segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tributação Intima







Das últimas medidas anunciadas pelos nossos governantes, três saltaram-me aos olhos tendo ficado incrédula a pensar de se seriam partidas do Dia das Mentiras (se bem que não fossem todas anunciadas propriamente no dia 1 de Abril, mas pronto até é mais credível assim) ou se pura e simplesmente quem nos governa ensandeceu. As três medidas que me refiro são:

1. Tributação nos Casamentos
2. Pagamento de Custas na Adopção
3. Fim do Divorcio Litigioso

Vamos por capítulos:

Tributação nos Casamentos – Confesso que só me vesti de noiva quando solteira e descomprometida resolvi ir com mais três amigas bater a chinelinha nas lojas de vestidos de noiva da baixa lisboeta. Em cada uma das lojas cada uma de nós apresentava-se como futura noiva e era um tal de experimentar vestidos: estilo império, á princesa, com folharecos tipo repolho, com véu, com chapéu, etc… Estupidamente não registámos o momento fotograficamente para a posteridade.
Uma permanece solteira, eu e outra casamos sem recurso ao folclore do vestido e restante traquitana (permanecemos casadas com os mesmos), a única que utilizou os conhecimentos adquiridos naquela tarde já casou duas vezes com pompa e circunstância e descobriu agora as vantagens da união de facto.
Depois disso já tive de assistir a várias cerimónias de casamento, mais ou menos elaborados, com mais ou menos complementos, religiosas ou não, de familiares e amigos. Não quis fazer todo folclore mas tenho amigos que fizeram poupanças e apostaram muito do seu tempo nos mais ínfimos pormenores daquele dia o objectivo era o de ter um dia inesquecível.
Isto tudo para dizer que não cumpri por opção a tradição casamenteira, mas foi por opção. O que me parece que daqui para a frente vai ser bem assim. Compreendo que a “Industria dos Casamentos” foge ao fisco com alguma facilidade, mas parece-me mais lógico seguir o caminho oposto: que tal ser utilizado tudo quanto é factura de despesas do casamento para abater no IRS?

Pagamento de Custas na Adopção – Quase que me cai o queixo! É uma medida fantástica! O que se pretende: dificultar ainda mais o processo da adopção? Por um preço num filho? Aumentar o número de crianças em instituições? Vai para além da minha compreensão…

Fim do Divorcio Litigioso – supostamente a ideia é retirar a culpa. Vamos por partes: O Manel é violento, dá cargas brutais de pancadaria na Maria, ela decide sair do casamento, ele diz que não, como é? A história clássica do fulano que sai de casa para comprar tabaco e nunca mais aparece, como é? A Sara e o António casaram muito novos, famílias religiosas, com o tempo o António vê que não aquilo que quer, quer sair da relação, a Sara diz que não, o casamento é para toda a vida, o António já vive com a Rita há dois anos vão ter um filho, Como é?

Seguindo a mesma linha proponho ao Governo:

1. Tributação dos beijos dos namorados nos bancos de jardim (ou alternativa repor as multas)
2. Tributação da quantidade de empurrões de balouço que um avô dá a um neto
3. Tributação da quantidade de olhares carinhosos que uma mulher dá ao marido.
4. Tributação dos telefonemas de apoio entre amigos, pais e filhos, irmãos, tios e sobrinhos, etc

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