
De repente entre tachos e panelas a meio de fazer uma massada de peixe, uns bifes em molho de tomate e deixar outra coisa adiantada para amanhã, depois da vizinha do res do chão ter tocado à campainha ás 8 da matina (Ao Domingo!) porque tinha batido no carro do cara metade, a senhora metia a primeira e o carro andava de marcha atrás e assim sucessivamente, é claro que confundiu a primeira com a marcha atrás, sucessivamente, depois de me ter dirigido à ronda familiar ter aprendido com muita atenção como se faz um penso numa escara, para continuar a fazer, ouço a noticia de abertura do noticiário da uma: Assaltada uma livraria em Lamego!
Confesso que entre a apreensão acendeu-se ao mesmo tempo uma esperança, a cultura, a literatura estavam a ser tratados como um bem, um bem precioso, de forma arrevesadamente portuguesa, de esguelha, mas não interessa, de repente pensei que para além de ladrões polidos de fato e gravata começávamos a ter ladrões cultos que colocavam todo o seu mister para roubar livros. LIVROS!
Poesias, contos, ensaios, romances, histórias fantásticas como a do velho que lia romances de amor, do reino de Prestes João, das viagens de vários elefantes da construção de vários Conventos, das Montanhas Mágicas, da Estrada de Tabaco, das mil e uma formas de amar de Neruda, dos heterónimos de Pessoa, da lírica de Camões e do escárnio desbocado de Bocage, do Santo Grall, dos romances de Jorge Amado e Gabo com toque tropical e alucinante, dos Cavaleiro da Dinamarca e da Menina do Mar, tudo roubado como jóias.
Depressa me passou o entusiasmo, era uma ourivesaria, acho que começo a herdar uma falta auditiva recorrente ou então é a vontade de mudar o mundo….
Comentários
A grana é a demanda, a grana.
Pois a coisa tá preta!
Beijos,
Zorze
há um tempo atrás, alguns moleques de rua entraram na biblioteca de uma universidade particular cujo o nome não posso expor, aqui no subúrbio do RJ (Brasil) e levaram datashow, vídeos aparelho de som e TV. Reviraram as estantes todas mas deixaram os livros raros, mesmo atirados ao chão estes permaneceram protegidos das ações vãs daqueles meninos. Sabe por que fizeram [e fazem] esse tipo de coisa? Porque não têm a menor idéia do conteúdo que há nestas grandes obras, senão tbm seriam roubadas. Não para serem lidas, como deveriam, mas comercializadas no obscuro da marginalidade. Pois um dia provavelmente, pouco [ou nem sequer] tiveram algum contato com livros... Ou qualquer coisa que ampliassem suas oportunidades de transformarem-se em "cidadãos" que estudam, trabalham e recebem seus frutos ...
Beijo
Abraço!
Beijos, Ana
Ou seria que queriam mesmo ir à livraria, ver se existia alguma obra escrita por um "seu" colega de profissão, daqueles de colarinho branco, intitulada "Como roubar impunemente e ser considerado inocente".
Sempre era entrar um pouco na cultura.
Os assaltantes terão sido considerados inocentes?
É que estava ouvir na TV. a noticia relativa ao Sr. Isaltino, e como outros, nem todos os crimes cometidos foram considerados crimes.
Assim se "suja" a "imagem" de mais um politico "impoluto".
Coitado.
Pois só eu para pensar que poderiam ser os livros.
j. de Andrade Lemos
Tão triste o que contas, tão triste!
Diogo
È claro que poesia de barriga vazia não alimenta a alma, mas como os livros tem a mesma taxa do ouro….
Mugabe
Pois alguns até compram livros a metro com lombadas douradas, fica bem nas estantes.
Anónimo
Toma uma rennie que isso fica melhor.
Akhen
Se calhar um livrito desses calhava, “Como roubar uma Autarquia, figir para o Brasil e ser inocentada quase canonizada”
Beijos
Um beijo.