terça-feira, 22 de abril de 2008

Famílias Numerosas








A sobrevivência do mundo rural dependia da quantidade de filhos. Isto é facto histórico.
As mulheres casavam quando atingiam a puberdade, lá para os 13 ou 14 anos de idade, os homens um pouco mais tarde, na casa dos 20 já tinham vários filhos, muitos morriam á nascença e na primeira infância, quanto aos sobreviventes, já nos meados do século aprendiam mal e porcamente a escrever e começavam a trabalhar arduamente no campo. Todos conhecemos estas histórias.
Com a revolução de costumes e “explosão industrial” outras situações se impuseram: a liberdade sexual, o direito a ter filhos quando e quantos se quisesse, o acesso ao ensino a melhoria dos cuidados de saúde, etc.
No entanto hoje volta-se ao lema das famílias numerosas, um tema, para mim um pouco hipócrita e com laivos de salazarismo.
Hoje a Associação de Famílias Numerosas completa uma década de existência e vão multiplicar-se em apontamentos televisivos exemplos de famílias jovens com cinco ou mais crianças, assisti a um, mostrava a dispensa, o pai explicava que as roupas passam de uns para outros e que já não andam em colégios mas sim no ensino público, ao todo parece que são sete rapazinhos, parece que o mais velho com menos de 10 anos.
De tempos a tempos, por questões mais ou menos familiares sou obrigada a conviver com algumas destas novas famílias numerosas, os meninos têm nomes “queques”, vestem-nos de igual, mas as crianças apresentam, de um modo geral um comportamento de “menino abandonado”, agarram-se a qualquer réstia de atenção que lhes ofereça qualquer pessoa, faz-me sempre confusão.
Pois está tudo muito bem, podem, evidentemente ter os filhos que entendam, estão no seu direito, mas ocorrem-me várias perguntas:
· Será justo para a mulher, fisicamente e só fisicamente este parir desabrido? Haverá algum médico que em consciência o possa defender?
· Será justo para aquela sucessão de crianças a retirada do colo sempre em função de bebé que se segue?
· Será justo coleccionar crianças como se fossem, sei lá, peluches?

Depois ainda outro aspecto, tanto os que vejo na televisão como os que vou conhecendo pessoalmente usam a sua fertilidade da mesma forma que um alpinista coloca a bandeira no pico mais alto da montanha.
Parece que andam numa competição, depois ainda clamam pelos apoios que deveriam ter.
E é verdade deviam de ter vários apoios, como todos os pais, como todas as crianças, não podemos advogar que os apoios á infância sejam adquiridos como uma espécie de
desconto por quantidade.
Enfim parece que é uma moda, mas mais valia dedicarem-se ao mergulho, ou a coleccionar selos, a aprender sapateado, qualquer coisa que não que não coleccionar filhos, porque são demasiado preciosos para isso.

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