quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

PRONTO JÁ PASSOU O NATAL!


Andámos numa azáfama estes últimos dias, telefonamos a desejar Boas Festas, entupimos os sistemas de mensagens com as quais esforçamos a nossa criatividade, fizemos embrulhos á pressa para serem desembrulhados logo a seguir, fizemos visitas a amigos e parentes, fizemos esforços gastronómicos para manter as tradições, todas diferentes em cada casa. Passou o Natal numa vertigem de tempo. Alguns festejaram um nascimento noutro ponto do mundo, numa realidade diferente, outros festejam a família, a família que existe a que existirá e que já não existe fisicamente, mas existe viva nas nossas recordações e como tal está presente. Houve ainda o Natal de plástico dourado de quem fez desta época mais uma corrida desleal, do brinquedo, mais caro, do artigo de luxo…ainda existe outro Natal que nesta altura aparece, principalmente na televisão: os sem-abrigo, os abandonados e enjeitados, os que estão em guerra, os desalojados, os doentes, os da fome crónica, os outros todos.
Não sei sempre o que celebro, sem dúvida a família, e como no Conto de Charles Dickens com o passado, o presente e sempre, sempre o futuro. O nascimento de Jesus é para mim uma fábula de esperança, não acompanho o misticismo da coisa, mas como fábula é bonito e sensibiliza-me. O Natal de plástico dourado acaba sempre por nos tocar, queríamos sempre dar mais e melhor, tentando assim, estupidamente e de forma vã, expressar com objectos o carinho, a amizade e o respeito, como se tal fosse possível.
Agora preparamos o Ano Novo, vamos enviar mais mensagens, fazer mais visitas, entregar mais uns presentes, juntar outra vez amigos e família, preparar outra ceia.
Está a chegar um ano novinho em folha com todas as promessas de um recem nascido, esperamos sempre que vá ser melhor.Quando for meia noite, aqui por que no resto do mundo ou já estão em 2008 ou ainda se estão a preparar, vamos fazer brindes, formular desejos, abraçar e beijar os que nos rodeiam, no resto do dia ainda vamos andar a pairar com o mesmo espírito, depois tudo acalma, dia 2 de Janeiro temos encontro marcado com o dia-a-dia, os mesmos colegas, a conta bancária mais magra, o mês de Janeiro interminável, o frio, o buraco no passeio, a conta da luz, a cozinha que precisa de pintura. Não faz mal, precisamos destes balões de esperança carinho e doçura para continuar a caminhar para o resto, para pensar sempre para o ano vai ser melhor.
È CLARO QUE VAI!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Voltei !


Afinal não desapareci em combate, embora cada vez haja mais combates a fazer!
Eu sei que alguns tinham algumas esperanças que tivesse desistido, outros já me tinham perguntado: então?
Chegámos ao Natal, o tempo da esperança, da família, dos presentes, da boa vontade, etc.
TUDO MENTIRA!
Não consigo sentir nada disso, só sinto frio, no corpo e na alma, cruzo-me com rostos frios, tristes, carregados.
Por um lado o apelo ás compras por outro lado o desemprego, a inflação, as reformas miseráveis.
Por um lado o nascimento de uma criança, símbolo de esperança, numa manjedoura, recebido por reis e pastores, por outro lado os príncipes deste mundo a determinarem quais os meninos dignos de nascer em Maternidades quais os meninos dignos de nascerem numa ambulância, quais meninos que nascem com fome, quais os meninos que nascem em guerra.
Por um lado a Festa das crianças por outro lado o comprometer o futuro delas.
Por um lado o aeroporto, o futebol, as crises de Mourinho, os Tratados, a Cimeira, por outro a tristeza, a escuridão que não se ilumina com árvore de Natal da Loja dos Chineses.
Pronto, voltei e já tenho tido dias melhores.
Quero o cheiro do Natal da infância, quero acreditar que a pior coisa do mundo é o escuro ou não conseguir o cromo que falta a colecção, quero acordar com o alvoroço do pequeno presente na chaminé, lambuzar-me na calda das filhozes, ir apanhar musgo para o presépio, reconfortar-me com as luzes da árvore de Natal, acreditar que todos meninos recebem prenda, do pai Natal ou do Menino Jesus, porque a vida custa todos e entre os dois chegam a todo lado.
Quero ver as minhas tias a dobrar o papel de fantasia por que é muito lindo e serve outra vez…
Queria ver o olhar feliz do meu pai a dar-nos os brinquedos que lhe foram negados na infância, queria o cheiro pão fresco da minha avó, quero a brincadeira sem fim do dia 25 de Dezembro, quero a excitação do almoço em família mesmo que seja preciso tirar portas para nos sentamos todos à mesma mesa, quero ir ao circo no Coliseu e ver aquela rapariga linda com ar de princesa aos pulo num cavalo branco, acreditar na magia do ilusionista….e os vizinhos que batiam à porta para trocar um amável prato de doces, na televisão, no único canal de televisão, transmitiam sempre o “Música no Coração”, nós assistíamos como se fosse a única vez, a minha mãe e avó de avental, ir para casa no dia 24 ás cinco da tarde, quando começa a anoitecer, pela mão do meu pai e saber que tudo ia fechar: o sapateiro, a mercearia, a papelaria e tudo ia para casa começar um noite magica.
Quero uma luz diferente, não é preciso ser a maior da Europa, só é preciso que me aqueça a alma…

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Há coisas Fantásticas não há?

Sou cliente TVCabo, não tenho o pacote Funtastic Life mas tenho o pacote com os canais de filmes, já foram Telecines, Lusomundos e agora são TVCine.
Quando eram Premium, Gallery, Action e Happy estavam divididos em categorias: Premium filmes recentes, Gallery filmes mais antigos, Action filmes de acção e Happy filmes de comédia, tinham ainda a funcionalidade de voltar um hora atrás em cada filme ou seja se apanhava um filme mais ou menos a meio voltava uma hora atrás e lá via o filme em condições.
Era uma das funcionalidades da powerbox, que também tem como funcionalidade, embora não publicitada, bloquear de cinco em cinco minutos, o bloqueio consiste numa pequena mensagem a dizer que o canal é pago à parte, mesmo que seja a RTP2, em bloquear a imagem e continuar e som ou vice versa.
Agora mudaram de imagem, mais um mudastea, ficaram baptizados de TVCine, e não percebo muito bem qual é a vantagem, nenhum agora é especifico, nem filmes mais recentes, mais antigos, mais para rir, mais para chorar, mais de terror, mais de socos e bombas e murros nas trombas, agora são todos de menos, é assim: no sábado à noite, dia 3 de Novembro, em pleno horário nobre, entre as 21h30 e as 22h00, o filme mais recente que estava a ser transmitido era “Um Sogro do Pior”, filme do ano 2000, à parte disso dava um filme com o Stewart Granger (de 1960) e um filme chinês de transantontem com o Bruce Lee ainda imberbe, nenhum filme tinha a opção de regredir uma hora, podia eu querer ver as primeiras borbulhas do Bruce Lee outra vez.
Resumindo e concluindo o serviço existe na mesma com menos escolha e menos funcionalidades, nem sequer com a garantia de haver um canal no conjunto de quatro que garanta filmes mais recentes, tipo dos últimos dois anos. É verdade que vai passar o “Babel”, o “Código da Vinci”, entre outros, mas também é verdade que quando aderi ao serviço tinha percepção que ficava a pagar mais pelo serviço mas tinha um leque de filmes recentes, provavelmente nem todos da minha preferência mas que se lixe, à minha disposição. Agora tenho cinco canais de Hollywood, ou seja filmes mais ou menos bons, com um grande lote de repetições e filmes com mais de quarenta anos de realizadores que não ficaram para a história, actores desconhecidos e temas tão interessantes como o de uma família que se perde no Deserto do Arizona e é perseguida por um grupo de canibais mutantes…

HÀ COISAS FUNTÀSTICAS NÃO HÀ?!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Porreiro, pá!


Foi o comentário de José Sócrates para José Durão Barroso face à assinatura do novo acordo assinado ontem no Parque das Nações em Lisboa.
De Zé para Zé, congratularam-se com o feito, a essa hora mais de duzentos mil Zés e Marias chegavam a casa depois de várias horas de caminho, vieram de todo o lado: das ilhas, da Guarda, Coimbra, Alentejo, Porto, de toda a Margem Sul. Chegaram cansados, doridos e roucos, marcharam durante quatro horas, apelando ao bom senso dos Zés. Sabem que cada vez tem menos dinheiro, menos emprego, menos saúde, menos educação. Sabem que este modelo de país não é o modelo Europeu que lhes foi vendido nos últimos vinte anos, sabem que no resto da Europa mesmo com problemas vários vivem melhor. Sabem que lhes pedem sempre sacrifícios, cada vez maiores, sabem que o futuro dos seus filhos está comprometido, sabem que as reformas serão miragens, sabem que alguém mata Abril todos os dias com um pouco mais de veneno e com argumentos de democracia, liberalismo e dialogo.
Com papas e bolos se enganam os tolos Zés, mas os outros Zés e as Marias estão fartos, fartos da vossa arrogância Zés, fartos do vosso autismo Zés, fartos de vocês…
Zés, porreiro porreiro era começarem a OUVIR, porreiro mesmo muito porreiro era começarem a VER. Ainda vais a tempo Zé e tu também Zé e já agora nós também.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Levanta-te contra a pobreza

Vi num telejornal a reportagem sobre a iniciativa de 17 de Outubro designada “Levanta-te contra a pobreza”, o cenário era a Cidade Universitária, onde algumas dezenas, ou talvez centenas de jovens se deitavam com uma espécie de lençóis colectivos e sincronizadamente levantavam-se contra a pobreza.
Confesso a minha estupidez mas não vejo o impacto da iniciativa, como é que se repercute mundialmente ou nacionalmente tão pouco.
De qualquer das formas entrevistaram alguns jovens presentes e inquiriram sobre se já alguma vez tinham feito algo para combater a pobreza, um jovem respondeu que sim, no outro dia tinha dado cinquenta cêntimos a um pedinte……
Fiquei triste! Onde raio é que o puto acha que cinquenta cêntimos ou mesmo cinquenta euros dados a um excluído social resolvem seja lá o que for? Que raio de geração é esta que não consegue concluir que enquanto não for alterada a estrutura social não se chega a lugar nenhum?
Eu cá por mim vou aderir a uma iniciativa de combate à pobreza – MANIFESTAÇÃO NACIONAL HOJE 18 DE OUTUBRO OLIVAIS-PARQUE DAS NAÇÕES.
LEVANTA-TE TU TAMBÉM!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

As bicas, a Organização Mundial de Saúde e a Geração Mudastea


De facto quando vamos de férias para qualquer outro país uma das grandes chatices é não encontrarmos bicas, só em Itália, de facto só encontramos um mísero café de saco e chegamos a delirar com um Nescafé.
Cheguei à conclusão que a Organização Mundial de Saúde anda a descurar um problema grave dos Portugueses: as bicas ou para o pessoal do Porto os cimbalinos.
Cheguei a esta conclusão através das declarações dos nossos governantes, passo a explicar:
Á coisa de um mês veio a publico a notícia do aumento do preço dos livros escolares, o nosso primeiro-ministro em toda a sua sabedoria resumiu o problema assim: “São menos duas ou três bicas por mês”
Uma destas noites discutia-se o aumento do preço do fornecimento de energia eléctrica o Senhor Director não sei do quê equacionou rapidamente o problema “São menos uma bica ou duas por dia ”
Já há algum tempo atrás quando se discutia o preço das taxas de internamento hospitalares o assunto também veio à baila, os preços aplicados eram cerca de x bicas.

Confesso que é preocupante este consumo excessivo de café por parte dos Portugueses, também é louvável esta acção de refreio do consumo de café por parte dos nossos governantes, obrigadinho por se esforçarem tanto mas também já me parece excesso de zelo. Pelas minhas contas, como estou na eminência de ser operada, tenho luz lá em casa (por enquanto) e já levei com a dolorosa dos livros e material escolar, acho que em termos de bicas posso beber meia bica aos dias pares dos próximos seis anos bissextos.

Mudando de consumo as campanhas publicitárias valem o que valem, conseguem por vezes popularizar expressões ou personagens, enriquecer o léxico, mas agora existe uma campanha não só que espelha muito do que se tem passado na politica nacional, mas continua a fazer efeitos, é a campanha do novo chá fresco, vulgo Ice Tea, que demonstra como as pessoas podem melhorar a sua vida profissional ou a aparência mudando de chá. De facto o que se tem vindo a assistir é uma camada de intervenientes na política que mudam de partido, melhoram substancialmente de vida com um tachinhos à maneira, no fim escrevem livros sobre esse processo de crisálida que os transformou de lagarta anónima a borboleta espectacular com direito a parangonas de jornal, conferências de imprensa e o regime de “arrependidos”.
De facto a Organização Mundial de Saúde devia debruçar-se melhor sobre estas particularidades nacionais, criando eventualmente um Alto-comissário da ONU ou uma Comissão especial da União Europeia para o efeito, assim como assim deve de existir um politico português quase a reformar-se e é claro a precisar de um tachinho….

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O TEMPO


O tempo, a falta dele e as sobras do mesmo
Não tenho tempo!
È uma frase corriqueira, comum. No entanto todos os dias tem vinte e quatro horas, todas as semanas sete dias, os meses já não são de fiar variam um pouco entre os vinte e oito e os trinta e um dias, embora muitas vezes parecem que tem mais, muito mais, cinquenta ou mais dias. Já com as horas sucede o mesmo berbicacho, há horas que passam a correr e a saltar tipo “O quê já são sete e meia coisa e tal ?!”
Einstein explicou tudo muito bem explicado como é que uma hora de namoro parece um segundo e como um segundo da pele em contacto com a chama parece uma hora. No entanto tenho dias em que todo a raciocínio do mundo não me chega para perceber o que fiz com o tempo: o que perdi com pessoas que não mereciam; o que poupei ao arrumar as mesquinhices do dia a dia e não lhes dar nem um minuto da minha atenção; o que ganhei ao cultivar amizades eternas; o que guardei só para mim; o que se multiplica até à eternidade no amor repartido por quem é ou foi querido; o que investi no amor dos meus filhos; o que achei num livro, numa musica, num filme, que me marcou e enriqueceu.
Há muitas espécies de tempo entre o bem passado, que dá frutos grandes e sumarentos, e o perdido que ganha mofo num esconso.
Afinal tenho imenso tempo… até tenho tempo para estes pequenos desabafos…

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Futebol é outra coisa





Lá em casa nunca fomos adeptos do desporto rei, o meu pai nunca demonstrou preferência por nenhum clube, nunca o vi correr para ver um jogo na televisão, nem nunca o vi colado ao rádio ou com aquela espécie de material altamente sofisticado que eram os rádios portáteis da minha infância (com uma capinha de napa, uma tripinha branca com um auricular que se colocava dentro do ouvido e antena extensível com dois metros). Nos familiares mais próximos também nunca detectei nenhuma forma futebulite. Por isso, ou não, também arranjei como parceiro um homem que não liga nada ao assunto. Como tal fico verdadeiramente fascinada com a loucura que envolve bastantes pessoas quando o assunto é futebol.
Não sei o nome da maioria dos jogadores e treinadores, portugueses ou estrangeiros, salvo honrosas excepções incontornáveis, regra geral não sei quem joga onde ou quem treina quem.
Por isso mesmo não fixei o nome do senhor, que suponho, seja treinador de um grande clube, que a respeito de um importante campeonato disse o seguinte “Nem sempre é a melhor equipa que vence o jogo, a maior parte das vezes é derrotada”.
Isto foi há poucos dias no telejornal (estava a preparar o jantar). Pasmei…Então como é que é? O campo é igual para as duas equipas, são onze jogadores de cada lado (essa informação sei), as balizas são iguais, as bolas calibradas e verificadas por qualquer organismo impoluto e certificado. Pensava eu, mas vai na volta estou enganada, deve de existir ainda outra componente que eu desconheço. A arbitragem? O Público influenciável por qualquer campanha de marketing?
De facto pensando melhor afinal o senhor em muita razão, senão vejamos: as glórias desportivas do país são obtidas em desportos como o Judo ou o Atletismo. É só recordarmos o orgulho nas maratonas Olímpicas da Rosa Mota ou do Carlos Lopes, a medalha do Nuno Delgado e também já agora os títulos de vela, tiro, remo, ah e a miúda, a Vanessa que papa títulos como quem esfrega um olho. No entanto nunca vi um investimento brutal de equipamentos para essas práticas desportivas com paralelo aos estádios construídos de propósito para o Euro 2004. Aliás a história dos nossos campeões é sempre muito parecida: depois do trabalho ou da escola com apoio da família ou de amigos lá corriam em qualquer estrada nacional, à chuva e ao vento, com calçado comprado do seu bolso nos saldos das lojas desportivas; também existem os que vão a expensas próprias para qualquer país estrangeiro para treinar a modalidade eleita em condições, porque cá não existem equipamentos, depois lá vão representar Portugal, orgulhosamente em qualquer Olimpíada. Pois é.
Afinal o tal senhor tem muita razão afinal quem ganha milhões, estádios, equipamentos, isenções de impostos, parte dos jogos da Santa Casa, destaques na Comunicação Social são mesmo os senhores do Futebol, mesmo sem trazerem nenhuns títulos para glória nacional.
Os outros que corriam na estrada sozinhos, os que vão praticar Judo para o estrangeiro, os que remam em barquinho próprio, até podem de ser os que ganham medalhas, mas na prática ficamos todos a perder com o negócio. De facto que a equipa que ganha é mesmo a dos outros sem titulo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007



Vou no vapor da madrugada


A minha estrada vai prò Sul


Dá-me um abraço d´encantar


Volto para o fundo dum olhar


Meiga paixão ao Sol do Estio


Rubra papoila fugidia


Encontro certo no trigal


Nada me prende, vou-me embora


Vou prò Sul...



(Vitorino, Sul)





É mentira não vou de vapor, mas é verdade vou para o Sul.


Á volta cá vos espero

SEM RASTO...








?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????Pior que a dor da morte da morte deve ser a do desconhecimento.
Todos Diferentes ou Todos Iguais?

O Rui Pedro era quase um adolescente, era de certo modo autónomo, desapareceu de uma forma misteriosa do local onde vivia, onde conhecia toda a gente e toda a gente o conhecia. È patente desde a primeira hora a angustia, o empenho daquela família, daquela mãe, ficaram reduzidos á sombra de si mesmos. As autoridades não se equiparam com cães estrangeiros, postos fronteiriços ou afins. Sem rasto…

Joana era uma menina, não devia de ser autónoma, mas era, por ela e pelos outros, afinal parece que era o pilar familiar. Desapareceu toda a gente a conhecia… Toda a gente a acarinhava menos quem devia. As autoridades não ligaram muito importância a todos os sinais prévios. Sem rasto…


Maddie é uma menina, assim pequenina com um ar doce e ar de quem ainda está a conhecer os cantos do mundo. Desapareceu de um aldeamento de luxo, onde os pais a deixaram sozinha com dois irmãos mais novos, a dormir, numa cama que não era a sua, num quarto que não era o seu, num país que não era o seu , onde não compreendia a língua, onde quase ninguém a conhecia.

Vieram policias de muitos lados, investigadores, os país falam á imprensa, pedem ajuda papal. Agora a grande dúvida.
SEM RASTO…

terça-feira, 31 de julho de 2007

Astro Rei








Chegou o Verão...


Chegou com atrazo...


Mas chegou...ufa...


De Verão é tudo melhor: as noites, os dias, os cheiros, as frutas, a conversa, a musiquinha, os amores...


Já tinha saudades...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Um dia como uma folha de caderno...






Hoje apetecia um dia como uma folha de caderno de escola em primeiro dia de aulas. Assim uma folha limpinha, sem dobras nem vincos, com aquele cheiro bom do papel novo.


Não tive esse dia assim...


Tive um dia amarrotado, com os cantinhos dobrados e os vincos do que já tinha sido e riscado nos dias anteriores.


Acho que amanhã vou ter o dia novo e se não for amanhã, mesmo amanhã, vai ser noutro amanhã qualquer.


Vou também ter outras coisas: um amigo que me telefona porque sim, sem pedir favores, sem pedir números de telefone, apoio moral ou outra coisa qualquer só porque sim. E vou também ver um pôr ou um nascer do sol, sozinha, calada a ver as gaivotas sobre o Tejo no lodo da maré baixa (e o lodo parece prata), ou Lisboa muito nítida muito limpa sem barulho, muito perto, a pairar sobre o Tejo em maré cheia...E vou olhar para os moinhos como quando tinha 6 anos e inventávamos habitantes e enredos como se os moinhos se transformassem em castelos...


Até amanhã...



segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Harry Potter, o Telejornal e as Casas de Alterne de Bragança













Confesso que sou fã, este novo imaginário é engraçado. Engraçado porque lemos o livro e vemos o filme num escapa o outro! Vou explicar li "Harry Potter e Ordem de Fénix" e gostei, pronto é assim uma coisinha como o melhoral não faz bem nem mal e é um bom substituto para o Júlio Verne ou o Emilio Salgari, mais actual e em vez de alta tecnologia tem BRUXARIA.( o que para algumas pessoas é o mesmo)



Entretanto vi o filme e assustei-me! Mais que tudo o filme fala de OPRESSÃO e da capacidade que os opressores (os profissionais que levam a coisa muito a sério) nos retirarem pouco a pouco os direitos e liberdades. Sempre com o argumento que é para o nosso bem... Neste filme (porque a visualização é fundamental neste caso) a opressora veste rosa, tem aquele ar de senhora que faz lembrar a Dª Manuela Eanes e a Mª de Belem, fala sempre com um tom de voz muito pedagógico e em nome de uma boa educação inflige torturas odiosas (para além da quebra de liberdades). Esta personagem está ao nivel de qualquer vilão, mas dos verdadeiros...



Por um destes dias assisti a várias noticias nos nossos telejornais, uma que me espantou foi a reportagem do Canal 1 sobre a grande quebra sofrida pelos comerciantes de Bragança (taxistas, engomadorias, cabeleireiros e boutiques) com o fecho das casas de alterne da zona. Este fecho é consequencia do processo judicial que teve inicio com o protesto das "Mães de Bragança". Agora os comerciantes da zona declaram uma quebra de 30% do volume de negócio, ao lado em Espanha (para onde as meninas se transferiram) o comércio local regojiza com o aumento do volume de negócios acham as chicas mui ricas e mui guapas. Os clientes parece que são os mesmos.



Em conclusão no Telejornal da TVI passava a noticia que vão existir computadores de fartura para o os alunos portugueses e aparecia escrito "OBJETILO do Ministério da Educação um computador para cada dois alunos."



Confesso fiquei parva e o meu espirito confundido...


Será que a Ministra da Educação ainda vai aparecer no Harry Potter ligada ao terrivel Voldemort e enquanto não aparece nos livros e filmes anda cá a treinar com os muggles?


Será que Portugal vai requerer um Fundo Comunitário para Bragança para compensar esta deslocalização tão gravosa para o comércio local?



Será que na TVI exigem mais do que soletrar e assinar o nome para a redação das noticias?


Será que estou mesmo a precisar de férias ?



quarta-feira, 11 de julho de 2007


Donas de Casa desesperadas

A série de ficção americana "Donas de Casa Desesperadas" retrata o dia a dia de quatro mulheres num subúrbio dos Estudos Unidos da América, com especial incidência para os desaires amorosos das ditas.
A série é um sucesso, particularmente por ser ficção…
As donas de casa da série não apresentam problemas financeiros, vivem em casas lindas, tem bons carros e os subúrbios são zonas de qualidade de vida com baixa criminalidade onde se pode criar uma família deixando as crianças brincar na rua ou ficando em casa do vizinho.
Comparando com a o crescente desespero das nossas donas de casa nacionais a caso pois que muda de figura:
Não sendo o deserto apregoado pelos nossos governantes, os subúrbios caracterizam-se: pela falta de acessibilidades, pela tortura das filas de transito, pelo atravessar do Rio, pela falta de investimento nacional nas zonas onde residem uma grande parte da população. Também não podemos aspirar viver um pouco mais para o interior, porque obviamente não existem condições para criar uma família quando a juntar ao crescente desemprego se junta o fecho de maternidades, Centros de Saúde e Escolas.

O dia a dia da comum das portuguesas é desesperante porque mesmo as conseguem constituir família arrastam consigo essa situação como se de um crime se tratasse: mesmo que consigam um emprego, mesmo consigam ter um filho e gozar a licença de maternidade sem ser despedida com a capa de qualquer outra "flexibilidade empresarial", irão arrastar-se no calvário de tentar arranjar cresce, ama ou afim para o pequeno rebento, angustiar-se com as fraldas com IVA a 21%, aplicar-se no malabarismo orçamental para adquirir livros e materiais para um "Ensino Gratuito e Obrigatório", temer qualquer exame em que os rebentos sejam postos á prova acalentado sempre a esperança "Deus queira que calhe ao miúdo um exame sem erros", depois quando tudo isso for superado angustiar-se mais uma vez com o ingresso na vida profissional dos filhos, tão difícil que é quase com os prémios da Lotaria Popular.
No final do dia as donas de casa portuguesas estão ainda desesperadas com a sobra de mês no final do salário, com o aumento do custo do petróleo (que arrasta sempre consigo o preço das carcaças, das alfaces e dos bifes), com a improbabilidade de ser talvez um dia reformada e se o chegar ser pensar como é que vai fazer face a tudo com a pensão que é cada vez mais diminuída com as medidas de "justiça social" que emanam quase diariamente do poder central.
As donas de casa portuguesas tem um ar muito menos glamoroso que as a série, também pudera…

Megaregabofe

No início deste verão, entre o fazer o jantar e tentar acompanhar o resumo diário do dia dos meus filhos vi/ouvi a mini entrevista com o Sr. Dinamarquês de nome impossível de pronunciar, que foi pomposamente apresentado com o pai da flexisegurança.
O Sr. explicou sucintamente que o modelo não pode ser aplicado precipitadamente, que levará anos até ser implementado, deverá ser constantemente adaptado á realidade portuguesa, que somos países muito parecidos (Dinamarca e Portugal), que o modelo deverá ser aplicado pelos empresários de forma criteriosa….
Ora aí é que a porca torce o rabo!
O Portugal é um país pequeno, como a Dinamarca, com um gigante ao lado, como a Dinamarca, com o mar do outro lado, como a Dinamarca, mas acaba aí…
Em Portugal os fundos de coesão de estrutura, de desenvolvimento, e não sei que mais atribuídos pela Comunidade Europeia são há cerca de duas décadas desperdiçados em barcos de luxo, carros de luxo, casas de luxo, férias de luxo pelos empresários Portugueses com a complacência de sucessivos governos.
Por outro lado esses mesmos Governos distribuem esses Fundos não pelas Regiões, Autarquias ou Projectos necessários ou merecedores mas por clientelas de amigos, compadres, familiares, lobbys, etc…
Mais, os nossos governantes conseguem, neste afã de ajudar quem os ajuda, de pelo caminho destruir a agricultura, as pescas, o sistema de ensino, a segurança social, os serviços públicos, e tudo mais que nós por vezes não conseguimos imaginar.
Em países como a Irlanda e a Grécia, de dimensão, passado e economia semelhante á Portuguesa no seu ponto de partida, estes fundos ou subsídios, serviram para transformar a economia e desenvolver os países, criando postos de trabalho, mão de obra qualificada, desenvolver a agricultura, o turismo, a industria, enfim criar bem estar e qualidade de vida para a maioria dos seus cidadãos. Curiosamente não realizaram Exposições Mundiais, Campeonatos Europeus de Futebol e Quilómetros de Auto-estrada, também não se mostram muito preocupados com a criação de linhas de comboio de alta velocidade ou com a criação de novos aeroportos de raiz.
É de recear que este novo conceito de relação de trabalho seja aplicado como tudo o resto – á portuguesa – prevendo-se seja mais uma forma de despedir por dá cá aquela palha, por retirar (ainda mais) direitos aos trabalhadores, que seja enfim mais uma forma de delapidar o povo português.
A Flexisegurança pode ser um sucesso na Dinamarca onde as semelhanças com Portugal são pura coincidência, poderemos sempre adaptar o modelo talvez baptizando-o de Flexinsegurança ou em Português com um avanço tecnológico Megaregabofe…

O simplex


O simplex é um sistema que visa facilitar o acesso do cidadão ao estado em todas as suas vertentes.
Muito bem!
Do simplex constam medidas tão bonitas, práticas e tecnológicas como adquirir o selo do carro, um imposto especial de corrida para os portugueses que já são sobre taxados quando adquirem uma viatura, pela Internet. Esta medida revela-se num grande avanço para alguns, numa grande chatice para outros e também no crescimento da economia paralela para outros. Passo explicar, a mim até me dá jeito, para o todos os que não acedem á Internet e até acham que isso é coisa de ficção cientifica tudo isto se converte em pagar mais 5 euros para além do valor do selo, em agências de documentação ou a particulares para terem colocado o dístico no vidro do carro.
O simplex também equaciona outras medidas todas elas traduzíveis num grande desgaste para o cidadão, por exemplo quem passa a fazer parte do rol dos desempregados, situação comum em qualquer família portuguesa, vai ao Centro de Emprego da área entregar a documentação e pronto. Aparentemente tudo só que nos Centros de Emprego não foi dada a formação necessária para esse serviço, nem se aumentaram os efectivos, passou-se só a fazer mais esse serviço, mas amiúde não muito bem feito, não por incompetência ou desleixo de quem lá trabalha, mas só porque não se sabe o suficiente para se o fazer. Depois começa a peregrinação, no nosso caso para a Segurança Social de Setúbal, onde também abrangidos pelo simplex se aguarda cerca de quatro horas para esclarecer uma situação que podia ter sido evitada.
Depois quando se é um desempregado oficial fica-se com a estranha sensação de ser um pouco criminoso dado que quinzenalmente o desempregado deve de se apresentar num local pré estabelecido e fazer prova que se procurou activamente emprego?!
Está mesmo a ver, depois de enviar umas dezenas de candidaturas o desempregado pedir ao senhor dos correios um recibo dos selos, fotocopiar quiçá os anúncios e os envelopes, para apresentar. Ou então sempre que vai á bendita da entrevista levar uma caderneta e pedir por amor de Deus para lhe colocarem o carimbozinho em como lá esteve, ou melhor fazer uma reportagem em vídeo do acontecimento e enviar por mail ou colocá-la no you tube?!
Mais, não consta do simplex mas sim do novo sistema governamental de combate ao funcionário público, as medidas que visam simultaneamente reduzir o número de funcionários do estado e pô-los a trabalhar até morrerem de modo não se pagar mais reformas, dessas medidas resultam coisas tão deprimentes como o caso do Professor de Braga que foi considerado apto para as suas funções mesmo com um cancro na garganta e impedido de falar. O Professor acabou por morrer três meses depois da Junta médica que o considerou apto. No mínimo chocante.
Também salta aos olhos os casos de perseguição de funcionários públicos que ousaram criticar o governo, na figura do primeiro-ministro ou de um qualquer ministro. Despedimentos, sanções., etc. Faz lembrar um bocadinho o Regime do Grande Português Oliveira Salazar…
È esta politica de quem visa a aproximação do Estado e dos seus Governantes da População.
Vade Retro