quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Voltei !


Afinal não desapareci em combate, embora cada vez haja mais combates a fazer!
Eu sei que alguns tinham algumas esperanças que tivesse desistido, outros já me tinham perguntado: então?
Chegámos ao Natal, o tempo da esperança, da família, dos presentes, da boa vontade, etc.
TUDO MENTIRA!
Não consigo sentir nada disso, só sinto frio, no corpo e na alma, cruzo-me com rostos frios, tristes, carregados.
Por um lado o apelo ás compras por outro lado o desemprego, a inflação, as reformas miseráveis.
Por um lado o nascimento de uma criança, símbolo de esperança, numa manjedoura, recebido por reis e pastores, por outro lado os príncipes deste mundo a determinarem quais os meninos dignos de nascer em Maternidades quais os meninos dignos de nascerem numa ambulância, quais meninos que nascem com fome, quais os meninos que nascem em guerra.
Por um lado a Festa das crianças por outro lado o comprometer o futuro delas.
Por um lado o aeroporto, o futebol, as crises de Mourinho, os Tratados, a Cimeira, por outro a tristeza, a escuridão que não se ilumina com árvore de Natal da Loja dos Chineses.
Pronto, voltei e já tenho tido dias melhores.
Quero o cheiro do Natal da infância, quero acreditar que a pior coisa do mundo é o escuro ou não conseguir o cromo que falta a colecção, quero acordar com o alvoroço do pequeno presente na chaminé, lambuzar-me na calda das filhozes, ir apanhar musgo para o presépio, reconfortar-me com as luzes da árvore de Natal, acreditar que todos meninos recebem prenda, do pai Natal ou do Menino Jesus, porque a vida custa todos e entre os dois chegam a todo lado.
Quero ver as minhas tias a dobrar o papel de fantasia por que é muito lindo e serve outra vez…
Queria ver o olhar feliz do meu pai a dar-nos os brinquedos que lhe foram negados na infância, queria o cheiro pão fresco da minha avó, quero a brincadeira sem fim do dia 25 de Dezembro, quero a excitação do almoço em família mesmo que seja preciso tirar portas para nos sentamos todos à mesma mesa, quero ir ao circo no Coliseu e ver aquela rapariga linda com ar de princesa aos pulo num cavalo branco, acreditar na magia do ilusionista….e os vizinhos que batiam à porta para trocar um amável prato de doces, na televisão, no único canal de televisão, transmitiam sempre o “Música no Coração”, nós assistíamos como se fosse a única vez, a minha mãe e avó de avental, ir para casa no dia 24 ás cinco da tarde, quando começa a anoitecer, pela mão do meu pai e saber que tudo ia fechar: o sapateiro, a mercearia, a papelaria e tudo ia para casa começar um noite magica.
Quero uma luz diferente, não é preciso ser a maior da Europa, só é preciso que me aqueça a alma…

1 comentário:

SENSEI disse...

Bons tempos foram esses, ainda bem que os aproveitastes, esses já ninguém tos tira!..

Hoje acredito que ainda exista em algumas famílias esse espírito, assim como a boa vontade nos corações dos seres simples que somos ou pelo menos deveríamos ser todos, reflectindo a pureza de um desejo de felicidade através de um sorriso.

Boas Festas