segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Obrigadinho mas....


Em 2001 nasceram em Portugal 112825 crianças, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, menos que o desejado, mais do que os empregos que se perspectivam.
O Governo lança agora uma medida de apoio à natalidade, uma conta poupança de 200 euros a atribuir a cada recém nascido, que ficará impávida e serena até atingir a maioridade, decorridos esses 18 anos estarão lá 500 euros à espera do jovem.
Aparentemente até parece uma coisa boa, parece, mas não é, na prática o estado estará a subsidiar a banca com um depósito de 200 euros por cada nova criança, por estado entenda-se nós, entretanto ter filhos neste país equivale a duas situações: um sinal de inconsciência ou um sinal exterior de riqueza. Isto digo eu, na condição de mãe.
Numa pessoa minimamente consciente ter um filho equivale a consultas pré natais, eu já estive em lista de espera para uma consulta de ginecologia, foi marcada em Outubro para se efectivar em Abril….Portanto temos consultas pré natais, 9 mais coisa menos coisa a uma média de 60 euros, mais a revisão pós parto, perfaz assim uns lindos 600 euros, aos quais se devem de acrescer: ecografias, analises, caixinhas de nausefe para evitar os enjoos e acido fólico para prevenir a anemia.
Portanto já se gastou qualquer coisa como 800 euros, por baixo, depois tem de se preparar a recepção ao novo membro da família, se é certo e sabido que a família se mobiliza para comprar babetes, fraldas de pano, fatinhos e bonecos de peluche, a verdade é que existem coisas incontornáveis: cama de grades, carro de bebé, banheira, são mais umas centenas de euros, mas pronto por baixo, muito por baixo, 400, até agora estão gastos cerca de 1200 euros ainda a criança não nasceu.

Depois de nascer: consultas de pediatria a uma média de 50 euros por consulta, vitaminas exclusivamente destinadas a lactentes que não são comparticipadas, creme para o rabiosque, fraldas de papel ou se forem de pano vai dar ao mesmo porque não devem ser lavadas de qualquer maneira, leite porque nem sempre se consegue amamentar em quantidade e qualidade, fora os cotonetes e outras coisas, entretanto se a mãe tiver a sorte, sim porque começa a ser sorte, de ter um emprego tem de se resolver a questão de uma creche, ama ou afim, são cerca de 250 euros por mês, ou seja 3000 por ano, as coisas continuam, o preço dos livros escolares vão escalando conforme o grau de ensino, até agora o rebento não chegou aos dezoito anos, mas garanto que já foram gastos uns rios de dinheiro.
Entretanto com esta nova proposta a banca arrecada uns milhões de euros com os tais 200 por criança, eu não acho que estado me tenha de suportar as despesas dos filhos que eu decido ter, acho sim que os meus impostos devem ser canalizados para a criação de condições de vida, para uma rede de serviços de saúde que funcione e abranja de facto a população, para uma rede de creches, jardins de infância, que funcionem, que o ensino obrigatório seja gratuito ou então que os livros escolares tenham um preço acessível, que não têm, que não me lixem a cabeça com propostas sociais de anedota que no fundo só servem para continuar a ajudar os do costume, pagas pelos do costume, acho ainda que a natalidade é altamente estimulada quando as pessoas tiverem a certeza que não são despedidas por estar grávidas, quando tiverem a certeza que ter um filho não é penalizador, não são precisas esmolas mas sim estruturas.

10 comentários:

mugabe disse...

Ana, é tão óbvio que não podia estar mais de acordo contigo.

Abraço!

CPrice (once) disse...

"não são precisas esmolas mas sim estruturas" - se quem tem a responsabilidade de "mandar" pensasse seriamente nesta pequena frase ..

Plenamente de acordo.

CRN disse...

Ana,

Estructuras, sem dúvida, medidas estructurantes e não pão para hoje (mas só para hoje mesmo) e fome para amanhã.

Abraço

Akhen disse...

Ana,
pode ter-me passado na leitura do post ( eu sou assim um pouco Mister Magoo), mas os 200€ eu nem repatei muito na noticia, porque o que me chamou mais a atenção foi terem falado em países, que normalmente são usados como referência para outros assuntos, mas dos quais se esquecem sempre de dizer que os seus ordenados minimos comparativamente ao praticado em Portugal são "um infinitamente grande" enquanto o nosso é "um infinitamente pequeno".
Essa diferença, mais as condições de que usufruem os naturais desses paises, fazem com que a assistência pré e pós-natal, bem como os subsidios de apoio à maternidade, obrigam-nos a pensar, como eu costumo não me costumo dizer, "mas que filhos da outra"

Ana,
em "jim-casadairene.blogspot.com",
coloquei lá um post sobre um pesadelo do Sócrates.

Fernando Samuel disse...

É isso mesmo!

Um beijo.

sagher disse...

esmolas enquanto desbaratam milhões em submarinos e aviões. um povo que tudo aceita. futebol, fado, fatima e fod.-s. tou farto desta merda toda

Zorze disse...

Ana,

Esta pseudo-medida que nem é para levar a sério, tal a tremenda insanidade.
Só quem a criou e com eleições à porta, conhecendo este povo ignorante, sabe que estas coisas resultam em campanhas eleitorais.

Infelizmente, é muito, muito triste.

Beijos,
Zorze

Akhen disse...

Ana,

Eu enganei-me,

o nome do blog é:

http://wwwjim-viajantedotempo.blogspot.com

Ana Camarra disse...

Mugabe

è obvio, para mim e para ti, para os outros será?

CPrice

Eles sabem, não lhes dá geito, mas sabem.

Akhen

Não falei nisso de facto, nem me apetece comparar os menos de 500 euros do SMN Potuguês com os 1500 do Luxemburgo, o custo dos livros escolares Portugueses com o custo zero do Luxemburgo....

Fernando Samuel

Pois é!

sagher

Também estou farta, este povo começa a ser bovino...

Zorze

Pelo contrário é para levar muito a sério.

Beijos

Miguel disse...

É tudo tão óbvio que até irrita!

E escreves bem. E isso não irrita.