sexta-feira, 26 de junho de 2009

Hoje berrei!


Há meses que acumulo coisas dentro de mim, porcarias, mágoas, palavras que não disse ou que me disseram e ficaram a ecoar dentro de mim, devia de lhes ter respondido à letra e não respondido com um sorriso e deixado o eco a bater-me cá dentro.
Devia ter dito que não, tantas vezes como as vezes que me ofereci para milhentas coisas.
Deixei tudo cá dentro, fermentou, como mosto, nas noites mal dormidas, na testa franzida, nas preocupações miudinhas, em apontamentos dispersos, numa vontade de gritar que ficava como um iô-iô presa na garganta, no caminho somavam-se distracções: o carro não travado, o dinheiro deixado no multibanco, coisas inusitadas guardadas no frigorifico, até hoje.Por um motivo estúpido, alguém que me apita porque o semáforo ficou verde, sem razão aparente correram lágrimas desbragadas, quatro a quatro, grossas, quase inesgotáveis, tive de parar o carro, deixar a torrente sair, molhei a blusa, fiquei com cara de palhaço, o nariz vermelho os olhos brilhantes, segui o dia para a frente, com a certeza que não vou nos próximos tempos fazer um reservatório

13 comentários:

samuel disse...

Esses reservatórios, além de não servirem para nada de verdadeiramente importante... são perigosos.

Abreijo.

salvoconduto disse...

E ao menos ficaste aliviada, deitaste tudo cá para fora?

Abreijos.

Diogo disse...

A tua prosa é sempre um belíssimo poema. Chora até que as lágrimas te façam sorrir. A vida tem coisas tão boas…

Beijo

mugabe disse...

Pois é Ana, pois é...! estás a ver agora porque disparato à grande com alguns idiotas da blogosfera ??

Abraço!

Maria disse...

Até eu fiquei aliviada, Ana... acho mesmo que desatei um nó...

Beijo

Fernando Samuel disse...

E o mais importante é, apesar de tudo, continuar, seguir em frente, sempre, sempre...

Um beijo.

Zorze disse...

Ana,

Berra quanto puderes, berra. Além de aliviar faz bem ao laringo-chakra.

Normalmente, é assim, quando se vai acumulando para dentro em silêncio, ocorre por vezes e de repente numa pequena situação despoletar uma descarga de tensão nervosa.
Chora à vontade, também faz bem, alivia e reajusta o equilíbrio psicossomático. Nem que seja por breves momentos.

Dizer asneiras de vez em quando também é bom e rir, rir muito é inevitavelmente fundamental.

Portanto, quando te chatearem a "marmita" manda-os de vez em quando para aquele lugar, sabe sempre bem.

Abraço,
Zorze

duarte disse...

com o macaco do automóvel tinhas resolvido a situação!
apitar ao c...
amiga :barafusta, protesta, e se fôr preciso distribui umas óstias.
abraço grande.

utopia das palavras disse...

Derramaste...o teu coração!

Adorei a poesia...dos teus olhos!

Beijo

Ana Camarra disse...

Samuel-Não servem mesmo

Salvo-Não, mas desconfio que se abriu a primeira comporta.

Diogo-Eu sei que a vida tem coisas muito boas, não posso é guardar assim estas.

Mugabe-Estou a ver, mas não consigo.

Maria-Eu acho que só comecei a desatar.

Fernando Samuel-O único caminho é para a frente.

Zorze-Admito que sim.

Duarte-Também não é caso para tanto...

Ausenda-Entornei, um bocadinho.

Beijos

PDuarte disse...

andas a precisar de uma História à geração 3G.
Ana deixa-me ter tempo e por ti ( e por mim também) em breve voltarei a escrever.

Ana Camarra disse...

PDuarte-Estou mesmo.

beijos

Ana Camarra disse...

PDuarte-Estou mesmo.

beijos