terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sentidos III A Audição



Este é fantástico, como os outros.
Quando parimos, é mesmo assim parir, só esperamos ouvir aquele vagido de vida, aquele primeiro choro, o único que esperamos com ansiedade, o único que não nos provoca inquietação ao contrário de todos os outros.
E conseguimos, nós as mães, distinguir aquele choro específico no meio de todos os outros.
O som é uma arma, já sabemos, do bem e do mal.
O som transporta as palavras, as boas e más.
Transporta confissões, carinhos, alegrias e mentiras também.
O som também engana.

Existem sons particularmente queridos para mim: o mar (sempre e sempre o mar), a água aliás de uma forma em geral, um regato que canta, o riso cristalino…
Depois a música claro, imprescindível, quando descobri que podia pôr música no blogue apossou-me de mim um frenesim.
A música é fundamental, a música transporta todas as sensações, diz todas as verdades, canta com a nossa alma, com o nosso íntimo.
Estou sempre a fazer bandas sonoras e achar que determinadas musicas encaixam bem em diferentes situações ou em diferentes pessoas.
A música também nos une ou separa.
É um catalizador.

Depois a voz, outro instrumento poderoso do som, também já aqui o escrevi, há vozes que nos aquietam, outras que nos inquietam, há vozes sussurrantes, vozes possantes, vozes cristalinas…vozes irritantes, vozes maliciosas.
Há tons de voz ainda e maneiras de a usar, que bastam por si só.
Há ainda o som potente do silêncio
.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sentidos II A Visão



Este não é menos importante.
Os olhos são o espelho do mundo.
Também são o espelho da alma.
Tenho uns olhos grandes, com alguma falta de vista que compenso com óculos ou com duas pequenas lentes gelatinosas colocadas diariamente nas órbitas.
Mas assim vejo tudo!
Quando conheço uma pessoa procuro olhar nos olhos, há olhos francos, olhos que falam e sozinhos dizem tudo, olhos mesquinhos, olhos evasivos, olhos brincalhões.
O olhar proporciona prazer quase ilimitado:
Quadros, pinturas, fotografia, filmes, flores, objectos de arte que nos confortam, que nos aguçam, que nos fazem crescer.



Também é com os olhos que lemos e assim podemos fazer tantas viagens fantásticas sem sair do mesmo sítio.
Os cegos lêem de outra forma, mas lá chegaremos.



Olhar o outro nos olhos é um desafio e simultaneamente um reconhecimento, uma leitura, quantas vezes não preciso de mais nada para determinar a minha empatia.
Há olhos inteligentes por detrás de lentes grossas ou cercados por múltiplas rugas, olhos lindos.
Tudo o que vemos, seja em viagens, seja um quadro, um sorriso, uma flor desabrochada, um sorriso, fica a fazer parte de nós da nossa essência.



Há olhos aparentemente lindos, mas vazios de alma.
Ver um campo florido, ver o mar de transparência e segredos, ver o sol nascer e morrer, falsamente eu sei, numa explosão cores.
Ver a miséria, a dor também.
Ver, ver, ver….
Ver o mundo à nossa volta e dentro de nós próprios.
Procurar sempre um horizonte que não termine.


(a música já é outra!)

domingo, 28 de setembro de 2008

Sentidos I - O olfacto

Pronto vou inaugurar uma série de textos sobre os sentidos.
Não porque não encontre outro assunto, infelizmente assuntos de indignação, de gozo, de incredulidade há e ao pontapé.
Apenas porque este espaço é meu, como meu tenho necessidade, por vezes, de usar a escrita como um exorcismo, do dia a dia, embora ela também o reflicta.

O dia a dia já é cheio de questões importantes, reuniões, decisões, preocupações, também muitas.
Eu sei que há coisas extra sensoriais, mas os sentidos são uma forma importante de absorvermos o mundo, cada sentido é único e imprescindível, só por si vale pouco, menos do que aliado com os outros, como tanta coisa nesta vida.
Começo com o olfacto por nenhuma razão especial.
O olfacto é uma coisa fantástica, os cheiros fazem parte da nossa memória, já escrevi sobre isso, sobre a memória olfactiva que guardo das pessoas e da viagem instantânea que fazemos com um cheiro.
O cheiro de um bebé é delicioso é o cheiro de uma vida nova!
No campo gastronómico (lá vem ela com a comida, já devem de pensar que sou uma glutona) o cheiro é um potente motor de arranque.
A hortelã, o limão e os coentros cheiram a fresco, o chocolate a quente, as especiarias provocam diversas sensações do bem-estar à inquietude só com o seu cheiro, não é à toa que estão nos perfumes…
Os perfumes também se misturam com a nossa pele para ganhar um cambiante único não interessando a quantidade de vezes que é vendido no seu frasquinho.
O nosso cheiro no corpo do outro depois de fazermos amor ou o cheiro do outro guardado na nossa pele é uma coisa sensual.

Eu cá cheiro a fruta antes de a comprar, tenho que cheirar, é uma mania se não tiver cheiro não presta, cheiro o pão também para encontrar aquele toque ázimo que faz do pão um prazer.
A velhice e a morte também têm um cheiro característico, triste.
E há cheiros tristes, o cheiro de mofo, o cheiro da naftalina, da cânfora, são tristes e solitários impõem-se sobre os outros mas não nos dão conforto.


A maldade também tem um cheiro especial...
Gosto de cheiros de madeiras e citrinos, acho que combinam comigo, tem o calor e a frescura necessária.
Gosto de cheiros marítimos.
Gosto do cheiro de um dia a começar.

(a playlist fica na mesma a da minha avó)

Uma estrela cadente!



Já falei aqui de muitos aspectos da minha vida.
De pessoas que me marcaram, faltam muitos, mas falta uma estrutural, a minha avó materna.
A minha avó materna não estava presente no meu nascimento, penso que dos seis netos que teve fui a excepção, a primeira rapariga e ela não estava cá, estava em Angra do Heroísmo, recuperando a vontade de viver após a viuvez.
No entanto de todos os netos, foi a que mais conviveu com ela numa relação, assima de tudo de cumplicidades.
Não conheci outra avó, a outra a que teria direito, com quem me acham parecida, morreu exausta com 26 anos depois de cinco partos em seis anos de casamento…
O meu avô, quando me mostrava as fotos que guardava consigo para provar que aquele tinha sido o seu grande amor e me mostrava aos amigos dizendo “Digam lá se não é tal e qual?”, justificava aquela morte prematura e aquela frequência de partos, que deixou o meu pai órfão com dois anos, com o amor louco que lhe dedicava….Hoje ocorrem-me outras coisas, mas não interessa.
A única avó que conheci começou a trabalhar cedo, não pode ir à escola, as necessidades assim o ditaram.

O pai, um pouco boémio, musico nas horas vagas (tinha uma orquestra de cordas que fazia serenatas), morreu muito jovem, desempregado, devido ás suas ideias anarco sindicalistas.
A minha avó foi trabalhar para uma casa de gente ilustre, em troca de comer e de roupa usada. Lá fazia de tudo, desde esfregar soalhos, a carregar litros de água em baldes, ficou cega de uma vista com a pancada da bomba de puxar água.
Em casa tinha a sua enorme cota de tarefas, quase as mesmas que tinha no seu trabalho.
Poderá rotular-se de uma vida triste?!
Nem por sombras, a minha avó cantava todo o dia, assobiava maravilhosamente, e era um foco de alegria.
Curiosa e inteligente acabou por aprender a ler quase sozinha.
Casou com um homem grave e sério, quase triste, que ficou fascinado com aquela alegria.
Há uma foto linda, os dois num piquenique em Sintra, ela tem uma boina, penteado à garçonne um vestido à época, e um sorriso travesso, ele tem um olhar embevecido.
Guardo as cartas de namoro dos dois, com um formalismo quase hilariante visto agora, mas recheadas de erros da minha avó e palavras ocultas de ternura do meu avô.
Casaram contra a vontade da família dele, passaram a residir na casa da matriarca, pessoa seca, cheia de formalismos, que os proibiu de se beijarem à frente das outras pessoas e avisou que assim que estivesse iminente a vinda de uma criança não os queria lá em casa.
A minha avó passou a noite de núpcias paredes-meias com tal sogra, não podendo dar um suspiro mais profundo…
A vida continuou, uma vida de trabalho e privações, onde tiveram como farol a educação das três filhas, que para a época e estrato social, tiveram uma educação muito elevada.
Adoravam Ópera, a minha avó continuou a sua vida a cantar, a ajudar as vizinhas a parir, a fabricar comeres divinais com as suas mãos, a tratar de um marido precocemente envelhecido que morreu muito cedo.

Diferente do habitual, recebia em casa todos os colegas de Liceu das filhas, fazendo cafeteiras de café e fornadas de biscoitos para as suas tertúlias. Ouvia de falar de Satre e James Dean e assim ia alargando os horizontes pelos quais era sôfrega.
Diferente de todas avós acampou na Árrabida sozinha com os seis netos numas férias mágicas onde era proibido proibir, liberdade total e à noite parecia uma lata de sardinhas, os seis, desde o adolescente de 16 anos à mais nova com 7, todos em fila encostados e a avó na ponta.
Circunstâncias diversas colocaram-me a viver só com ela numa tenra infância, guardo os fados que cantava ou a Madame Buterfly assobiada, os biscoito, os manjares, o facto de eu pequenina lhe fazer a ela ditados e corrigi-los depois porque a minha avó queria aprender, sempre.
Acho que foi a maior dadiva que me deu.
Falava abertamente de tudo, até de sexualidade, ouvia os meus discos, garantia as minhas saídas nocturnas na adolescência.
Estava bem em todas as situações, tinha amigos de todas as idades, conseguia criar um rasto de amizades, consideração e respeito por onde passava.
O seu funeral foi sem duvida o retrato disso, centenas de pessoas choravam-na, pessoas de todas as cores, de todas as idades, de todos os extractos sociais, até de diferentes nacionalidades.
Ensinou-me a viver o Natal com alegria, mesmo que a nossa oferenda aos outros fosse só e apenas meia dúzia de filhoses feitas com muito carinho.

A minha avó morreu guardando sempre dentro dela aquela menina alegre.
A minha avó que me ensinou a procurar sempre a face positiva das coisas, que também acreditava que o mundo pudesse ser melhor para toda a gente.
É assim que a guardo também!


(nota todas as músicas desta playlist podiam ter sido escolhidas por ela, incluindo Queen)

sábado, 27 de setembro de 2008

Cumplicidades




Muitas vezes acho que a parte maior do amor, dos vários amores aliás, do amor simples e directo pelo outro, nosso contrário e igual em simultâneo, do amor entre pais e filhos, entre outros familiares e entre amigos, porque sim, a amizade é uma forma de amor, não sobrevive sem cumplicidades…
Cumplicidades várias, aquela asneira partilhada na infância, aquele sussurro só nosso aflorado ao ouvido, aquele dia em nos ensinaram a nadar ou a dançar a valsa, aquele concerto que se viu juntos e emocionados, aquele momento mágico em que se reconhece no amigo uma parte de nós também…
Por isso amiúde vem aquela frase dos “Lembras-te…” entre amigos recentes as coisas pautam-se de outra forma, reconhecem-se gostos comuns para assim encher a nossa bolsa de cumplicidades…
A frase “Eu também!” abre quase de imediato um sorriso cúmplice.
È a essa faculdade fantástica de criar laços emocionais claro, intelectuais obvio, que eu chamo cumplicidade.
É também dessas cumplicidades que tento, também, encher os meus dias!
E sabe tão bem!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Choque Técnologico


Não resisti!
Uma das minhas amigas louras, as duas com um sentido de humor refinado diga-se de passagem, mandou-me esta imagem irresistível.
De facto numa época em que o estrangulamento financeiro dos Portugueses atinge níveis gritantes e em simultâneo para valorizar a acção governativa apregoa-se o choque tecnológico, esta imagem fala por si.
Deve ser, mais ou menos para isto que caminhamos.
Sem abrigo, porque as taxas de Juro ameaçam quebrar todas as barreiras, pelo que a perca de habitação começa a ser uma ameaça muito real; sem emprego, porque o desemprego atinge igualmente uma posição, digamos, olímpica; a comer dos caixotes, talvez, porque os próprios caixotes irão ter cada vez menos sobras; embrulhados em jornais desportivos e revistas do coração; será este o futuro nacional?!
Sinceramente estou farta de ouvir os anúncios fantásticos do e-escola, sabendo a realidade da educação hoje, da falta de equipamento, do vazio que se instala nos Programas educativos, da desmotivação, normal de quem vê o seu trabalho tão pouco dignificado, do custo brutal dos manuais escolares…resta-nos o e-escola e o Magalhães, os dois indexados a um negócio pouco claro com a Intel e com as operadoras de rede móvel.
Ontem, um amigo, lá me deu conta que a filha de 7 anos lhe mói a cabeça que quer um Magalhães
Penso que o próximo passo será uma campanha igual para reformados pensionistas e idosos, que assim poderão monitorizar via internet o dia em que lhe depositam a pensão na conta e fazer uma folhinha de exccel parar gerir os seus dois euros e meio diários….

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Valores?!





A sociedade de consumo tem vindo a esvaziar-nos de valores.
O que será isso dos valores?
A mim ensinaram-me meia dúzia de coisas em pequenina, não são mandamentos divinos, são princípios básicos:
Não se prejudicam os outros deliberadamente.
O dinheiro que se ganha é por meios lícitos.
Gasta-se o que se tem e nada mais que isso.
Assumimos os nossos compromissos, horas, empréstimos, pagamentos, etc.
A nossa palavra vale por si só.
No entanto ultimamente as coisas descambam à nossa volta, por todo lado vemos outro tipo de vivência.
O poder vigente dá o exemplo máximo, esquemas estranhos, prevaricadores que são recompensados em vez de serem penalizados, o apelo ao consumo é brutal, o apelo ao crédito acompanha…
È valorizado muito o parecer e não o ser!
Ser é relativo.
Importante é parecer que temos, importante é mudar de carro, ostentar roupa de marca, mudar para o telemóvel ultima geração, manter-se dentro dos cânones da moda!
E pronto.

Por vezes tudo isso é alimentado de forma artificial, créditos atropelados, mal parados, pouco pagos.
A expansão do chamado Jet Set com figuras que não tem nada de realce, tirando acrescentar consoantes ao apelido, ostentar em vez do nome um diminutivo e falar da vida de iguais a si próprios.
Mituxas, Bibbás, Mayas e Cinhas, aparecem amiúde na Tv, em concursos, programas talk shows, porquê não faço a mínima ideia!
Somos intoxicados com historietas de cordel, sobre a sua vida sexual, sobre os amores e desamores, tudo combinado com viagens paradisíacas e festas de glamour…
Será isto real?
Será isto o dia a dia do português comum, as festas, as férias em Pipa, a neve em Espanha para o Sky, a viagem á EuroDisney….
Será isto compatível com o pais onde se contam tostões para pagar a luz, onde se soube o preço do combustível entre cada abastecimento, onde existem já um milhão de desempregados, onde a maioria não tem capacidade para ir a dentista uma vez por trimestre ou mudar de óculos….
Será?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Lar Amargo, o endividamento familiar.





Uma amiga fez-me o favor de me enviar um estudo datado de dia 20 de Setembro de 2008, onde o Economista Eugénio Rosa faz um retrato das famílias endividadas com o Crédito a Habitação.
Caracteriza a crise financeira, iniciada nos EUA e as suas repercussões financeiras, a crise de emprego, no crescimento económico, em vários países, incluindo Portugal, resultado de uma globalização totalmente desregulada, segundo o economista selvagem mesmo.
Admite ainda que o nosso país caminha a olhos vistos para uma recessão económica que só os governantes recusam a ver e em tomar medidas para atenuar os seus efeitos com consequências cada vez mais dramáticas para as famílias portuguesas.
Assim o número das famílias portuguesas com empréstimos á habitação era em Julho de este ano de 1.808.096, ou seja quase 50% do total das famílias portuguesas, sendo que entre Dezembro de 2004 e Junho de 2008 o número de famílias endividadas aumentou 24,6% e o valor da divida cresceu em mais de 48%.

Isto assim em números é impressionante, não é?
Metade das famílias portuguesas, é obra!
Caracteriza as prestações em si e a relação amortização/juro e conclui: por cada cinco euros pagos na prestação apenas um euro e quarenta e quatro se destina à amortização, os restantes três euros e cinquenta e seis cêntimos, são juros…
Assim o número médio de anos necessários para pagar o empréstimo á habitação passou de 31 anos para 45 anos, ou seja mais do que a vida activa da maioria dos Portugueses (ou talvez não que ainda se pode reformular o Código do Trabalho para nos poder por a idade da Reforma aos 120…)
Mais engraçado é que o Instituto Nacional de Estatística recusa-se a incorporar os encargos com a habitação no índice de preços que publica mensalmente, justificando que se trata da aquisição de um “activo”.

Se este índice fosse complementado com este valor a inflação seria muito superior á oficial…
Depois continua, mostrando o evidente, que o aumento de juros está a contribuir para o estrangulamento financeiro das famílias, em Portugal, que é urgente a tomada de medidas para impedir que a situação atinja níveis insustentáveis.
Explica ainda as manigâncias dos spreads, explica que actualizando o valor de uma divida em 18,3%, de Janeiro de 2005 a Julho de 2008, aumenta-se 75,3% os Juros Totais pagos e o empréstimo aumenta de 31 anos para 45 anos.
A caracterização continua com quadros comparativos, comparações várias e apelos a medidas urgentes.
O senhor é economista, explica com números, explica com números o que os Portugueses carregam na alma-Isto está mal muito mal.
A inflação não é a que nos dizem, se fosse já era má, a crise não é igual para todos.
O desespero cresce como um nevoeiro.

Portanto é preciso que isto mude, não é?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Saúde em Portugal ou o Elogio da Loucura...





O Dr. Ricardo Jorge inicia em 1899 a organização dos "Serviços de Saúde e Beneficência Pública que, regulamentada em 1901, entra em vigor em 1903. A prestação de cuidados de saúde era então de índole privada, cabendo ao Estado apenas a assistência aos pobres.
Pouco se alterou durante o Estado Novo, com a Lei n.º 2011, de 2 de Abril de 1946, estabelece a organização dos serviços prestadores de cuidados de saúde então existentes: Hospitais das Misericórdias, Estatais, Serviços Médico-Sociais, de Saúde Pública e Privados
Só em 1971, com a reforma do sistema de saúde e assistência (conhecida como “a reforma de Gonçalves Ferreira”), surge o primeiro esboço de um Serviço Nacional de Saúde (SNS). São explicitados princípios, como sejam o reconhecimento do direito à saúde de todos os portugueses, cabendo ao Estado assegurar esse direito, através de uma política unitária de saúde da responsabilidade do Ministério da Saúde; a integração de todas as actividades de saúde e assistência, com vista a tirar melhor rendimento dos recursos utilizados, e ainda a noção de planeamento central e de descentralização na execução, dinamizando-se os serviços locais.
Anos-luz do resto da Europa ainda.
Com o 25 de Abril de 1974, com a criação da nova Constituição da Republica os Serviços de Saúde passam a Universais.

O Conceito é simples, todos suportamos o Estado e o Estado suporta um Serviço Nacional de Saúde, igualitário, que pressupõe a igualdade de tratamento.
Daí para cá muito se alterou, para além da criação de taxas moderadoras, para além do incentivo a regimes de saúde privados, para além da Constituição revista ter passado a incluir “serviços de saúde, tendencialmente gratuitos”, para além do esvaziamento de meios humanos e técnicos, de valências, de meios financeiros e da reconversão de Serviços Públicos em EPE’s e tudo o que isso acarreta.
A proliferação de Hospitais Privados, o permitir consultórios privados em instalações públicas, o regime de tarefeiros para médicos e enfermeiros levado ao extremo, as 36 horas de seguida de serviço, quando se lida com pessoas, pessoas, seres humanos, não sei se estão a ver?
Por fim o maior ataque foi encabeçado recentemente, Com nome, á que dize-lo, Correia de Campos, ministro da saúde no XIV e XVII Governos Constitucionais, Especialista em economia da saúde, cuidados de saúde a idosos, política de saúde e equidade, segurança social e administração pública, sendo, nestas áreas único autor de 5 livros e editor de outros três e autor de cerca de cem artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras.
A Especialidade deu-lhe para aplicar sistemas de triagem, confusos e inoperantes, estabelecer mais taxas moderadoras, a de internamento por exemplo, (e eu que o diga que fui internada para cirurgia que não se concretizou porque o Bloco estava assoberbado, paguei a estadia e voltei segunda vez para levar a facada e pagar outra vez), e acima de tudo encerrar e extinguir serviços…
Os exemplos são mediáticos e conhecidos, acompanhados de manifestações espontâneas populares, fecharam-se SAP’s, Hospitais, Serviços de Urgência, Maternidades Centros de Saúde.
O número de partos em ambulâncias ou de bebés portugueses a nascer em Espanha disparou, mortos por falta de assistência, as confusões com o INEM, etc.…
Agora depois do Governo remodelado e da sua substituição, apesar de ter sido sempre dito aos Portugueses que esta linha politica tinha como objectivo o melhoramento dos serviços de saúde para todos os portugueses, o ex-ministro revela-se sem pejos publicando um livro onde assume que tudo isto se trata de uma estratégia planeada para a Privatização global dos Serviços de Saúde.
Confesso que isso me passou pela cabeça, diariamente, sempre que era anunciada mais uma medida no sector.
Então o modelo que procuramos é o de quem quer saúde paga-a?
Será?
Será que um simples tomador de seguro de saúde poderá ter garantida a sua assistência se iniciar por exemplo um tratamento oncológico?
E um doente crónico? Um asmático, um diabético um hipertenso?
Como será?
E um trabalhador eventual, uma mãe solteira, um reformado com menos de quatrocentos euros por mês, o que fará?
Irá socorrer-se de um Serviço Nacional de Saúde para indigentes, como o instalado em 1903?
Ficam mais perguntas do que respostas…
Apenas sabemos agora que o estado assume cada vez mais um papel de cobrador de impostos, que servem cada vez para menos.
Não servem para a Educação, nem para a saúde, nem para a segurança, nem para o investimento, não é?
Eu não é isto que quero e tu?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Outono, as gripes e os marmelos...





Pronto começou oficialmente o Outono!
Há três anos vivia um Outono mágico nas florestas do Canadá onde as árvores gritavam todas as cores, do vermelho ao amarelo, numa despedida eterna do Verão.

Um Outono Agridoce como é próprio dos Outonos…

Hoje, talvez porque comece o Outono balanço entre uma indisposição alimentar e uma gripe, o que começou como um transtorno gástrico, talvez provocado por um alimento, afinal revela-se um ataque de arrepios de frio, suores e dores no corpo.

Ainda aguentei mais de metade do dia a trabalhar e a beber canecas de chá até que encostei ás boxes...
Vim para casa dorida, enrosquei-me com uma manta, e fiquei naquele estado semi vegetativo.
Através da televisão ligada vou dando conta que o endividamento das famílias é preocupante, que o crédito ao consumo disparou (terá algo a ver com o inicio do ano escolar?), que houve uma ameaça de bomba, que as primeiras chuvas provocaram de imediato inundações…
Nada de novo.

Fecho e abro os olhos, sinto-me como se tivesse sido mastigada, levanto-me emborco o primeiro alimento do dia, um pouco de marmelo cozido, com açúcar amarelo e pau de canela, marmelos biológicos do quintal dos meus tios que sendo um fruto de Outono guardaram dentro de si o sol de um verão inteiro, na sua textura granulosa.

Acho que me sinto um pouco melhor!

domingo, 21 de setembro de 2008

A Memória das Tabernas


Quando eu era miúda, o Barreiro estava cheio de tabernas, como as outras localidades.
As tabernas eram uma instituição, para além do habitual consumidor do copo de três, penalti ou bagaço, vendia-se vinho avulso, aguardente, para preparos culinários, para acompanhar as refeições.
Qualquer miúdo entrava na taberna, de garrafa na mão para aviar meio litro de vinho para o jantar ou um quarto de vinho branco para temperar a carne.
As tabernas eram locais de convívio, depois do trabalho, ou entre reformados que batiam umas cartas ou umas peças de dominó durante tardes inteiras.
As tabernas tinham balcões de mármore e pipas embutidas nas paredes, mesas e bancos corridos ou mesas quadradas de tampo de mármore e pequenos bancos.
Algumas tinham ainda gabinetes reservados, onde se podia estar com mais privacidade, com cortinas de chita floridas.
Nalgumas juntavam se grupos de fadistas amadores e cantavam à desgarrada.
As pessoas juntavam-se ainda para ouvir rádio ou comentar o jornal.
Vendiam-se ainda nas tabernas algumas especialidades gastronómicas, conforme a origem do taberneiro, quando este ia “à terra” lá vinha com os enchidos, queijos, azeitonas, tudo tradicional que vendia.
Algumas forneciam almoços, que se comiam num quintal com parreiras e gatos preguiçosos, ou petiscos.
Era normal ver um tabuleiro de esmalte, cheio de sal, com ovos cozidos lá colocados.
Um frasco com biscoitos caseiros, chupas ou outras guloseimas para nós.
Bolachas “Belinhas” avulso, línguas de gato e beijinhos. Lembram-se?
Algumas vendiam ainda fruta, lâminas para a barba, fósforos e outras coisas.
Quase todas as tabernas tinham um papagaio à porta, cinzento de nome Jacob e de língua afiada.
Lembro-me particularmente do Jacob da “Arruda dos Vinhos”, Travessa Luís de Camões, ali virado para o Jardim dos Franceses, que imitava um cão a ganir sempre que descia um carro na travessa, provocando o pânico nos condutores que saiam para investigar debaixo do veiculo, ou do Jacob da Vinícola na Rua Aguiar que distinguia um certo individuo, marreco, tratando aos gritos como tal e não o fazendo a mais ninguém…
No Largo das Obras era o “Lagarto”, que ostentava um lagarto empalhado na parede, todas as noites lá eu ia pela mão do meu pai, ele bebia o café eu olhava fascinada o bicharoco na parede enquanto debicava a guloseima do dia.
Um tio meu tinha em Palhais uma Taberna/Mercearia que primava pela originalidade, não pelo estabelecimento estar divido em dois, com duas portas distintas, com as suas fitinhas penduradas e uma porta de ligação onde ele transitava para atender a clientela. A originalidade constituía em ter um coelho à solta pelo estabelecimento, coelho que bebia o vinho que pingava da pipa para a malga de barro, e depois esticava-se na soleira ao sol a dormir, levantando-se vagarosamente para beber mais um pouco…
O coelho que para mim era sempre o mesmo (era o que eu acreditava) era enorme e morria de velho.

Já quase que não há tabernas!



Acredite Quem Quizer!



O secretário-geral do PS disse, este sábado, num comício do partido em Guimarães, que a «esquerda do passado, imobilista e conservadora, nada tem a oferecer ao país», a propósito das críticas ao novo Código do Trabalho. (TSF)


O Secretário-geral do Partido Socialista é simultaneamente o Primeiro-ministro, até aí já nós sabíamos!
Face ás criticas ao novo Código do Trabalho, diz esta pérola sobre a esquerda do passado…a esquerda do passado!
A única força de esquerda que me lembro que tem “passado” é o Partido Comunista Português, um passado com 87 anos, como tal o recado também é para mim.

Eu não me considero nem imobilista (seja lá o que isso for, suponho que será qualquer coisa que não se mexe) nem tão pouco conservadora.
Não considero que um Partido que defende uma sociedade mais justa e igualitária seja conservador.
(aproveito já para dizer que os comunistas não pretendem roubar as galinhas ou os carros a ninguém, não comemos criancinhas e temos muito respeito pelos idosos).

Mas posso considerar várias coisas sobre a expressão que José Sócrates usa para se classificar a si, ao seu partido, ao seu governo com o slogan “Força de Mudança!”.

De facto tem sido uma força de mudanças várias: mudou o calculo das pensões, mudou o valor do IVA, mudou o código do trabalho, tem vindo a mudar a Educação e a Saúde, para pior, mas mudou, o Código Penal também mudou, permite que um individuo que atinge outro dentro de uma esquadra, com quatro tiros seja alvo da medida de termo de identidade e residência, permitiu a mudança na taxa de juros, mudou o número de desempregados em Portugal, penso que os exemplos de mudança podiam continuar…

Num recado à direita, José Sócrates repetiu que o executivo socialista pôs «as contas públicas em ordem», uma área onde a «direita fracassou».

Pois de facto a direita não foi tão longe!
Quando Bagão Félix apresentou o seu Código Laboral, o mesmo Partido Socialista fez a seguinte declaração de voto:

"Conflitua, aberta e frontalmente com a lógica e as normas da Lei fundamental. Aquilo que verdadeiramente está em causa, não são, apenas, as opções normativas neste ou naquele regime laboral. O que verdadeiramente está em causa, é a filosofia e a alteração estrutural das leis laborais que a Proposta de Lei encerra: o reforço dos poderes do empregador, o enfraquecimento da dimensão colectiva, o acentuar da dependência do trabalhador, visão que, tendo em conta a matriz constitucional do direito e a concepção que perfilhamos dos direitos dos trabalhadores, não podemos compreender nem aceitar".

E tinham razão!

E os portugueses acreditaram que o PS ia defender esta posição, ia tomar medidas porque considerava vergonhoso o nivél salarial da Função Publica, o valor médio das pensões, o preço dos medicamentos, o desemprego, tanto que prometeu a criação de cento e cinquenta mil postos de trabalho….Os Portugueses acreditaram.
Eu não acreditei!
Acredito que de facto este governo tem feito coisas que a direita, assumida como tal, nunca se atreveu de forma tão afoita, tão desbragada, tão arrogante, tão autista.

Portanto estamos a um ano, mais coisa menos coisa de eleições legislativas, a Força de Mudança irá continuar agora na fase de amaciador ultra, repondo umas coisitas que retirou nestes três anos, não todas as que tirou que é para a malta não se habituar mal.
Irá assim fazer querer que se ganhar a próxima legislatura todas estas amarguras serão ultrapassadas,

Acredite quem quiser!
Eu não acredito!

sábado, 20 de setembro de 2008

Carpe Diem



Quando fiz 40 anos o meu cara-metade ofereceu um telemóvel todo pipocas.
Eu confesso que dos telemóveis espero o mesmo que dos carros e dos computadores e dos electrodomésticos em geral-Que funcionem para o fim a que se destinam.
Se me perguntam a capacidade do meu processador ou a cilindrada do carro, faço o ar de estúpida nº 4 e pronto não sei.
È claro que uma batedeira avariada pode servir de martelo, um carro morto de capoeira, mas eu quero mesmo é que funcionem comme il faut!
No telemóvel vinha gravada por ele uma mensagem inicial que dizia “Bom Dia quarentona!”
Eu até o percebo, finalmente apanhei-o na faixa etária antes dele sair de lá, mas não gostei da mensagem.
Depois chatices várias a começar pela saúde atiraram com essas questões para o lugar devido, deixaram de ter importância.
Por muitos motivos passou a ser renovada uma certa urgência em viver.
Então a mensagem foi modificada para Carpe Diem!
Vive o dia! Grosso Modo.
E é isso que tento fazer, não deixo de trabalhar, de ser interveniente e eternamente inconformada, de fazer de mãe/psicóloga/gestora/mulher a dias/cozinheira, de trabalhar, mas passei a respirar mais fundo e a olhar para as pequeninas coisas da vida, que afinal são grandes.
Tem dias que não é nada fácil.

Mas depois é registar as coisas boas:
Os abraços e as gargalhadas dos amigos, os momentos de descontracção, o prazer de olhar o mar e entrar dentro dele, o voo de um pássaro, uma flor que cresce e explode em cor e beleza, ler sossegada, tirar um bocadinho só para mim, uma carícia, ver as árvores a crescer, uma conversa séria, o prazer de ver nuvens brancas num céu azul a flutuar devagarinho, mudando de forma, olhar para uma pedra antiga e pensar quantos é que lá passaram e o que a pedra viu.
O sonhar com o futuro, um futuro mais solarengo acima de tudo!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Filhos e Cadilhos, Panelas e fundilhos....


Ontem um amigo em apuros técnico/informáticos mandou-me um mail pedindo-me apoio, zangado chamava a atenção para o facto de que eu já estava em casa aquela hora porque tinha passado pelo trabalho e eu já não estava.
Eram 19h40!
Pois claro já estava em casa.
Já tinha saído do trabalho, tinha ido á Livraria buscar os Livros escolares encomendados, tinha somado mentalmente essa verba á da revisão do carro, que tinha sido no mesmo dia.
O Livreiro, amigo de infância diz-me duas coisas “Paga-me em cheque ou dinheiro, porque senão tenho de pagar comissão bancária e isto está muito mau” e ainda “Ainda faltam alguns!”
Fui ao multibanco levantar dinheiro, á minha frente uma mulher atrapalha-se para carregar telemóvel, insiste engana-se, por fim dou-lhe algumas instruções, quando se conclui a operação o Cubo Zé diz o seguinte: “O seu saldo não lhe permite realizar a operação!”.
Foi impossível não ver, a mulher faz um olhar envergonhado, eu também!
Eram quinze euros!
Pago os livros, levo-os para casa, mais a mochila onde carrego o computador portátil, o caderno das reuniões, um mini necessaire para as eventualidades, o almoço…
Chego e vou para a cozinha, bato furiosamente um bolo, raspo cenouras, pico alhos…
A essa hora o meu amigo procurava-me on line, sendo que devia ter o jantar feito por outra mulher como eu…como tal chegou a casa e sentou-se no computador!
Depois vem o meu filho e repara “Mãe isto traz a Relíquia!”
Respondo “Sim, acho que é leitura obrigatória vem com o Livro de estudo!”
Não mãe, eu tenho de ler é o Frei Luís de Sousa
Resmungo um impropério!
Pois vem um livro diferente já acoplado ao livro de estudo, que custa um dinheirão, traz um livro que já tinha em casa e obrigam-me a ir comprar outro!
Não que ache que os livros são demais, longe disso!
Mas já tenho a Relíquia, não tenho o Frei Luís de Sousa, porque á época calhou-me o Eurico, o Presbítero!
Que raio de negócios são feitos com os editores de livros escolares!
Acham que são baratos os livros escolares?
Lá se acaba o jantar, lá vou ao computador, lá vejo os apelos…
É sexta-feira outra vez!
(esta imagem chama-se o Dificil malabarismo de ser mulher!)

Comer, Beber, Homem, Mulher


Eu sei que é um título de um filme…
Mas podia ser título para montes de coisas.
Comer para além de uma necessidade é um prazer e beber também.
E as relações entre homens e mulheres são muito parecidas com o comer, não é primeira vez que falo nisso:
O primeiro sentido a ser espicaçado será sem duvida a visão, olha-se avalia-se a tenta-se imaginar a partir dali, imagina-se a maciez, a leveza, o peso, a partir dai.
Depois o olfacto, sim cheira-se o prato, o comer, o vinho, há quem faça de isso uma arte…
E cheira-se o outro, pois está claro!
Hoje sabemos que o nosso nariz recolhe químicos e envia imediatamente para o cérebro, processam-se assim informações várias, há cheiros que nos dão tranquilidade, cheiros que nos põem com fome, cheiros que nos irritam, até podem ser bons para outros, ou noutra altura, mas para nós não são…

Os cheiros tem muito para contar, um comer quando cheira bem geralmente sabe bem, uma pessoa até se pode mascarar com perfumes vários mas os perfumes combinam connosco, com a nossa pele com o nosso cheiro natural…
Portanto um perfume que combina bem com um pode ser desastroso noutro.
Depois o som, também, sim o som!
O som de uma panela a borbulhar, acompanha o cheiro, uma fritura de uma filhós que empola em contacto com o óleo, o crepitar de um grelhado, a efervescência de uma bebida.
O som da voz, o timbre da gargalhada, tem muita influência.
Já conheci pessoas muito bonitas, que cheiram muito bem, com tons de voz perfeitamente irritantes, gargalhadas estridentes, sotaques demolidores….
Imaginem o homem ou mulher perfeita, mas ciosos ou sopinha de massa...
Depois o tacto, damos toques numa maçã para avaliar se é firme, tocar o outro é parecido, avaliamos o toque, a firmeza, a suavidade.

Por fim o sabor, o sabor é o cumulo…
A explosão das papilas gustativas, face ao salgado ao doce, ao amargo, ao picante…
As explosões da mistura de especiarias, o toque fresco do limão, hortelã e gengibre, a explosão calorosa de um caril ou um chili, a doçura do mel, o acre da toranja e da água tónica, o sol que se come no gomo de laranja…

Pois provar o outro é igual, temos dias que somos doces, dias picantes, dias de sabores ásperos ou salgados…
Temos alturas ainda que concentramos isso tudo de uma só vez e conseguimos, dar a provar e provar um sabor exótico….apesar de o comer ser o trivial!