
O céu está opaco em vez de diáfano e azul, dói-me qualquer coisa indistinta, uma parte qualquer de mim. Falta-me qualquer coisa que não consigo definir.
As evidências são as evidências, escapa-me aquilo que é evidente e vejo outras, numa espécie de cegueira clarividente.
Um bicharoco qualquer picou-me, o carro precisa de gasolina, a fruteira precisa de fruta, para não ter aquele ar inútil no meio da mesa, há pombos com ar de aves de rapina em fila nos beirais, com um ar imbecil e os olhos pequenitos a piscar, não gosto de pombos, gosto de rolas, pardais, melros, andorinhas, mas não gosto de pombos, há reuniões penduradas umas nas outras nos risquinhos da agenda e do relógio, alguém que telefona a pedir qualquer coisa, sem tão pouco se preocupar a perguntar se estou bem, o fecho daquelas calças estragou-se, a roupa para lavar e passar multiplica-se, uma senhora indigna-se porque deixou cair a carteira dentro da ilha ecológica, quando despejou o lixo, como tal os serviços funcionam mal, o volante está quente, um jogador de futebol anuncia que vai votar nas eleições de um clube, durante uns segundos tive a ilusão que estava a usar as honras noticiosas para apelar ao voto no Parlamento Europeu, mas não. As notícias seguem-se e o avião que caiu é explorado até exaustão, com famílias chorosas, pareceres técnicos, perguntas imbecis e a reportagem miraculosa do homem que tinha o passaporte caducado e como tal foi salvo!
Os Centros Comerciais cansam-me, baralham-me todos iguais, com as lojas iguais, repetidas até ao infinito, as zonas de refeições também repetidas até ao infinito com balões anacrónicos distribuídos ás crianças junto com uma maleta de cartão e um brinquedo de plástico, se calhar fabricado por outra criança, noutro local do mundo, que nunca ouviu falar de hambúrgueres.
Só penso em ser uma ave migratória voar atrás do verão, fazer um ninho com ervas frescas, alisar as penas e dormir a ouvir o mar.
As evidências são as evidências, escapa-me aquilo que é evidente e vejo outras, numa espécie de cegueira clarividente.
Um bicharoco qualquer picou-me, o carro precisa de gasolina, a fruteira precisa de fruta, para não ter aquele ar inútil no meio da mesa, há pombos com ar de aves de rapina em fila nos beirais, com um ar imbecil e os olhos pequenitos a piscar, não gosto de pombos, gosto de rolas, pardais, melros, andorinhas, mas não gosto de pombos, há reuniões penduradas umas nas outras nos risquinhos da agenda e do relógio, alguém que telefona a pedir qualquer coisa, sem tão pouco se preocupar a perguntar se estou bem, o fecho daquelas calças estragou-se, a roupa para lavar e passar multiplica-se, uma senhora indigna-se porque deixou cair a carteira dentro da ilha ecológica, quando despejou o lixo, como tal os serviços funcionam mal, o volante está quente, um jogador de futebol anuncia que vai votar nas eleições de um clube, durante uns segundos tive a ilusão que estava a usar as honras noticiosas para apelar ao voto no Parlamento Europeu, mas não. As notícias seguem-se e o avião que caiu é explorado até exaustão, com famílias chorosas, pareceres técnicos, perguntas imbecis e a reportagem miraculosa do homem que tinha o passaporte caducado e como tal foi salvo!
Os Centros Comerciais cansam-me, baralham-me todos iguais, com as lojas iguais, repetidas até ao infinito, as zonas de refeições também repetidas até ao infinito com balões anacrónicos distribuídos ás crianças junto com uma maleta de cartão e um brinquedo de plástico, se calhar fabricado por outra criança, noutro local do mundo, que nunca ouviu falar de hambúrgueres.
Só penso em ser uma ave migratória voar atrás do verão, fazer um ninho com ervas frescas, alisar as penas e dormir a ouvir o mar.
Comentários
uma espécie de cegueira clarividente;
o ar inútil da fruteira vazia no meio da mesa; reuniões penduradas umas nas outras nos risquinhos da agenda e do relógio.
Não garanto que estejam rigorosamente transcritas: escrevi-as de cor - mas são magníficas.
Um beijo.
Maravilhoso!
Mas não fujas, por favor.
beijo
kl
Abraço!
Uma lufada de ar fresco neste meu calor sofucante!
beijinhos
Lagartinha de Alhos Vedros
Beijo
Fugir um pouco de vez em quando, faz bem. Alivia a pressão da insanidade sociológica em que vivemos.
Essa pressão é a que nos faz morrer antes do tempo.
Por isso e sempre que puderes foge e foge para bem longe.
Basta apenas fechar os olhos e usa a tua inteligente imaginação para compor os quadros mentais dos locais de refúgio.
Apenas uns minutinhos...
Quando voltares os problemas lá estarão à tua espera, mas a forma de os encarar já será diferente, as discussões já poderão ser relativizadas e posiciona-mo-nos fortes e enquadrados com qualquer tipo de situação.
O domínio pode ser nosso, se o quisermos.
Beijos,
Zorze
Kl-Não fujo.
Salvo-Tu fazes o teu ninho junto a rio eu faço junto a mar, está bem? No fim de contas todos os rios naufragam no mar
Mugabe-é emotivo.
Maldonado-o cenário é o dia a dia, nada mais.Pelo menos é o meu dia a dia.
Lagartinha-Já fui util.
Diogo-Não sei alguns sim, ontem acho eu, dizia que na próxima vida quero ser um chita, com pintinhas, a correr solta na savana. Não gostava de ser uma galinha num aviário...
Zorze-E fujo de fez em quando, da minha forma. Com uma musica, outra coisa qualquer.
beijos
Gostei particularmente da razão para comprar fruta... :-)))
Voa, voa...
Abreijos.
Não para fazer o ninho à beira mar, mas na planície alentejana...
Se lhes tiver passado a curiosidade pelo mundo, o amor á vida e a vontade de transformar o mundo, acho que já estava cumprido o meu papel.
Samuel-Não há nada mais triste que uma coisa sem sentido! Uma fruteira vazia não faz sentido nenhum.
André-E não é mau as cegonhas também o fazem!
beijos