quinta-feira, 25 de junho de 2009

Memória olfactiva


As coisas boas cheiram bem!
O medo cheira a podre, a morte cheira a frio, a solidão cheira a bafio e sacristia.
A amizade cheira a pão fresco, limões, terra molhada.
Os encontros de amigos cheiram a cedro, alfazema, rosmaninho, tangerinas, figos maduros.
Os filhos cheiram a leite, a sonhos, a fruta a começar a amadurecer, ainda com toque floral.
A infância, a irmandade, cheira a bolos e biscoitos no forno, a ervilhas de cheiro, a travessuras, a canela e a compota.
O amor cheira a mar, a chocolate, a sândalo....

9 comentários:

Anónimo disse...

Aninha e o rosmaninho cheira a procissão e aos passeios pelos pinhais da minha terra.
Um abracinho

Lagartinha de Alhos Vedros

salvoconduto disse...

Venham de lá esses aromas tão bons, que o meu monitor deixa-os passar.

Abreijos.

Zorze disse...

Aninhas,

Sandalamente falando, estive num patamar mental-somático de soberba consciencial.
Aliás, tal como já habitualmente, vens fazendo.
Tocaste pontos de genialidade.

Beijos,
Zorze

Diogo disse...

E a que cheira o gatuno Sócrates? E o vigarista Teixeira dos Santos? E o vendido Mário Lino? Será o cheiro a podre suficientemente execrável para definir estes três? Ou será mais putrefacção?

Beijo

Maria disse...

Gosto tanto dos teus cheiros...

Beijos

Ana Camarra disse...

Lagartinha-Os pinhais são maravilhosos...

Salvo-está visto que o computador novo é muito bom.

Zorze-memória olfactiva.

Diogo-Estás a ver podre? esterco? esgotto? azedo? tudo junto? Ainda assim...

Maria-Ainda bem!

Beijos

samuel disse...

Ainda por cima, tendo deixado de fumar, o efeito deste texto é a dobrar...

Abreijo.

Fernando Samuel disse...

E há ainda, para mim, o cheiro único da casa onde nasci...

Um beijo.

alfa disse...

Porque a Primavera terminou e o Verão teve o seu início, e a natureza permanentemente renasce, recordo uns versos de Manuel António de Castro, poeta popular de Cuba:
Uma flor que murchou,
Outra mais que floriu,
Uma abelha que zumbiu,
Um veículo que passou,
Um insecto que saltou,
Um rebanho que se espanta,
O eco duma garganta,
Um apito, um som disperso,
Tudo diz o mesmo verso
Desde o insecto à planta.