terça-feira, 30 de junho de 2009

Sou louca por ti América!




A 10 de Setembro de 1973, Augusto Pinochet encabeçou um golpe de estado com apoio velado dos Estados Unidos da América, tendo assassinado o Presidente Eleito Salvador Allende, bem como milhares de chilenos que se opuseram ao brutal Golpe.
Numa madrugada de 2009 outro golpe de estado depõe um Presidente eleito, Manuel Zalaya, noutro país da América Latina, as Honduras, diplomatas e ministros foram sequestrados, num claro atropelo ás convenções diplomáticas.
A América Latina têm vindo a levantar cabeça nos últimos anos, o seu povo tem vindo a desenhar um caminho de esperança, longe da submissão quase escrava a interesses tão diversos, que os reduziam a Republicas da Bananas, Centros de Prostituição e de narco tráfico, para além de assistirem ao desaparecimento sucessivo das suas riquezas naturais em prole de outros.
O governo do meu país ainda não condenou inequivocamente tal facto, como tal condeno-o já que os meus legítimos representantes não me representam, a comunicação social continua a bombardear-nos com a vida e morte de Michael Jackson e outras coisas que tais, pouco fala das Honduras, nem sei porque me espanto…

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A minha é parva ou taralhouca!



Nos contos infantis as heroínas tinham sempre fadas madrinhas. A Cinderela e a Bela Adormecida tinham, está bem que a da Cinderela só apareceu in extremis e as da Bela Adormecida que eram três, isto Princesas é outra louça, não fizeram muito bom trabalho.
Mas toda a miúda sonha com uma fada madrinha. A minha madrinha era assim mais ou menos madrinha, porque como não fui baptizada era minha tia, amigalhaça, porreira, com que me dava muito bem, apesar dos milhares de quilómetros que nos separavam, já partiu, infelizmente e é mais uma das que me faz falta.
A Fada Madrinha nunca me apareceu, nem quando eu queria um trapinho à maneira para a discoteca, nem para outras coisas, eu sei que não sou loura, não canto com os passarinhos, nem com os ratos, há por aí Belas muito mais belas que eu, mas caramba podia aparecer uma vez, só uma!
Facilitava-me a vidinha, podia passar a ferro, dar-me noites tranquilas, não era preciso eu ficar a chonar uma data de anos, só umas noites tranquilas, passar-me a mão no cabelo e dizer que tudo vai correr bem, impedir o crescimento dos joanetes que me atormentam, qualquer coisita.
Eu até como sopa para dar exemplo, não me porto muito mal!
Afinal o que é que sou menos que a Cinderela para me calhar uma Fada Madrinha taralhouca, parva ou preguiçosa?!


domingo, 28 de junho de 2009

Espero sempre


Espero sempre
Espero outra madrugada
Espero-te a ti, sempre
Espero que tudo vá correr bem
Espero nunca estar só
Espero apenas que me deixem estar
Assim só comigo, de vez em quando
Espero continuar a não saber fingir
No dia em que aprender já não serei eu
Terei reinventado outra
Espero que as coisas germinem
Todas as coisas, as flores, os sorrisos,
As raivas, as esperanças, as calmarias
As carícias também
As gargalhadas
Espero terminar sempre o projecto
O que tenho entre mãos
O que ainda não iniciei
Até aquele que nem em sombras existe
Espero o sol sempre
Espero que o tempo não seja inclemente
Espero não prometer nada, mesmo inadvertidamente
Não gosto de faltar a promessas
Espero por vezes sentada num sítio qualquer
Algo que nem sei o que é
Espero por mim?
Ou será que já passei e nem me dei conta?
Entretanto como não gosto de esperas ociosas
Encho-as
De mim

sábado, 27 de junho de 2009

Perguntas Parvas....




De cada vez que abro um separador da Internet aparece-me esta pergunta estúpida “O QI da Madona é de 140, e tu queres saber se és mais esperta que a Rainha da Pop?"
Eu juro que não sou tão esperta como a Madona, por motivos vários, ela conseguiu inventar um mito, sem saber cantar muito bem, com muita mise en scene, muitos escândalos, muitos rumores acerca dos seus casamentos, das suas aventuras amorosas, da sua sexualidade, mudando de loura para ruiva, para morena, para tatuada, para cabalista, antes disso suposta reincarnação de Marilyn, resgatadora de crianças sofridas, de Lady inglesa recatada, uns papeis de cinema fraquitos, uns livros para crianças, etc. e tal.
Eu não, dançar não é o meu forte, o meu pai tentou ensinar-me a valsa mas acabávamos os dois pela dança da batata na testa, gostava de saber dançar o tango, mas não sei, os pliés ficaram no canto da memória de infância, nunca mudei muito, não sigo própriamente a moda, nem sei muito bem maquilhar-me, já engordei e emagreci toneladas, por motivos vários, mas continuo tão igual no essencial que todos me distinguem até nas fotos de bebé, nunca tive romances escandalosos, nem dúvidas sobre a minha sexualidade, cantar, dou uns toques, fraquitos, fraquitos.

Tudo o que faço de mais criativo é sem fins lucrativos, faço por amor à camisola, por acreditar em causas por carinho aos amigos, portanto se ficar rica e famosa é por mero acidente.
Como sou republicana também não pretendo ser Rainha nem da Pop nem do Presto ou do Tide…

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Hoje berrei!


Há meses que acumulo coisas dentro de mim, porcarias, mágoas, palavras que não disse ou que me disseram e ficaram a ecoar dentro de mim, devia de lhes ter respondido à letra e não respondido com um sorriso e deixado o eco a bater-me cá dentro.
Devia ter dito que não, tantas vezes como as vezes que me ofereci para milhentas coisas.
Deixei tudo cá dentro, fermentou, como mosto, nas noites mal dormidas, na testa franzida, nas preocupações miudinhas, em apontamentos dispersos, numa vontade de gritar que ficava como um iô-iô presa na garganta, no caminho somavam-se distracções: o carro não travado, o dinheiro deixado no multibanco, coisas inusitadas guardadas no frigorifico, até hoje.Por um motivo estúpido, alguém que me apita porque o semáforo ficou verde, sem razão aparente correram lágrimas desbragadas, quatro a quatro, grossas, quase inesgotáveis, tive de parar o carro, deixar a torrente sair, molhei a blusa, fiquei com cara de palhaço, o nariz vermelho os olhos brilhantes, segui o dia para a frente, com a certeza que não vou nos próximos tempos fazer um reservatório

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Memória olfactiva


As coisas boas cheiram bem!
O medo cheira a podre, a morte cheira a frio, a solidão cheira a bafio e sacristia.
A amizade cheira a pão fresco, limões, terra molhada.
Os encontros de amigos cheiram a cedro, alfazema, rosmaninho, tangerinas, figos maduros.
Os filhos cheiram a leite, a sonhos, a fruta a começar a amadurecer, ainda com toque floral.
A infância, a irmandade, cheira a bolos e biscoitos no forno, a ervilhas de cheiro, a travessuras, a canela e a compota.
O amor cheira a mar, a chocolate, a sândalo....

Hoje não sexta-feira!


Agora é quinta feira, a estrear, nem uma hora tem, eu sei que na melhor das hipóteses tenho 5 horas para dormir, depois de escrevinhar como se tivesse só e apenas a falar comigo, vou tomar banho, ver se há roupa para lavar, verificar se existe mantimentos para o almoço dos infantes, tirar as lentes de contacto, lavar os dentes, vestir uma incongruente roupa de dormir (esta tem vacas e estrelas com um ar de desenho infantil), colocar os telemóveis a carregar, ler um pouco talvez, trocar umas palavras com o cara metade que saiu antes de me levantar, e com quem me cruzei agora!
E a verdade é que escrevo como se estivesse só a falar comigo porque me faz falta como um diário, como um caderno de campo, um sumário de vida, por vezes acho que o que escrevo não interessa rigorosamente para nada, mas a verdade é que os vossos comentários até me fazem falta, sabem bem.
Muitos, a maior parte, não os conheço, mas quase que os imagino!

Faz de conta que não estou a escrever aqui, faz de conta que estamos sentados numa esplanada à beira de água, numa manta velha debaixo de uns pinheiros ou mesmo no tal banco de jardim.
Sabem tão bem como um mergulho na praia, uma manta quente e macia no Inverno, um abraço o café ou a sobremesa no fim da refeição.
Vocês fazem-me falta, sabiam?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Bad Banco?!






Eu juro que de uma maneira geral acho que os bancos são maus!
Tenho essa fixação.
Já os Anarquistas catalogavam de instituições reaccionárias: a Igreja, o Casamento, as Forças Armadas e os Bancos. Com a Igreja não mantenho relações, com o casamento não me tenho dado mal, mas por mim tinha-me mantido amancebada, as Forças armadas sempre me fizeram, um pouco de confusão, os Bancos….bem os Bancos, são um mal necessário na minha vida, pelos quais não tenho carinho nenhum.
Bom não interessa, interessa que hoje de manhã ouvi as notícias e apareceu uma especialista em economia a dar conta das novidades.
A novidade de hoje é que o Presidente do Banco de Portugal está a pensar em fazer uma coisa chamada Bad Bank, isto com os restos do BPP.
Supostamente vai ser criado o Bad Bank com os investimentos tóxicos do BPP.
Não consigo perceber o que são os investimentos tóxicos, o defeito deve ser meu, mas cheira-me a virose, também não entendo qual a vantagem de ter um Bad Bank.

Pronto é mais honesto! Estou mesmo a ver o slogan “Venha ao Bad Bank , o pior do seu bairro e intoxique-se!” ou “Se tem dinheiro a mais invista nos nossos empreendimentos mágicos!” ou talvez “Fazemos magia com o seu dinheiro, desaparece”.
O meu dinheiro não precisa de ajuda para desaparecer…tem uma espécie de chip incorporado e some-se por si só.
O que acho de verdade é que se está a arranjar um esquema de engenhocas financeiras para pagarmos ainda mais os desvarios de uns quantos doutos da prestidigitação financeira, o BPP só geria fortunas, mal ao que parece, eu cá não podia abrir uma conta lá porque não tinha alcavalas para isso, faliu porque alguém foi ainda mais ladrão, querem que paguemos nós.
Eu até podia alinhar quando o reverso também sucedesse, que tal começarem a distribuir os lucros da banca? Sei lá, para escolas? Hospitais? Centros de Saúde? Apoio à criação de emprego?
Ai Ana, Ana, essas ideias subversivas!

terça-feira, 23 de junho de 2009

A minha veia química II


Algum tempo atrás brindei-os com a minha veia química, mas que não ficou por aí.
Tinha eu uns 10 anos, ofereceram-me um jogo de química, um a mim, outro ao meu primo, ao outro, mais velho, um microscópio. Tudo didáctico!
Os jogos de química tinham lamelas de vidro, tubos de vidro com reagentes básicos, um cadinho, uma lamparina a álcool, pinças e outros apetrechos.
Desconfio que já não se vendem! Não devem de estar na conformidade das normas europeias.
Portanto juntamos esforços e coisas num laboratório, nos primeiros tempos a loucura era arrancar pedaços de flores dos vasos, cascas de cebola, para ver ao microscópio, também picávamos os nossos dedos e arrancávamos cabelos, pestanas e sobrolhos.
Uma formiga, uma mosca também era boa.
E fazíamos experiencias…
Muitas!
Não me lembro se a busca era a da pedra filosofal, de um substituto para os combustíveis fosseis, a descoberta de uma cura de uma doença.
Sei que passamos horas a misturas reagentes, aquece-los, a medir o PH com as tiras de papel universal.
Não me recordo com terminou tal brincadeira, sei que tudo se sumiu depois de conseguirmos queimar a alcatifa, as colchas e cortinados.
Perderam-se assim três potenciais cientistas!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Desalinho


Houve alturas em que estava pelo menos duas vezes por dia com o meu pai, que dormia com a minha avó, que me deslocava sempre sob a observação intensa da família, alturas em que os meus filhos me pediam colo de braços esticados.
Houve alturas em que tinha as medidas certas, nessa altura não só me camuflava como não tinha dinheiro para comprar roupas.
Houve alturas que queria que o tempo corresse, houve alturas em que achava que a minha vida estava assim parada num curso de lago que se mexe com uma pedrada ou se renova com a chuva.
Hoje, tenho saudades do meu pai e da minha avó, o que tomava como certo, constante, imutável desapareceu, tive de ser eu a seguir o rasto da família cada vez mais dependente de um afago, não consigo pegar nos meus filhos ao colo, são eles que me abraçam. Cresceram como trepadeiras, uns homens, meigos e vibrantes, mas tenho saudades dos meus bebés.
Hoje até tenho mais flexibilidade financeira para trapos, não tenho as medidas certas.
Hoje o tempo corre depressa demais, a minha vida é um rio com cascatas pedras, agua rápida, da nascente até à foz sempre no mar.

domingo, 21 de junho de 2009

Estou Além!

Basicamente sou inquieta!
Por dentro muito, por fora por vezes parece que não, mas também abano o pé, bato com a mão, etc.…
A inquietação faz parte de mim.
Não existe volta a dar!
Ultimamente conjuga-se uma grande solicitação por parte dos que me rodeiam, com um momento débil pessoal e a vontade de ir mais além.
Portanto esta música, de que sempre gostei serve muito bem para a minha banda sonora pessoal, neste momento.
Como não existia vídeo que eu gostasse fiz o meu!

Tudo e nada.


Nada fiz do que tinha planeado, nem almoço, nem jantar, nem relatórios, nem a tortura do ferro a vapor, nem a representação em tribuna, nada disso fiz.
Fiz outras coisas não planeadas, não as compras, sempre com o frigorifico e as prateleiras da dispensa a ganir, essas fiz.
Estiquei-me no sofá olhando a casa num remoinho, batucando num remoinho de emoções, de cansaço de exaustão, de chamadas telefónicas, forcei-me, limpei tudo dando à casa aquele ar de frescura, mais uma chamada.
Dei colo, carinho, mimo, a quem me deu isso tudo, tanto, a pergunta foi simples “Podes, cá vir?”, “Posso, é claro que sim”!
Fui e dei colo e mimo, todo o que tinha, acalmei, disse que não existem papões, que amanhã vai estar sol e que não tenham medo que eu estou aqui.
Eu estou aqui carregada de tudo e de nada.
Eu estou aqui meio perdida, meio comandante, eu estou aqui disponível e ocupada, eu estou aqui crescida e muito pequenina, eu estou aqui tudo e nada.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Inevitavelmente!



Inevitavelmente hoje é sexta-feira.
Ontem repeti a palavra inevitavelmente várias vezes, como um amigo me chamou a atenção.
Inevitavelmente o dia não correu como previsto, apareceram coisas imprevistas, o que prometia ser um pequeno-almoço calmo com direito a bica na esplanada transformou-se em mais uma correria alucinada.
Inevitavelmente numa reunião arranjei mais lenha para me queimar ao aceitar mais umas quantas incumbências, eu sei que tenho aprender a dizer que não, mas inevitavelmente sou eu que me ponho a jeito.
Inevitavelmente consegui deixar para trás umas coisas importantes que não fiz mas, inevitavelmente resolvi outras tantas que não estavam previstas.
Inevitavelmente solidifiquei laços de amizade recentes com um homem com as mesmas causas, com idade para ser meu pai, ao resolvermos coisas pequenas e mesquinhas e falando dos assuntos grandes e profundos.
Inevitavelmente este fim-de-semana, vou ter muito que fazer!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Fim do Mar




Olhando muito o mar penso na loucura ou no desespero que levou homens a atravessa-lo assim para um horizonte que a olho nu acaba em nada.
E os barcos eram feitos de troncos de árvores, coisas terrestres com os pés, neste caso as raízes enterradas no fundo da terra, só assim vivem, mas vivem depois disso em tábuas compridas, com cheiro a resina, e pregos longos feitos com fogo e minerais também tirados da terra, as velas também feitas de fibras terrestres, fios de plantas, só com esta terra toda se podia ir até ao fim do mar…
Assim somos nós presos por coisas aparentemente diferentes, mas nem por isso.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vi-te!


A verdade é que te vi, noutra pessoa que não eras tu, porque tu já não andas por cá.
Não era flagrantemente parecido contigo, nem a feição, nem os olhos, não eram os teus olhos de um verde intenso marítimo, nem era o teu sorriso, era assim um ar na forma de andar com um ombro á frente como fazias sempre, fruto talvez do teu tempo que era gasto em cima de pranchas.
Era a tua forma de andar, um gesto parecido com o teu, uma cadência.
Doeu-me ver-te assim de repente, noutra pessoa.
Lembrei-me que não penso em ti tantas vezes, só de vez em quando, quando penso em ti existe uma mistura estranha, uma saudade doce e amarga, mel com limão…
Fiquei assim parada a olhar até que a outra pessoa olhou para mim, deve ter sentido o peso do meu olhar, parou e sorriu.
Aquele sorriso retirou-me toda a dor, sorri de volta, segui o meu caminho, pareceu-me que eras tu que me sorrias, quase que esperei ouvir a tua voz “Então, Linda, que fazes á vida?”
Se me tivesses perguntado respondia-te que faço fintas todos os dias à vida, tantas como ela me faz a mim, que faço por viver todos os dias, não subsistir ou só existir, viver. Porque nunca sei quando a vida me vai excluir como te excluiu a ti da minha, como te excluiu a ti do mar, como te excluiu de repente das tuas mãos de artista que criavam formas diferentes e arrojadas.
Responderia ainda que tinha saudades tuas, que me fazes falta e que gostei de encontrar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Cenas que me marcaram X

Eis que chego ao grande problema: o dos realizadores que basicamente só fizeram filmes que gosto!
Começo por Stanley Kubric e gosto de tudo, basicamente, desde Laranja Mecânica, o 2001, Barry Lydon ou Dr. Strange Love.
Mas escolhi Spartacus.
Gosto do filme, dos actores e gosto muito da história.
A história de um homem que nasce humilde, que resolve tomar o seu destino nas mãos, que lidera os seus iguais num caminho de libertação, é traído, crucificado e deixa um legado eterno de liberdade e esperança numa vida melhor.
Parece familiar?
A diferença é que a vida melhor almejada era aqui, não num local inventado, aqui mesmo neste planeta.
Os actores são de luxo, a música é linda, a recriação histórica muito mais verosímil que a produção do costume.
Esta cena é brutal, depois de traídos e vencidos, é declarado que irão continuar escravos, mas que será poupado à crucificação quem denunciar Spartacus ou identificar o seu cadáver.
A cena não precisa de tradução.
(na playlist está a música)

Na janela


Desde que se lembrava que lhe diziam para esperar, para estar assim e ela estava.
Não se lembrava de ter corrido, de ter dado uma gargalhada de ter mexido em algo mais real que a terra dos vasos onde as begónias timidamente floriam na sombra da casa.
Ficava à janela onde lhe diziam que podia estar, na cadeira, a bordar inutilidades, em pontos laboriosos com fios como teias de aranha.
De estar tanto na sombra já escolhia os fios pálidos, cores mortiças.
Tão mortiças como os lábios usados para um beijo convencional, um sorriso sob medida, o comer sem prazer, meia dúzia de palavras de circunstância.
E a vida ia passando na janela, lá fora, crianças que corriam ou inseguras no passos mas seguras nas mãos de alguém, casais abraçados, mulheres que choravam, soldados que partiam, alguns voltavam, amantes em arrulhos de rolas, velhas com cestas cheias de coisas, pessoas com cães, gargalhadas, por vezes um raio de sol que teimava entrar pela janela e era expulso pelo reposteiro cerrado e grosso.
Um dia suspirou, largou as teias de fios mortiços, olhou as mãos já a murcharem, avaliou os seios que tinham pendido sem nunca serem fonte de amor ou alimento, as costas dobradas e tecer as tais teias mortiças, viu-se ao espelho e avaliou os lábios murchos, as rugas sulcadas no rosto, saiu, não esperou mais foi ver o mar, ver a vida para lá da janela.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Chá, a sua falta!


O Chá é uma infusão de uma planta, a planta do chá.
A planta será sempre a mesma com múltiplas variantes, verde, branco, vermelho, negro, é sempre a mesma planta, depende da altura da colheita, da sombra ou do sol, depois existem variantes mais ou menos aromáticas.

De longas tradições no Oriente, onde é um ritual, na Europa só se cultiva nos Açores.
Depois existem outras coisas que não são chá, são tisanas. Erva Príncipe, Doce Lima ou Bela Luísa, Camomila, Hortelã ou Hortelã-pimenta, Tília, Pés de Cereja, Hipericão, tantas coisas, flores também, rosas, jasmim, cascas de frutos, laranjas, limões, pode-se fazer quase com tudo, pode ser refrescante, calmante, reconfortante, aliviar dores.
Quase todos os povos possuem remédios santos com estas infusões de ervas.
O chá é associado aos habitantes do Reino Unido, no entanto foi Catarina de Bragança que o levou para lá.
O chá é associado ainda à educação, a expressão “falta de chá” tem a ver com isso mesmo, falta de educação, por isso se diz que o chá deve ser tomado em pequenino.
A independência dos Estados Unidos da América iniciou-se com a Revolta do Chá.
Os rituais japoneses e chineses do chá são míticos.
De algumas tribos árabes também, servem sempre três copos, o primeiro quente como a amizade, o segundo amargo como a vida, o terceiro doce como o amor!

Apesar de sermos o único país produtor de chá da Europa, penso que o consumo é diminuto, existe muita falta de chá a começar por quem devia de ser um exemplo, é só ver as atribuições das condecorações do 10 de Junho, as declarações dos governantes em diversas ocasiões, o estado da Justiça em Portugal, a parcialidade da Comunicação Social, o regabofe dos escândalos financeiros com Conselheiros de Estado à mistura, entre outros.
Promova-se o consumo de chá.

domingo, 14 de junho de 2009

Novo Edital




Serve o presente para avisar que voltei!
Tenho um bronzeado à camionista com um braço mais queimado que o outro e o desenho das camisolas, decotes, mangas, pelo que estou num degradé de vários tons!
Esta pausa serviu para andar muito, ver pedras antigas, o absoluto mar de um ponto de onde ainda não tinha olhado bem para ele, para não atender telemóveis, para regressar a uma casa entregue a dois jovens e descobrir incrédula que acabaram com as cenouras!
Estes miúdos não param de me surpreender!
Também para definitivamente ficar com raiva aos modernos GPS, o zingarelho que não me entusiasma, aquele quadradinho a dizer onde temos que virar, mesmo que do lado oposto se estenda um mar azul tinta da China ou que se veja uma mata linda com pássaros a voar, mal por mal o mapa incomodo que nunca se consegue dobrar ou o descobrir acidental de um sitio lindo.
Agora voltei, estou mole da viagem, começo a interiorizar que amanhã recomeço as múltiplas batalhas e projectos, é mesmo assim nada a fazer!
Já tinha saudades vossas!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Éditos

A Autora deste espaço faz publico que decidiu dar atenção aos conselhos de amigos e recomendações médicas, vai descansar nos próximos dias, numa mini viagem mais ou menos com um rumo mas sem destinos muito certos.
Esta noite vou ter dificuldade em dormir com excitação de partir, é como as meninas pequenas!
Durante uns dias vou abandonar as crias e levo só comigo o progenitor das mesmas, não levo relógio, nem computador, telemóvel só para manter o cordão umbilical.
Levo livros, roupa leve, uma reserva de musica para ouvir na viagem, as reservas de calma a precisarem disto.

Os rapazes que cá ficam agradecem estes dias sem autoridade paternal, o progenitor das crias vai ficar aflito porque é cioso do ninho, eu prefiro assim porque arrastar dois jovens trombudos e contrariados, mais vale estar quieta, de qualquer das formas há supervisão familiar.
Vou ver o mar, de vários sítios, vou dormir e estar acordada conforme me apetecer, não garanto que aqui venha, até porque corro o risco de tropeçar em qualquer trabalho, o que me estraga o ripanço.
O cara-metade vai chegar aos Hotéis e sempre que se deparar com camas individuais vai pedir na recepção um quarto com cama de casal…porque é importante adormecer abraçado!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Boletim Meteorológico



Quando eu era pequena via o boletim Meteorológico, a televisão transmitia umas escassas horas por dia, primeiro num só canal, depois em dois, a escolha era tão pequena que via o Boletim Meteorológico.
Depressa aprendi que sempre que o senhor de ar severo previa sol e céu limpo para o dia seguinte o melhor era esquecer a ida à praia ou ao campo, porque vinha trovoada pela certa!
Eu sei que há época era tudo menos sofisticado, depois vieram as meninas loiras espampanantes a vaticinar o tempo, embora ninguém se importasse com o tempo em si.
Eu aprendi a confiar mais no windguru ou numa ida à varanda antes de sair de casa.
Com as sondagens é o mesmo.
Há vinte e quatro anos que sou eleitora nunca respondi a uma sondagem, que num país como o nosso parece uma improbabilidade, dado que sou assediada várias vezes por semana para adquirir mais um maravilhoso cartão de crédito, um apartamento em time sharing ou um colchão milagroso.
Certo é que na semana passada as sondagens gritaram a vitória do Partido do Governo nas Eleições de ontem, primeiro a plenos pulmões, depois mais timidamente.
Com elas faziam coro as noticias, todas as manifestações de descontentamento popular foram desvalorizadas, dadas como orquestradas, a arrogância do Europeu de serviço atingiu níveis absurdos, mas devidamente noticiados.
Falharam!

Quem não votou marcou uma vez mais a sua apatia, infelizmente, a maioria de quem votou demonstrou que de facto os portugueses não estão satisfeitos com a governação, as sondagens foram tão eficientes como o Boletim Meteorológico da minha infância….
Mais vale olhar à nossa volta e medir a realidade, ver o que nos convém e não embarcar nestes vaticínios de pacotilha!

sábado, 6 de junho de 2009

Cenas que me marcaram IX


Billy Elliot- porque os sonhos mudam o mundo!
O Filme é de 2000, foi muito premiado, mesmo que assim não o fosse é um filme fantástico e muitas vezes os júris não conseguem vislumbrar isso, mas conseguiram.
A acção decorre nos anos tenebrosos do Governo de Margaret Tatcher, numa cidade mineira no Reino Unido.
Os mineiros levam a cabo uma longuíssima greve, num braço de ferro atroz.
Billy tem 11 anos, a mãe morreu de cancro, o pai e o irmão são mineiros e a avó que vive lá em casa perde a lucidez.
O pai insiste em que treine boxe, mas devido à conjuntura, porque é necessário criar uma cozinha de emergência para as famílias dos mineiros, as aulas de ballet passam a coexistir com as de boxe.
Billy descobre-se e é descoberto pela professora de ballet, não é fácil lutar contra os preconceitos, fazer a família perceber, mas consegue.
Pelo caminho há muita coisa, desde perseguições da polícia de choque aos mineiros, até uma onda de solidariedade de toda uma população que vê a hipótese de um deles cumprir um sonho, passando pelo piano da mãe transformado em lenha.
Coloco outra cena, a do final, onde o pai e irmão assistem a este cisne magnífico!

Reflexão

Reflexão substantivo feminino, acção de reflectir, meditar. Observação.


Eis que começou o período de reflexão, a época estipulada legal e cronologicamente para reflectir, meditar, pensar, olhar para o interior de nós próprios e escolher.
Quem não escolhe entrega-se à sorte, à corrente, à vontade de outros.
Entrega a capacidade de decidir da sua vida, da sua vontade, submete-se à pré formação do “Quero lá saber!”
Eu reflicto todos os dias, tento construir um futuro, todos os dias, encaro-me todos os dias.
Nessa reflexão cabe o passado, tudo o que aconteceu antes de mim, os avanços e os recuos, o que aprendi por mim, o que me ensinaram, o que me contaram.
Cabe o futuro, o que quero e o que sonho, que tem de ser construído e o presente onde quero ser feliz.
Reflecte, o futuro constrói-se todos os dias, não prescindas de ti.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Das coisas que me contaram I

Os meus avôs maternos viviam no prédio Pessoa.
O nome até é giro.
Era um prédio grande do princípio do século XX que ocupa um quarteirão quase da Travessa do Jardim, ali mesmo junto ao Jardim dos Franceses.
O prédio tinha várias portas e vários andares, três e águas furtadas, varandas periclitantes de ferro forjado nas traseiras com vista para o quintal dos Franceses, para quem não tem ligação com o Barreiro os Franceses são uma colectividade centenária.
Conheci o prédio já degrado onde eu era o bijou, uma criança num prédio de gente velha onde eu corria de andar em andar a ser mimada por todos.
Mas não foi sempre assim, contaram-me muitas histórias quando era um prédio fervilhante de vida e de jovens, filhos de gente modesta, operários, pequenos comerciantes, ferroviários, com os seus filhos.
Das histórias que me contaram é de não esquecer a história da vizinha Jacinta, podemos chamar-lhe assim, ainda me cruzo com filhos e netos, gente afável.
A vizinha Jacinta tinha oito filhos, o marido trabalhava na CUF, frequentemente apanhado pelos “balões” ou seja de vez em quando estava desempregado.
O meu avô era padeiro como tal ainda tenho os livros de rol com dezenas de anos de pão fiado de famílias como a vizinha Jacinta, esta dizia várias vezes ao meu avó “Você é que é o pai dos meus filhos!”, coisa a que a minha avó não achava graça nenhuma.
Muitos dias a mulher deitava as mãos à cabeça sem saber como alimentar os filhos com algo mais para além do pão, chorava e dizia para a minha avó “Ai vizinha, não sei o que fazer para o comer!”
A isso dizia um dos filhos bruto de fome “Oh mãe faça bifes!”

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fuga


O céu está opaco em vez de diáfano e azul, dói-me qualquer coisa indistinta, uma parte qualquer de mim. Falta-me qualquer coisa que não consigo definir.
As evidências são as evidências, escapa-me aquilo que é evidente e vejo outras, numa espécie de cegueira clarividente.
Um bicharoco qualquer picou-me, o carro precisa de gasolina, a fruteira precisa de fruta, para não ter aquele ar inútil no meio da mesa, há pombos com ar de aves de rapina em fila nos beirais, com um ar imbecil e os olhos pequenitos a piscar, não gosto de pombos, gosto de rolas, pardais, melros, andorinhas, mas não gosto de pombos, há reuniões penduradas umas nas outras nos risquinhos da agenda e do relógio, alguém que telefona a pedir qualquer coisa, sem tão pouco se preocupar a perguntar se estou bem, o fecho daquelas calças estragou-se, a roupa para lavar e passar multiplica-se, uma senhora indigna-se porque deixou cair a carteira dentro da ilha ecológica, quando despejou o lixo, como tal os serviços funcionam mal, o volante está quente, um jogador de futebol anuncia que vai votar nas eleições de um clube, durante uns segundos tive a ilusão que estava a usar as honras noticiosas para apelar ao voto no Parlamento Europeu, mas não. As notícias seguem-se e o avião que caiu é explorado até exaustão, com famílias chorosas, pareceres técnicos, perguntas imbecis e a reportagem miraculosa do homem que tinha o passaporte caducado e como tal foi salvo!
Os Centros Comerciais cansam-me, baralham-me todos iguais, com as lojas iguais, repetidas até ao infinito, as zonas de refeições também repetidas até ao infinito com balões anacrónicos distribuídos ás crianças junto com uma maleta de cartão e um brinquedo de plástico, se calhar fabricado por outra criança, noutro local do mundo, que nunca ouviu falar de hambúrgueres.
Só penso em ser uma ave migratória voar atrás do verão, fazer um ninho com ervas frescas, alisar as penas e dormir a ouvir o mar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Só me apetece dizer palavrões, outra vez…



Conselheiro de Estado Desemprego Crise Internacional TGV Presidente do Banco de Portugal Modelo de Avaliação Bastonário da Ordem dos Advogados Freeport Call Center Europeu Inflação Sondagem Fome Abstenção Offshore Violência Estatísticas Falta de Consciência Pedofilia Comissão de Inquérito Novas Oportunidades Acórdão Magalhães Prescrição Judicial Corrupção Miséria Caso Arquivado Mentira

Fetiches?!



Uma vez por semana, pelo menos, dedico pelo menos uma hora a manusear roupa interior masculina.
Boxers, de algodão, Lycra, micro fibra, de cores sóbrias e clássicas ou então garridas, de riscas, bolas, ursinhos, morcegos, com frases com Sex Bomb, garfields, simpsons, diabos da Tasmânia, corações….
Slips, também.
Há que registar também centenas de peúgas, a maioria negras, uma cor sexy.
Juro que tento ver-me livre dessa hora alucinante semanal, por vezes consigo estar menos tempo agarrada a tais artefactos, outras por muito que eu não que eu não queira, excedem.
A razão é simples, vivo com três homens!
Não é o meu harém…são os meus rebentos e respectivo progenitor
Mas se me convencer que é um fetiche, a coisa torna-se mais interessante.
Não?!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sem Curso ou Livro de Instruções


Hoje é 1 de Junho, Dia Internacional da Criança, por um lado é claro que todos os dias são dias das crianças, mas ainda assim é necessário assinalar a data.
Não com a questão comercial das prendas, aliás essa parte será a mais pobre, talvez fazendo o exercício do que é ser criança hoje.

Se por um lado há cerca de um século as crianças eram vistas como uma espécie de adultos em miniatura, tratados como tal, tanto os meninos ricos que eram treinados em preconceitos e normas como os outros que mal sabiam andar sozinhos iam trabalhar, trabalhos duros, duríssimos por vezes. Trabalhavam a terra, em oficinas, pastavam gado, eram mal tratados e mal nutridos.
A verdade é que de certa forma, de muitas formas as crianças são vistas como propriedade, dos pais essencialmente, mas não só.


Olhando á volta, vemos ainda o trabalho infantil em muitas partes do mundo, como sustentáculo de uma economia desumana, vemos estas lutas Judiciais onde a parte mais fraca é sempre da criança (A menina Russa, a Esmeralda, etc), vemos que as crianças são as primeiras a sofrer com as guerras, com a fome, com as diversas catástrofes naturais ou infligidas pelo homem.
Vemos ainda outro tipo de crianças, meninos moles, ocupados em múltiplas actividades pós escolares, dança, musica, inglês, desportos, num rodopio de horários que os deixa atordoados. Vemos os pais que compensam a falta de tempo, de atenção, de paciência, de carinho, com coisas, coisas, muitas coisas, computadores, playstation, game boys, brinquedos…

Meninos que nunca viram uma joaninha, um pássaro no ninho, que aprendem a distinguir-se dos outros pela carrinha do Colégio e a marca dos sapatos…
Eu não tirei um curso de mãe, nem tão pouco os meus meninos traziam livros de instruções, nasceram também com personalidades próprias, não são MEUS, fazem parte da minha vida, como já fizeram do meu corpo.

Tento equilibrar, entre aquilo que recordo de feliz na minha infância, com o mesmo cansada ter tempo para os ouvir, para precaver mais que a sua roupa, alimentação e abrigo, para os ver não como extensões de mim, apenas os plantei e eles crescem da sua forma própria.