
A verdade é que te vi, noutra pessoa que não eras tu, porque tu já não andas por cá.
Não era flagrantemente parecido contigo, nem a feição, nem os olhos, não eram os teus olhos de um verde intenso marítimo, nem era o teu sorriso, era assim um ar na forma de andar com um ombro á frente como fazias sempre, fruto talvez do teu tempo que era gasto em cima de pranchas.
Era a tua forma de andar, um gesto parecido com o teu, uma cadência.
Doeu-me ver-te assim de repente, noutra pessoa.
Lembrei-me que não penso em ti tantas vezes, só de vez em quando, quando penso em ti existe uma mistura estranha, uma saudade doce e amarga, mel com limão…
Fiquei assim parada a olhar até que a outra pessoa olhou para mim, deve ter sentido o peso do meu olhar, parou e sorriu.
Aquele sorriso retirou-me toda a dor, sorri de volta, segui o meu caminho, pareceu-me que eras tu que me sorrias, quase que esperei ouvir a tua voz “Então, Linda, que fazes á vida?”
Se me tivesses perguntado respondia-te que faço fintas todos os dias à vida, tantas como ela me faz a mim, que faço por viver todos os dias, não subsistir ou só existir, viver. Porque nunca sei quando a vida me vai excluir como te excluiu a ti da minha, como te excluiu a ti do mar, como te excluiu de repente das tuas mãos de artista que criavam formas diferentes e arrojadas.
Responderia ainda que tinha saudades tuas, que me fazes falta e que gostei de encontrar.
Não era flagrantemente parecido contigo, nem a feição, nem os olhos, não eram os teus olhos de um verde intenso marítimo, nem era o teu sorriso, era assim um ar na forma de andar com um ombro á frente como fazias sempre, fruto talvez do teu tempo que era gasto em cima de pranchas.
Era a tua forma de andar, um gesto parecido com o teu, uma cadência.
Doeu-me ver-te assim de repente, noutra pessoa.
Lembrei-me que não penso em ti tantas vezes, só de vez em quando, quando penso em ti existe uma mistura estranha, uma saudade doce e amarga, mel com limão…
Fiquei assim parada a olhar até que a outra pessoa olhou para mim, deve ter sentido o peso do meu olhar, parou e sorriu.
Aquele sorriso retirou-me toda a dor, sorri de volta, segui o meu caminho, pareceu-me que eras tu que me sorrias, quase que esperei ouvir a tua voz “Então, Linda, que fazes á vida?”
Se me tivesses perguntado respondia-te que faço fintas todos os dias à vida, tantas como ela me faz a mim, que faço por viver todos os dias, não subsistir ou só existir, viver. Porque nunca sei quando a vida me vai excluir como te excluiu a ti da minha, como te excluiu a ti do mar, como te excluiu de repente das tuas mãos de artista que criavam formas diferentes e arrojadas.
Responderia ainda que tinha saudades tuas, que me fazes falta e que gostei de encontrar.
Comentários
Não tenho a certeza que não sejas minha irmã... de sentimentos...
Consegues escrever o que eu engulo todos os dias. De uma forma doce e ternurenta. Enquanto eu faço mais um nó na garganta, que é exactamente o que sinto neste momento...
Beijo
um beijo.
um abracinho
Lagartinha de Alhos Vedros
Abreijos.
Beijo
Domo Arigato Gozamaishita
Como te passar uma realidade que tu vives, eu e os outros?
Não como convicção, não como consolo. Mas a realidade existencial sem os ritualismos e teatralidades de quem sente também que haja algo mais.
Os olhos serem a janela da alma, é uma figura literária muito bonita.
Mas a alma, podemos lhe chamar muitos nomes, não é algo simples. Pelo contrário é muito complexa.
Se a maior parte da Humanidade não "vê" a sua própria alma, como "vê" a dos outros? E logo pelos olhos! Será mais uma questão de expressões faciais que induzem a tal opinião.
É uma questão para te arregalar os olhos.
Quando recordamos alguém já noutra dimensão, noutra frequência energética, também vislumbramos a sua alma, o seu Ser, a maneira do Ser.
Mais, fazemos um evocattio instintivo. E por vezes essa consciência aparece.
Aqui já é complicar. Mas é assim...
Existem realidades que a maior parte das pessoas foge a sete pés. É um medo sub-consciente difícil de ultrapassar. Vidas após vidas. E mortes também.
Mas, lá está, só vendo...
Beijos,
Zorze
É bom ainda podermos ver nos outros aqueles que amamos... mesmo que seja assim, num sonho acordado.
Abreijos.
Doce e amargo ao mesmo tempo.
se és crescido
( e que é isso?!)
sei que traduziste um sentir que é meu também
e que o fizeste muito bem literariamente
que nada disto é importante
apenas sabermos que andamos
(todos)
a tentar VIVER
cada um seu modo
até que nos apartemos
que não mais cavalguemos aquela onda de sueste
(ou faremos nos olhos de um passante?!)
e fica-nos esse sabor de limão e mel...enquanto
Fernando Samuel-Obrigado.
Lagartinha-è assim.
Salvo-Ás vezes também te vejo!
Sagher-As pessoas só deixam de fazer parte da nossa vida quando assim o entendermos.
Diogo-às vezes não é culpa é só mesmo a falta, o buraco.
Sensei-Eu não consigo saciar-me da falta, mas por vezes estão vivos.
Zorze-Não consigo ainda juntar-me a essa tua “clarividência” (pode ser?) mas como digo acho que as pessoas só saem da nossa vida quando assim o entendemos.
Samuel-Sonho tanto acordada….
André-Obrigado.
Maria de Fátima-Sou muito menina ainda apesar de ter 42 anos. È mel com limão…
Beijos