quarta-feira, 30 de abril de 2008

O Dia do Trabalhador, a crise energética e alimentar ou como eu me enganei na profissão.














































Amanhã é dia do Trabalhador e trabalhadores são todos aqueles que não tiveram um antepassado de passado menos recomendável que lhe tivesse garantido uma avultada herança, todos aqueles que não vivem “á pala”, enfim todos aqueles que não nasceram com o dito cujo virado para a lua e como tal tem que batalhar pelo seu sustento. Neste grupo incluo todos os que já trabalharam e hoje fingem gozar a reforma (como se a comum reforma deste país pudesse dar gozo fosse lá a quem), todos os que procuram e emprego (que neste momento neste país é uma tarefa árdua e desgastante), todos os que estão a atravessar o período de formação escolar (que anda em reformas mais ou menos há trinta anos) e que em breve irão iniciar a travessia no deserto (mesmo os da margem Norte do Tejo) da procura do sustento.
Esclarecido este ponto dos trabalhadores posso começar a falar de uma noticia alarmante que me fez tomar algumas decisões, parece que para alem de tudo aumentar muito mais (mas mesmo muito) do que aquilo que o governo nos quer impingir, agora vai começar mesmo uma escalada de preços nos alimentos, mais a escassez dos alimentos propriamente ditos porque devido a uma conjuntura económica de m**** e das decisões de caca dos governos da EU e EUA, mais umas medidas proteccionistas que ninguém (Nem o Nuno Rogeiro) conseguem explicar do que é que nos protegem, os governos da Índia, Brasil, China e mais um grupo de países que nos habituaram a ver como pouco importantes decidiu que não há arroz para ninguém, nem trigo, nem milho, resumindo não há pão para malucos.





O Pior é que parece que há mais de não sei quantos anos que todo bicho careta avisava que isto podia acontecer, mas é o costume, ninguèm ligou.
E o que é que uma mãe deste século XXI com filhos adolescentes que quando lhes dá a travadinha comem mais que a marabunta começa pensar: Estou feita!
Depois de uma noite mal dormida só me ocorre remodelar uma série de coisas lá em casa:
1. O aquário e a banheira vão ser reconvertidos em tanques de aquacultura. Em vez escalaros e gupiyes, que são bichos que só dão despesa, vai tudo substituído por carapaus, robalos e douradas.
2. A porcaria das floreiras que agora estão cheias de tulipas, amores-perfeitos, lírios e ciclames e outras tretas vai ser tudo reconvertido em mini horta. Vou comprar já sementes de cenouras, nabos, alfaces e etc.
3. A cadela vai ter de deixar de ir á varanda, porque na varanda vou instalar um misto de capoeira e coelheira. Sempre são ovos frescos e carne garantida.
4. Vou propor ao condomínio a compra de algumas cabeças de gado, ovino ou caprino, para a constituição de um rebanho comunitário. È começar a estudar como é que se faz do leite manteiga e queijo.

Continuando esta saga do trabalho, quando era miúda e me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, como todas as miúdas da época a resposta vacilava entre: médica/enfermeira, professora e bailarina. Nos rapazes havia escolhas mais exóticas como astronauta ou cowboy. Falo disto agora porquê porque finalmente descobri a minha profissão de sonho: ser apresentadora do Canal Travel.
Também não era de qualquer programa, nasda daquela treta de atravessar Africa a pé ou o mundo de mochila ás costas para miséria já basta o que basta, de preferência era as viagens de luxo (é um sacrista que leva o programa todo a gozar com a assistência), os cruzeiros do mundo (é uma rapariga que tem o ar de lunática), os melhores spa’s do mundo (ai que inveja) ou as ilhas paradisíacas (tenho uma raiva aquela loura que nem sei), também não me importava de ter a rubrica da gastronomia, das vinhas do mundo, dos melhores museus ou dos locais de interesse histórico.
Em qualquer das formas batia a chinelinha por esse mundo á borla e ainda me pagavam por cima. Era que nem ginjas!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Cravos, escravos e outras coisas...











Eu sei hoje é terça feira, mas nem sempre temos tempo ou disposição. Aqui vai:

25 de Abril
Sempre e não é demais.
Para além dos abraços e dos cravos distribuídos, dos espectáculos, dos fogos de artifício, da emoção de ouvir a Grândola em uníssono, ficam ainda outras coisas como o discurso do Presidente da Republica, sem dúvida infeliz. Já lá diz o ditado “Quem tem telhados de vidro…”
Bonito foi o concerto promovido pela Associação 25 de Abril que a RTP passou na noite de 25 de Abril, bonito e com muitos recados, apesar de alguns cantores da época não poderem estar presentes, muitos não faltaram á chamada e é arrepiante constatar que existem poemas tão actuais agora como há mais de três décadas atrás, “Ei-los que partem velhos e novos…” ,“Vemos, ouvimos e lemos não podemos ignorar…”.
Por isso 25 de Abril Sempre

O sol
O sol veio dar uma cor de verão, ficou logo tudo melhor, foi só um ar de graça.

O PPD/PSD
Pior que os morangos com açúcar ou que o romance do “Tide” que se ouvia na rádio, temos este. Podia ser relatado em jeito de relato de futebol: Avança Jardim e recua, Rio pode ser convocado a qualquer momento, Santana faz uma finta…
È difícil serem levados a sério.

Os novos escravos da Europa
Aparecem notícias avulsas: mulheres do Magreb escravizadas nos campos de morangos em Espanha, mais de três mil portugueses escravizados em Espanha.
MAS O QUE É ISTO?
Estamos na Europa no Século XXI.
Os Europeus ficam indignados com notícias de vendas de crianças e escravatura em Africa e aqui o que é que estamos a criar uma Europa bi-partida, a dos países produtores, dinâmicos, industrializados, lideres e a….dos outros, dos escravos, dos dependentes, da mão de obra de reserva sem direitos…
ISTO NÃO È PORREIRO.

A (in)segurança
Uma esquadra foi invadida em Moscavide, estava lá um só agente….
Parece que não é a primeira vez, parece que não é assunto virgem, já aconteceu no ano tal na esquadra tal e houve agentes agredidos. Enfim, uma tristeza.
Mas isto não fica assim, somos bombardeados com o carjacking, é um bocadinho assustador, mas depois ficamos mais calmos, afinal o alvo preferencial são BMW topo de gama, ufa….estou safa.
Aqui mesmo no Barreiro: uma professora foi agredida por uma aluna de onze anos; um incêndio, supostamente um acto de vandalismo, nas salas de EVT da Escola Mendonça Furtado; uma tentativa de violação coroada com uma agressão brutal a uma estudante de enfermagem, no parque de estacionamento do Hospital; o fim-de-semana deixou ainda um rasto de carros roubados, carros vandalizados, contentores queimados, papeleiras partidas…

A Chama Olímpica, o Dalai Lama, Tibete mais China

Não sou a favor de invasões, não sou a favor de agressões, não sou a favor de totalitarismos.
Estando isto esclarecido passo ao assunto:
O Dalai Lama é um líder espiritual que não é eleito nem escolhido por ninguém.
O Budismo é uma religião que acredita na reencarnação, acreditam também que tudo o que nos acontece nesta vida é consequência da nossa actuação em vidas anteriores.
O Governo Chinês não reconhece a autoridade do Dalai Lama mas já emitiu um decreto no qual o proíbe de reencarnar.
A China invadiu o Tibete na década de quarenta.
A chama Olímpica simboliza a fraternidade entre os povos.
O regime do Tibete antes da invasão chinesa era feudal, comandado pelos Lamas classe aristocrática.



A Má Educação
O Reino Unido equaciona a retirada de qualquer menção ao Holocausto, particularmente no que diz respeito aos campos de concentração, nos manuais escolares. AHN?!
Porquê? Porque parece que alguns muçulmanos mais extremistas consideram que o Holocausto é uma invenção dos Judeus.
Assim o Reino Unido ficará protegido de ataques terroristas (?!?!)
Pois, isto deve de ter saído das mesmas cabecinhas que ainda á meia dúzia de anos achavam que para diminuir o número da grávidas adolescentes no Reino Unido a solução era a de promover o sexo oral como sexo seguro.
Isto em Aulas, nas Escolas, nos manuais escolares.


Enfim, pode ser que no próximo fim-de-semana tudo seja melhor….

quinta-feira, 24 de abril de 2008

25 de Abril






























Mais um 25 de Abril.
Mais um Dia da Liberdade.
È tempo de agradecer:
Agradecer ao Militares de Abril.
Agradecer a todos os jornalistas que os ajudaram
Agradecer a todos os presos políticos da noite fascista.
Agradecer a todos os anti fascistas que lutaram contra o regime.
Agradecer a todos os homens e mulheres que não aceitaram, que não venderam o pensamento, que não hipotecaram o futuro.
Agradecer a todos os que saíram á rua apoiando inequivocamente o Movimento das Forças Armadas, logo ali naquela madrugada.
Agradecer a todos os que ouviram toda a noite, em surdina, a rádio, esperando expectantes cheios de esperança e receio pelo desfecho.
Agradecer ás floristas que jogaram ao povo os cravos rubros.
Agradecer aos fotógrafos que imortalizaram o momento.
Agradecer a quem saiu para a rua num Maio de festa eterno.
Agradecer a quem pintou as paredes com a cor e as imagens da Liberdade.
Agradecer a todos os que começaram a construir um, projecto de um Portugal mais justo e mais fraterno.
Agradecer aos músicos, aos poetas, aos pintores, aos escultores, a todos os artistas que fizeram de Abril o seu mote.
Agradecer a todos os que hoje resistem a que nos roubem Abril….

25 de Abril SEMPRE !

terça-feira, 22 de abril de 2008

Famílias Numerosas








A sobrevivência do mundo rural dependia da quantidade de filhos. Isto é facto histórico.
As mulheres casavam quando atingiam a puberdade, lá para os 13 ou 14 anos de idade, os homens um pouco mais tarde, na casa dos 20 já tinham vários filhos, muitos morriam á nascença e na primeira infância, quanto aos sobreviventes, já nos meados do século aprendiam mal e porcamente a escrever e começavam a trabalhar arduamente no campo. Todos conhecemos estas histórias.
Com a revolução de costumes e “explosão industrial” outras situações se impuseram: a liberdade sexual, o direito a ter filhos quando e quantos se quisesse, o acesso ao ensino a melhoria dos cuidados de saúde, etc.
No entanto hoje volta-se ao lema das famílias numerosas, um tema, para mim um pouco hipócrita e com laivos de salazarismo.
Hoje a Associação de Famílias Numerosas completa uma década de existência e vão multiplicar-se em apontamentos televisivos exemplos de famílias jovens com cinco ou mais crianças, assisti a um, mostrava a dispensa, o pai explicava que as roupas passam de uns para outros e que já não andam em colégios mas sim no ensino público, ao todo parece que são sete rapazinhos, parece que o mais velho com menos de 10 anos.
De tempos a tempos, por questões mais ou menos familiares sou obrigada a conviver com algumas destas novas famílias numerosas, os meninos têm nomes “queques”, vestem-nos de igual, mas as crianças apresentam, de um modo geral um comportamento de “menino abandonado”, agarram-se a qualquer réstia de atenção que lhes ofereça qualquer pessoa, faz-me sempre confusão.
Pois está tudo muito bem, podem, evidentemente ter os filhos que entendam, estão no seu direito, mas ocorrem-me várias perguntas:
· Será justo para a mulher, fisicamente e só fisicamente este parir desabrido? Haverá algum médico que em consciência o possa defender?
· Será justo para aquela sucessão de crianças a retirada do colo sempre em função de bebé que se segue?
· Será justo coleccionar crianças como se fossem, sei lá, peluches?

Depois ainda outro aspecto, tanto os que vejo na televisão como os que vou conhecendo pessoalmente usam a sua fertilidade da mesma forma que um alpinista coloca a bandeira no pico mais alto da montanha.
Parece que andam numa competição, depois ainda clamam pelos apoios que deveriam ter.
E é verdade deviam de ter vários apoios, como todos os pais, como todas as crianças, não podemos advogar que os apoios á infância sejam adquiridos como uma espécie de
desconto por quantidade.
Enfim parece que é uma moda, mas mais valia dedicarem-se ao mergulho, ou a coleccionar selos, a aprender sapateado, qualquer coisa que não que não coleccionar filhos, porque são demasiado preciosos para isso.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Colo





Telefonou-me uma amiga com uma voz sumida de naufrago em busca a tábua de salvação “Tens um bocadinho para mim?”.
Pensei que dizer que não, que não tinha, a secretária afogada em papéis, o telemóvel de serviço a chamar-me impaciente e autoritário, as tarefas marcadas a caírem dentro da agenda como um castelo de cartas. Por outro lado o pedido foi suplicante, somos amigas há muitos anos, não estamos juntas tantas vezes como gostaríamos, a vida, o trabalho, a família vai roubando o espaço onde poderíamos cultivar a nossa amizade, mas somos amigas. Conheci-a quando na arrogância da nossa juventude sabíamos que éramos belas e interessantes e tudo era possível, tínhamos planos audazes de viagens e profissões. Acompanhei a morte precoce da sua mãe, como ela acompanhou a morte, também precoce, do meu pai, acompanhei o seu relacionamento amoroso de uma década, redutor, que lhe queimou a estima e amor próprio com um homem que não a merecia, que aliás não merecia que nenhuma mulher lhe entregasse o seu amor.
A minha amiga “deu a volta” com o nascimento da filha, a filha que só ela quis, pela qual lutou de todas as maneiras, pela qual fez a travessia do dinheiro contado da mulher sozinha a criar só e sempre só aquela filha.
Respondi-lhe que sim que tinha todo o tempo do mundo para ela, começou a construir um discurso: o caroço no peito, os exames médicos, o diagnóstico brutal, antevisão de quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
Gelei, conheço bem demais este discurso, já passei por ele em todas as mortes recentes da família, passei por ele com vários familiares e amigos que vivem esse calvário e que vão sobrevivendo outros que estão oficialmente curados mas que no entanto sentem sempre uma sombra negra e pesada sobre si, estou de certa forma a passar por ele comigo, não da forma mais brutal e assustadora, mas sempre com essa perspectiva.
Sei que no momento em os médicos nos dizem para não pensarmos no pior e que hoje em dia a medicina está muito avançada, deixamos de compreender as palavras que o médico vai dizendo, parece que nos fala numa língua estranha, as palavras: nódulos, cirurgia, terapia de substituição e biopsias – passam a ser estrangeiras, estrangeiras tipo finlandês ou chinês, pensamos “Se calhar trocaram os exames”, “Se calhar as analises são doutra pessoa”. Saímos do consultório ligeiramente tontos, ligeiramente agoniados, estranhamente vazios, infantilmente pensamos ainda “Se o próximo carro que passar tiver matricula impar vai correr tudo bem. Se conseguir passar com o semáforo verde vai correr tudo bem”.
Queremos fazer a cirurgia amanhã, não, hoje ainda. A perspectiva de um apagão total no nosso cérebro para acordar com aquela coisa que nos roí o futuro extirpada do nosso corpo é muito atraente.
Não sei se isto sempre aconteceu, talvez sim, sei que somos trucidados numa vida que não nos permite parar, reflectir, amar, apreciar todas as pequenas belezas, sei que vivemos uma vida controlada por: relógios, horas, dias da semana, compromissos, hipotecas, prazos de validade, contratos a prazo, á espera fim-de-semana e do fim do mês, daquela entrevista, daquele exame, de qualquer coisa.
Sei que nestes momentos só precisamos de colo, foi isso que lhe tentei dar.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Bertold Brecht




Para quem diz repetidas vezes "Não quero saber da politica", Bertold Brecht poeta alemão que viveu entre 1898 e 1956, escreveu


ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto

É o analfabeto político,

Ele não ouve, não fala,

Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo da vida,

O preço do feijão, do peixe, da farinha,

Do aluguer, do sapato e do remédio

Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político

É tão burro que se orgulha

E incha o peito dizendo

Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,da sua ignorância política

Nasce a prostituta, o menor abandonado,

E o pior de todos os bandidos,

Que é o político vigarista,

Pilantra, corrupto e lacaio

Das empresas nacionais e multinacionais.
musica a acompanhar "Road to nowhere"

terça-feira, 15 de abril de 2008

Smoking



























Perdoem-me o estrangeirismo do título, este texto é sobre o tabaco, não sobre os seus malefícios, mas sim sobre os seus fascínios.
Nos longínquos anos 80 quando transitei para a Escola Secundária a grande moda era FUMAR. Eu não aderi logo, estupidamente aderi mais tarde, mas o fumar não se extinguia no acto em si, para além de fumar existia tudo o mais, uma das modas anexas era a dos sacos com marcas de tabaco e whisky, profundamente anti pedagógico mas era na época normalíssimo ver milhares de rapariguinhas a carregar os livros e demais material escolar nuns sacos de um material parecido com a borracha ostentando o logótipo da Gitanes ou de qualquer outra marca.
Mais, disputava-se qual o mais invulgar (os da Marlboro eram os mais corriqueiros) daí até experimentar a marca era um passinho de formiga, para além disso fumava-se em todo o lado: nos mercados, nos comboios, nalguns autocarro de longo curso, nas estações de metro, nos aviões, nos cafés, nos restaurantes, nas salas de espera e nas escolas.
Tive professores que fumavam nas aulas, empregados de secretaria que fumavam no exercício das suas funções, contínuos que acendiam o cigarro no corredor da escola e é claro os alunos não se ficavam atrás.
Fumar estava associado a crescer, a ser sexy, a ser autónomo, de forma vaga estava ainda associado a emancipação feminina, era normal, os anúncios de diversas marcas de tabaco estavam em todo o lado.
Volvidos estes anos aqui estamos no séc. XXI (o que nós não sonhávamos com as maravilhas do séc. XXI) e no primeiro ano de todas as proibições, passámos uma vez mais do 8 para o 80, hoje é proibido fumar em todo o lado, eu já tinha assistido a cenas caricatas do outro lado do Atlântico, resmas de pessoas á porta dos Centros Comerciais a fumar, e em Ottawa numa rua pedonal cheia de esplanada apenas uma se encontrava apinhada, era um bar irlandês, o único onde era permitido fumar.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

È uma quarta de marmelada se faz favor!
















A belíssima série “Conta-me como foi” transmitida aos domingos á noite na RTP1 teve o mérito de nos fazer relembrar coisas já esquecidas, particularmente as pequenas coisas do dia-a-dia. Hoje existem pormenores que parecem arcaicos, que vão desde a relação aluno professor (o que não haverá para escrever sobre isso), as relações familiares, a hierarquia social, etc..
Neste contexto hoje vou falar das mercearias, estabelecimentos hoje já quase extintos, pelo menos da forma como as conheci na minha infância. Existiam muitas, só na Avenida Alfredo da Silva recordo-me de quatro: o “Bacalhau”, onde hoje existe uma loja de artigos desportivos; o “Real” que era onde hoje se encontra o prédio da Conservatória do Registo Predial; outra um pouco mais a baixo que não me lembro o nome ou a alcunha, mais ou menos junto á loja da Mango (passo a publicidade) e outra na esquina com a Rua Miguel Bombarda onde está instalado o Mac Donalds. Depois existiam dezenas por todo o Barreiro.
A fruta, legumes e peixe eram comprados na praça, a carne nos talhos, a maioria dos produtos de higiene nas Drogarias, o pão era exclusivo das Padarias, tudo o resto era comparado nas mercearias e tudo avulso: grão, feijão, café, farinha, açúcar e arroz, tudo medido com medidas de lata ou madeira e empacotado na hora em pacotes de papel pardo; o bacalhau era cortado com uma faca especial; a marmelada, a manteiga e a banha eram vendidas também avulso e embrulhadas em papel vegetal; também se vendia avulso as bolachas, Maria, Torradas, Belinhas, Baunilha e de Araruta (já não encontro pareciam uns tricórnios).
Quando me mandavam á mercearia comparar uma quarta (250gramas) de marmelada para o lanche, não levava dinheiro, a despesa era apontada num livro e paga de semana a semana.
Das aventuras com as mercearias e os produtos avulso guardo na memória um dia em que a mãe de uma amiga minha a encarregou de fritar carapaus para o jantar, os carapaus ficaram arranjados e só tínhamos de passa-los por farinha e fritar. A farinha estava num pacote de papel pardo debaixo da chaminé, colocámos farinha para um prato e lá passámos os carapaus, quando colocados no óleo os ditos ficavam com aspecto atroz e rijos. Não interessou, cumprimos a tarefa até ao fim para depois descobrirmos que em vez da farinha tínhamos “panado” os carapaus com gesso….
Vicissitudes das embalagens não estarem identificadas.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ESTE PAÌS NÃO É PARA VELHOS… NEM PARA NOVOS…NEM PARA OS OUTROS…






















(Fotos testemunham o exodo Português nas decadas de 50 a 70)




È com pena que colecciono estes dados de uma pequena pesquisa, meia dúzia de amigos, conhecidos é rápido:


CASAL A – Pequenos comerciantes na casa dos 50 e picos, fechar o negócio foi o único caminho. E agora viver do quê? Os filhos já estavam em Inglaterra, pois para Inglaterra seguiram. Não estão ricos, mas vivem. Tem assistência médica, habitação.

CASAL B – Ela é arquitecta ele é engenheiro, estão na casa dos 20 e muitos quase 30. Trabalhavam cá numa grande construtora a 3€/hora a recibo verde, sem férias, sem subsídios de Natal, sem segurança, sem dinheiro para chegar até ao fim do mês, a cravar os pais, a adiar os filhos, a desesperar. Já foram…

O JOVEM LICENCIADO 1 – Trabalhava com administrativa, completou o curso foi á luta com seu Curso de Engenharia do Ambiente, trabalhou sempre a contrato, á tarefa, o contrato acaba agora, sem perspectivas. Vai embora…

O JOVEM LICENCIADO 2 – Licenciado em medicina Dentária, sem possibilidades de começar consultório próprio, sem lugar no Serviço Nacional de Saúde ocupa o seu lugar no Serviço Nacional de Saúde no Reino Unido, casou lá, lá teve um filho…

O JOVEM LICENCIADO 3 – Curso Turismo, trabalhos a bochechos, vai para a Suiça…

Este país não para velhos… nem para novos…nem para os outros…


(musica que se propõe para acompanhar "No Expectations" - Rolling Stones e "Clandestino" - Manu Chau)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tributação Intima







Das últimas medidas anunciadas pelos nossos governantes, três saltaram-me aos olhos tendo ficado incrédula a pensar de se seriam partidas do Dia das Mentiras (se bem que não fossem todas anunciadas propriamente no dia 1 de Abril, mas pronto até é mais credível assim) ou se pura e simplesmente quem nos governa ensandeceu. As três medidas que me refiro são:

1. Tributação nos Casamentos
2. Pagamento de Custas na Adopção
3. Fim do Divorcio Litigioso

Vamos por capítulos:

Tributação nos Casamentos – Confesso que só me vesti de noiva quando solteira e descomprometida resolvi ir com mais três amigas bater a chinelinha nas lojas de vestidos de noiva da baixa lisboeta. Em cada uma das lojas cada uma de nós apresentava-se como futura noiva e era um tal de experimentar vestidos: estilo império, á princesa, com folharecos tipo repolho, com véu, com chapéu, etc… Estupidamente não registámos o momento fotograficamente para a posteridade.
Uma permanece solteira, eu e outra casamos sem recurso ao folclore do vestido e restante traquitana (permanecemos casadas com os mesmos), a única que utilizou os conhecimentos adquiridos naquela tarde já casou duas vezes com pompa e circunstância e descobriu agora as vantagens da união de facto.
Depois disso já tive de assistir a várias cerimónias de casamento, mais ou menos elaborados, com mais ou menos complementos, religiosas ou não, de familiares e amigos. Não quis fazer todo folclore mas tenho amigos que fizeram poupanças e apostaram muito do seu tempo nos mais ínfimos pormenores daquele dia o objectivo era o de ter um dia inesquecível.
Isto tudo para dizer que não cumpri por opção a tradição casamenteira, mas foi por opção. O que me parece que daqui para a frente vai ser bem assim. Compreendo que a “Industria dos Casamentos” foge ao fisco com alguma facilidade, mas parece-me mais lógico seguir o caminho oposto: que tal ser utilizado tudo quanto é factura de despesas do casamento para abater no IRS?

Pagamento de Custas na Adopção – Quase que me cai o queixo! É uma medida fantástica! O que se pretende: dificultar ainda mais o processo da adopção? Por um preço num filho? Aumentar o número de crianças em instituições? Vai para além da minha compreensão…

Fim do Divorcio Litigioso – supostamente a ideia é retirar a culpa. Vamos por partes: O Manel é violento, dá cargas brutais de pancadaria na Maria, ela decide sair do casamento, ele diz que não, como é? A história clássica do fulano que sai de casa para comprar tabaco e nunca mais aparece, como é? A Sara e o António casaram muito novos, famílias religiosas, com o tempo o António vê que não aquilo que quer, quer sair da relação, a Sara diz que não, o casamento é para toda a vida, o António já vive com a Rita há dois anos vão ter um filho, Como é?

Seguindo a mesma linha proponho ao Governo:

1. Tributação dos beijos dos namorados nos bancos de jardim (ou alternativa repor as multas)
2. Tributação da quantidade de empurrões de balouço que um avô dá a um neto
3. Tributação da quantidade de olhares carinhosos que uma mulher dá ao marido.
4. Tributação dos telefonemas de apoio entre amigos, pais e filhos, irmãos, tios e sobrinhos, etc

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Parece que já não é uma miragem







Ponte é uma construção que permite interligar ao mesmo nível pontos não acessíveis separados por rios, vales, ou outros obstáculos naturais ou artificiais.
As pontes são construídas para permitirem a passagem sobre o obstáculo a transpor, de pessoas, automóveis, comboios, canalizações ou condutas de água (aquedutos).
Quando é construída sobre um curso de água, o seu tabuleiro é frequentemente situado a altura calculada de forma a possibilitar a passagem de embarcações com segurança sob a sua estrutura.






PARABÉNS BARREIRO!

terça-feira, 1 de abril de 2008

BRINCAR NA RUA











Brincar na Rua era normal e corriqueiro na minha infância, já se sabe que não existiam telemóveis ou outro meio de comunicação que não fosse a minha avó ir á janela e chamar por mim. Os gritos das avós, mães e demais familiares marcavam o ritmo e o fim das brincadeiras.
Tardes a jogar ao peão, aos berlindes, ao “espeta” com uma cavilha enorme, á macaca e semana, ao “lá vai alho”, ás escondidas, á apanhada, bicicletas sem travões, bolas de qualquer coisa (jogos de basquete/futebol/rugby/andebol/volei), ringues, tudo pouco normalizado, pouco ergonómico, sem regras de segurança.
O meu quintal era o Jardim dos Franceses e o Parque do Barreiro (hoje Catarina Eufémia), os bancos eram tudo desde carruagens de colonos a fugir de grupos irados de índios a barcos de piratas, o coreto era uma espécie de castelo ou fortaleza que era tomada por nós á vez, consoante o nosso papel fosse de índio ou cowboy, mouro ou cristão, policia ou ladrão.
Também fazíamos sessões daquilo que hoje é baptizado de dramatização: tardes inteiras a brincar “Aos pequenos vagabundos”, aos “Cinco” e é claro ao “Espaço 1999” (aproveito este momento para pedir as minhas desculpas a todos moradores do prédio da Avenida Alfredo da Silva conhecido por ser o prédio da Tutti-Sports, de 1974 a 1978, porque as campainhas do edifício eram o simulador ideal para o computador central).
A nossa roupa não era de marca, acho que nem havia marcas de roupa infantis, parte dela era até confeccionada por familiares. As nossas merendas eram alegremente partilhadas, a sua composição variava entre o papo-seco recheado (marmelada, queijo, fiambre, tulicreme ou mesmo só manteiga) e uma caneca de leite com chocolate ou qualquer outra imitação de café, de vez em quando um luxo esporádico: um gelado (os Luna Mix do Tico Tico ou um Rajá), um yougurt (copos de vidro) ou um refrigerante (Fruto Real, Laranjina C)
A televisão emitia o seu único canal mais ou menos á hora de almoço e a partir das 19h00 horas até á meia noite, todas as emissões começavam com hino da RTP e acabavam com o Hino Nacional, durante toda a tarde transmitia a Telescola, quando chovia assistíamos a muita aula de francês (Quel est ton nom? Mon nom est Jean) e trabalhos manuais (o professor insistia se colocar o papel metalizado com o dourado para fora.... era tudo a preto e branco).
Ao fim de semana a emissão era maior, assistíamos entusiasmados todos os filmes com Errol Flynn, antes de cada filme era exibido um desenho animado. Existia um aparelho de televisão por habitação e não era em todas. Outra componente importante era a rádio, mas merece um texto só para si.
Telefone também nem todos tinham e nenhum de nós se atrevia a levantar o auscultador e ligar para quem entendesse, telefones de uso privado só os feitos por nós com uma guita e uns copos de plástico…