quarta-feira, 11 de julho de 2007


Megaregabofe

No início deste verão, entre o fazer o jantar e tentar acompanhar o resumo diário do dia dos meus filhos vi/ouvi a mini entrevista com o Sr. Dinamarquês de nome impossível de pronunciar, que foi pomposamente apresentado com o pai da flexisegurança.
O Sr. explicou sucintamente que o modelo não pode ser aplicado precipitadamente, que levará anos até ser implementado, deverá ser constantemente adaptado á realidade portuguesa, que somos países muito parecidos (Dinamarca e Portugal), que o modelo deverá ser aplicado pelos empresários de forma criteriosa….
Ora aí é que a porca torce o rabo!
O Portugal é um país pequeno, como a Dinamarca, com um gigante ao lado, como a Dinamarca, com o mar do outro lado, como a Dinamarca, mas acaba aí…
Em Portugal os fundos de coesão de estrutura, de desenvolvimento, e não sei que mais atribuídos pela Comunidade Europeia são há cerca de duas décadas desperdiçados em barcos de luxo, carros de luxo, casas de luxo, férias de luxo pelos empresários Portugueses com a complacência de sucessivos governos.
Por outro lado esses mesmos Governos distribuem esses Fundos não pelas Regiões, Autarquias ou Projectos necessários ou merecedores mas por clientelas de amigos, compadres, familiares, lobbys, etc…
Mais, os nossos governantes conseguem, neste afã de ajudar quem os ajuda, de pelo caminho destruir a agricultura, as pescas, o sistema de ensino, a segurança social, os serviços públicos, e tudo mais que nós por vezes não conseguimos imaginar.
Em países como a Irlanda e a Grécia, de dimensão, passado e economia semelhante á Portuguesa no seu ponto de partida, estes fundos ou subsídios, serviram para transformar a economia e desenvolver os países, criando postos de trabalho, mão de obra qualificada, desenvolver a agricultura, o turismo, a industria, enfim criar bem estar e qualidade de vida para a maioria dos seus cidadãos. Curiosamente não realizaram Exposições Mundiais, Campeonatos Europeus de Futebol e Quilómetros de Auto-estrada, também não se mostram muito preocupados com a criação de linhas de comboio de alta velocidade ou com a criação de novos aeroportos de raiz.
É de recear que este novo conceito de relação de trabalho seja aplicado como tudo o resto – á portuguesa – prevendo-se seja mais uma forma de despedir por dá cá aquela palha, por retirar (ainda mais) direitos aos trabalhadores, que seja enfim mais uma forma de delapidar o povo português.
A Flexisegurança pode ser um sucesso na Dinamarca onde as semelhanças com Portugal são pura coincidência, poderemos sempre adaptar o modelo talvez baptizando-o de Flexinsegurança ou em Português com um avanço tecnológico Megaregabofe…

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