente, é claro que confundiu a primeira com a marcha atrás, sucessivamente, depois de me ter dirigido à ronda familiar ter aprendido com muita atenção como se faz um penso numa escara, para continuar a fazer, ouço a noticia de abertura do noticiário da uma: Assaltada uma livraria em Lamego!
Confesso que entre a apreensão acendeu-se ao mesmo tempo uma esperança, a cultura, a literatura estavam a ser tratados como um bem, um bem precioso, de forma arrevesadamente portuguesa, de esguelha, mas não interessa, de repente pensei que para além de ladrões polidos de fato e gravata começávamos a ter ladrões cultos que colocavam todo o seu mister para roubar livros. LIVROS!
Poesias, contos, ensaios, romances, histórias fantásticas como a do velho que lia romances de amor, do reino de Prestes João, das viagens de vários elefantes da construção de vários Conventos, das Montanhas Mágicas, da Estrada de Tabaco, das mil e uma formas de amar de Neruda, dos heterónimos de Pessoa, da lírica de Camões e do escárnio desbocado de Bocage, do Santo Grall, dos romances de Jorge Amado e Gabo com toque tropical e alucinante, dos Cavaleiro da Dinamarca e da Menina do Mar, tudo roubado como jóias.
Depressa me passou o entusiasmo, era uma ourivesaria, acho que começo a herdar uma falta auditiva recorrente ou então é a vontade de mudar o mundo….