terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Saúde em Portugal ou o Elogio da Loucura...





O Dr. Ricardo Jorge inicia em 1899 a organização dos "Serviços de Saúde e Beneficência Pública que, regulamentada em 1901, entra em vigor em 1903. A prestação de cuidados de saúde era então de índole privada, cabendo ao Estado apenas a assistência aos pobres.
Pouco se alterou durante o Estado Novo, com a Lei n.º 2011, de 2 de Abril de 1946, estabelece a organização dos serviços prestadores de cuidados de saúde então existentes: Hospitais das Misericórdias, Estatais, Serviços Médico-Sociais, de Saúde Pública e Privados
Só em 1971, com a reforma do sistema de saúde e assistência (conhecida como “a reforma de Gonçalves Ferreira”), surge o primeiro esboço de um Serviço Nacional de Saúde (SNS). São explicitados princípios, como sejam o reconhecimento do direito à saúde de todos os portugueses, cabendo ao Estado assegurar esse direito, através de uma política unitária de saúde da responsabilidade do Ministério da Saúde; a integração de todas as actividades de saúde e assistência, com vista a tirar melhor rendimento dos recursos utilizados, e ainda a noção de planeamento central e de descentralização na execução, dinamizando-se os serviços locais.
Anos-luz do resto da Europa ainda.
Com o 25 de Abril de 1974, com a criação da nova Constituição da Republica os Serviços de Saúde passam a Universais.

O Conceito é simples, todos suportamos o Estado e o Estado suporta um Serviço Nacional de Saúde, igualitário, que pressupõe a igualdade de tratamento.
Daí para cá muito se alterou, para além da criação de taxas moderadoras, para além do incentivo a regimes de saúde privados, para além da Constituição revista ter passado a incluir “serviços de saúde, tendencialmente gratuitos”, para além do esvaziamento de meios humanos e técnicos, de valências, de meios financeiros e da reconversão de Serviços Públicos em EPE’s e tudo o que isso acarreta.
A proliferação de Hospitais Privados, o permitir consultórios privados em instalações públicas, o regime de tarefeiros para médicos e enfermeiros levado ao extremo, as 36 horas de seguida de serviço, quando se lida com pessoas, pessoas, seres humanos, não sei se estão a ver?
Por fim o maior ataque foi encabeçado recentemente, Com nome, á que dize-lo, Correia de Campos, ministro da saúde no XIV e XVII Governos Constitucionais, Especialista em economia da saúde, cuidados de saúde a idosos, política de saúde e equidade, segurança social e administração pública, sendo, nestas áreas único autor de 5 livros e editor de outros três e autor de cerca de cem artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras.
A Especialidade deu-lhe para aplicar sistemas de triagem, confusos e inoperantes, estabelecer mais taxas moderadoras, a de internamento por exemplo, (e eu que o diga que fui internada para cirurgia que não se concretizou porque o Bloco estava assoberbado, paguei a estadia e voltei segunda vez para levar a facada e pagar outra vez), e acima de tudo encerrar e extinguir serviços…
Os exemplos são mediáticos e conhecidos, acompanhados de manifestações espontâneas populares, fecharam-se SAP’s, Hospitais, Serviços de Urgência, Maternidades Centros de Saúde.
O número de partos em ambulâncias ou de bebés portugueses a nascer em Espanha disparou, mortos por falta de assistência, as confusões com o INEM, etc.…
Agora depois do Governo remodelado e da sua substituição, apesar de ter sido sempre dito aos Portugueses que esta linha politica tinha como objectivo o melhoramento dos serviços de saúde para todos os portugueses, o ex-ministro revela-se sem pejos publicando um livro onde assume que tudo isto se trata de uma estratégia planeada para a Privatização global dos Serviços de Saúde.
Confesso que isso me passou pela cabeça, diariamente, sempre que era anunciada mais uma medida no sector.
Então o modelo que procuramos é o de quem quer saúde paga-a?
Será?
Será que um simples tomador de seguro de saúde poderá ter garantida a sua assistência se iniciar por exemplo um tratamento oncológico?
E um doente crónico? Um asmático, um diabético um hipertenso?
Como será?
E um trabalhador eventual, uma mãe solteira, um reformado com menos de quatrocentos euros por mês, o que fará?
Irá socorrer-se de um Serviço Nacional de Saúde para indigentes, como o instalado em 1903?
Ficam mais perguntas do que respostas…
Apenas sabemos agora que o estado assume cada vez mais um papel de cobrador de impostos, que servem cada vez para menos.
Não servem para a Educação, nem para a saúde, nem para a segurança, nem para o investimento, não é?
Eu não é isto que quero e tu?

29 comentários:

AP disse...

O Estado em Portugal sempre esteve ao serviço da Oligarquia governante e nunca do povo. Democracia em Portugal nunca existiu. Provas não faltam: Porque é que os votos em branco ou nulos não são vinculativos (mínimo de 50% de votos válidos ou repetiam-se as eleições)? Porque é que um partido com 40% dos votos forma 100% do governo? Porque e como é que se aprovam leis em beneficio próprio, como o acumular de pensões e compensações milionárias por meia dúzia de anos de serviço?
Acredito piamente que Portugal é um caso único no mundo, uma forma muito própria de "democracia", um regime só seu.
Mas o pior é a indiferença do seu povo, que se deixa guiar como as ovelhas para o matadouro, enquanto uma elite intocável rouba, repito ROUBA, o que é seu!
Creio que é hora de as pessoas, independentemente da sua cor politica, se unirem a uma só voz e lutarem por Portugal. Porque por este andar, como diz José Gil, corremos o risco de desaparecer enquanto nação.

Ana Camarra disse...

Ap

Pois o pior é apatia popular.
o pior é terem ficado tão domesticados que aceitam tudo com uma resignação, direi bovina, como um boi que sabe que vai para o malho mas pronto lá vai...

beijos

Capitão Merda disse...

Não tenho resposta para as tuas questões!

;)

Anónimo disse...

Anita

Esteve doente, eu também!
Para me passarem baixa tive de ir três vezes ao Centro de Saude, como não tenho médico de familia foi uma complicação.
Acabei por gastar três dias de férias e com favor.
è a saúde que temos.
Mas não, também não quero isto assim.

beijos

Opinador disse...

É um governo de saqueadores, para saqueadores.
Como escrevia hoje o vício, para onde é que pensam que o Sócrates vai, quando sair do governo?
Basta ver os exemplos de outros, como Pina e Moura, Jorge Coelho, Mira Amaral, Ferreira do Amaral e toda uma cambada de chulos que passam pelo governo com a finalidade única de prepararem o futuro. O seu futuro, já que o nosso é cada vez mais negro.
Anda a ETA a matar inocentes em Espanha, com tanto filho da p*ta deste lado da fronteira...

Fernando Samuel disse...

Eu também não. E creio que connosco está a imensa maioria dos portugueses - só que muitos deles não sabem que querem o mesmo que nós...

Um beijo, camarada.

salvoconduto disse...

Esteve bem o país quando empurrou Correia Campos para fora do governo, exemplo a multiplicar.

Gostei de ouvir o meu homónimo aqui ao lado, bem como a guitarra do Carlos Paredes.

Primas na escolha da tua playlist.

Abreijo

Anónimo disse...

-Não nos podemos esquecer que a criança mal nasceu começou logo a a levar porrada de certos membros da família Xoxa: Que o diga o António Arnault aí se o homem se põem a falar isto se o deixassem falar tanto como fala o Só ares já leram o que o aldrabão escreveu no DN é preciso ter lata muita lata vigarista.Não é que o gajo merecia levar com um encharcado no focinho.

Gostei de cá passar.
a.ferreira

CRN disse...

Querer, querer, ninguém quer, outra coisa é que assumam uma dicisão de ruptura, que no ano que vem permita recuperar Abril e deixar florescer essa semente que como a um bonsai lhe condicionaram o crescimento.
Embora Dali não fosse - no plano politico - dos artistas mais próximos a este tipo de inquietação, já o acompanhamento musical é, isto sim, isto que queremos, estas tuas formas sublimes de alertar a população!

A revolução é hoje!

SENSEI disse...

NÃO!...
Não é isto que eu quero!
Por isso em 2009 VOU VOTAR NO PCP por este ser o único partido que os pode enfrentar e acabar de vez com esta chusma de malfeitores gatunos da pior espécie, assassinos e pedófilos, todos impunes.
QUEREM ACABAR COM ESTA PRAGA SARNOSA QUE INFESTOU A SOCIEDADE PORTUGUESA?!... MAS QUEREM MESMO?!... TÊM A CERTEZA?!... NÃO TÊM MEDO?
SEJAM INTELIGENTES, TENHAM A CORAGEM DE FAZER ACONTECER A MUDANÇA, ESSA MUDANÇA TEM APENAS UM NOME:
PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS.

Porque será que a praga os odeia?!... Os desacredita?!... Os ataca com tudo e mais alguma coisa?!... Os boicota, os persegue?!... Os difama com vis e absurdas mentiras?!... PORQUÊ?!...
PORQUE OS TEME!

SEJAM INTELIGENTES, ACERTEM-LHES ONDE LHES REALMENTE DÓI.
EM 2009 USEM E ABUSEM DO PCP COMO ARMA PARA COMBATER A PRAGA QUE NOS SUFOCA HÁ 33 ANOS.

VOTA PCP!

Ana Camarra disse...

Capitão – Pois não tens, mas sabes que isto não serve.

Augusto – pois ora aí está um belo exemplo.

Opinador- pois exemplos desses não faltam, deixa cá ver qual ver ser o Alto Comissariado da ONU ou grande empresa que vai dar abrigo ao sinhor inginheiro quando deixar de nos chupar até ao tutano.

Fernando Samuel – O drama é esse, como alertá-los, acorda-los…

Salvoconduto – Este foi corrido a que se seguiu continuou a mesma música. Quanto a músicas ainda bem que gostas, o teu homónimo é incontornável.

a.ferreira – Bem-vindo volte sempre, pois é se ele falasse à vontade, muito se saberia, mas não interessa.

CRN – Pois tens razão, Abril está em bonsai, mas tenho a profunda esperança que um dia floresce em toda a sua plenitude. Dali é aquele coisa tenho de me abstrair do artista que foi e ver só a imagem, dolorosa, conflituosa, marcante, a música é mais uma banda sonora.
Sublime a minha forma, não senhor, são reflexões inconformistas desta gaja.

Sensei – Pois eu também voto, também acho que é a única alternativa, a única força politica estruturada, com propostas para dar a volta a isto.

Abreijos

PDuarte disse...

o tempo agora é mais curto.
mas vou voltar e ler tudo com a atenção que mereces. fica a promessa.

Ana Camarra disse...

pduarte

De ti não espero outra coisa, amigo.

beijões

Diogo disse...

Aconselho a ver o filme de Michael Moore: Sicko

Ana Camarra disse...

diogo

Já vi, apesar de Michael Moore também me levantar algumas dúvidas em certas coisas, infelizmente até conheço a realidade Norte Americana da Saúde por intreposta pessoa, é para isso que nos arrastam, algo que já está provado, não funciona.

beijos

Anónimo disse...

Ana

Tenho estado aqui só a ouvir a tua jukebox, fantástica, tremenda.

Muito obrigado

Um grande beijo

B.

Zorze disse...

Ana, tens razão. Este Estado cobra mal e gere ainda pior. Agora dá de mão beijada a saúde aos gulosos apetites dos privados.

O anterior ministro que trazes é um excelente exemplo que muita teoria aplicada na práctica, muitas vezes é igual a zero, senão, mesmo pior.

E já agora para lembrar (para quem estiver a pensar nisso) os seguros de saúde em Portugal podem ser anulados em qualquer anuidade por decisão de uma das partes que manifeste essa opção, ou seja, seguradora ou cliente.
Isto, na práctica significa, que um indíviduo que pague um seguro durante anos e contraia uma doença crónica a seguradora lhe diga - Adeus, e boa sorte.

A legislação é feita por portugueses e este é o País - que infelizmente - temos.

Abraço,
Zorze

Ana Camarra disse...

Zorze

Pois que atinges o cerne da questão e depois, como é?
Não se sabe, mas não é bom.

beijos

samuel disse...

Sempre que se começa a falar destes assuntos e sobretudo destes "protagonistas", eu desato a querer imensas coisas... que o decoro impede que escreva.

Abreijos

Ana Camarra disse...

Samuel

São estes protagonistas que fazem do nosso país um filme noir...

beijos

Anónimo disse...

Anita

Por acaso está aqui uma abordagem muito clarinha.
Confesso que até era um pouco apologista da saúde privada e quem não pode?
Bicudo.
Ès capaz de ter razão.
Já percebi que estiveste doernte já estás melhor é o que interessa.

Beijo amigo

Zé Manuel

Anónimo disse...

Minha Linda

Está optimo como tudinho o que escreves, outra coisa me espantaria.
Venho cá assim, porque ficas com o mail e respondes porque o computador morreu e perdi tudo.
Mas acima de tudo, eu sei que andas sempre muito ocupada, quando não andas ficamos todos preocupados é sinal que estás doente, mas quando é que nos juntamos para discutir "aquele assunto" e por a máquina a andar?
Estou desejando, já agora bebemos um copo e curtimos um som, boa ideia?

Beijos sempre

B.

Orlando Gonçalves disse...

Também não é isto que quero, lagarto, lagarto, lagarto ( eu até sou do FCP, lollollol), mas eles como dizes e muito bem, querem colocar isto assim, quem quer saúde paga, e quem não tiver dinheiro, olha que se lixe, morre. Eu até me dá a ideia que estes socialistas querem matar os velhinhos todos, antigamente diziam que eram os comunistas que comiam criancinhas ao pequeno almoço e davam injecções nas orelhas dos velhotes para eles morrerem, penso que se enganaram no nome...

Ana Camarra disse...

Zé Manuel - Pois isto não é bom.

bjks

Ana Camarra disse...

B.

Pois tu vais logo á playlist, nada de novo.
o mail já cá canta, já retribui e o tal assunto vou agendar e digo-te.
è mesmo a sério então!
vamos nessa vanessa.

beijos (e á gaja também )

Ana Camarra disse...

orlando gonçalves

Parece que enganar é prato especial dos artistas.
Pois não matamos velhos nem comemos criancinhas...

beijos

PDuarte disse...

as coisas como sempre são complexas.
sabes que uma das coisas que me move na vida é o amor à liberdade, e às liberdades, entre elas a de escolha. como sabes não sou rico, mas se por acaso eu entender escolher pela saúde privada por saber que os melhores médicos, que querem e gostam de ser bem pagos, estão nesses serviços eu quero ter o direitode escolher.
se eu queiser que todas as minhas economias sejam canalizadas parapoder salvar a vida de um ente querido num com um médico que esteja no Hospital da CUF ou no da Luz eu quero ser livre para escolher.
eu não tenho culpa que o Estado não cative os melhores médicos a trabalhar para ele, ou que esses médicos tenham uma postura num hospital público e outra na clínica.
uma coisa eu quero. ter liberdade. tu acompanhas-me e sabes disso.
bom post.

Ana Camarra disse...

pduarte

A liberdade é fundamental.
Ponto assente.
Mas o preocupante é que num curto espaço de tempo não se poderá escolher, teremos de um lado quem pode pagar do outro não.
Por outro lado como achas que as seguradoras privadas irão reagir aos doentes de longa duracção?
Os bons profissionais abandonam o SNS porque também cada vez tem menos condições.

beijocas

poesianopopular disse...

Ana
Isto está do pior, temos muito trabalhinho pela frente, ontem estive numa reunião aquí na Freguesia, os xuxas andam loucos no assalto á Freguesia, e o pior é que Á quem vá na cantilena deles.
Bjos