quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ando assim...


Ando cansada, pouco reactiva, molinha mesmo, apetece-me viajar para o anuncio do Compal Light Papaia Laranja, não pelas frutas, mas por aquele mar tranquilo transparente azul turquesa, sem carros, vuvuzelas, telefones, telemóveis, banda larga ou estreita, aliás as vuvuzelas estão a bulir-me com os nervos a qualquer hora do dia parece que anda uma manada de elefantes desnorteados pelas ruas, não são, são adultos, crianças a soprar a corneta de plástico.
Eu sei que as pessoas se sentem um bocadinho mais gratificadas com as vitórias futebolísticas, sentem-se em parte vencedoras, também, apesar de tudo, sei que ninguém tem culpa que eu pouco “pesque” de bola, mas por outro lado é uma espécie de anestesia quase colectiva, que leva a população a abstrair-se de outros problemas, aqui mesmo, que nos vão massacrar a todos, aliás já massacram, a reboque do campeonato ninguém está a perceber que se preparam para retirar o feriado que era proibido antes do 25 de Abril de 1974, o Dia do Trabalhador, 1º de Maio, que ainda assim disfarçado como dia da espiga, da Primavera ou outra coisa qualquer era festejado com convívios, picnics e afins, aliás em todo o mundo é festejado nessa data, com a importância que se reveste, também não se dão conta que no mesmo embrulho podem passar a festejar o 24 de Abril, em vez da clara e límpida madrugada de liberdade, o som das vuvuzelas poderá ainda abafar outras coisas, as subidas de impostos já a malhar no lombo costumeiro, eventuais reduções prestações sociais, o fecho de mais empresas, a tentativa de fecho de mais serviços de saúde em nome da poupança e de estabelecimentos de Ensino em nome da qualidade pedagógica, a cobrança das SCUT’s, esse som irritante e desgastante faz pior, faz-me doer a cabeça, porque se junta a uma soma enorme de noites mal dormidas, em que continuo com sonhos parvos e aflitivos, junta-se ainda as inquietações de mãe face a exames e trabalhos dos seus rebentos, com contas de como manter dois jovens no ensino superior, que já só é tendencialmente gratuito, que vou passar a pagar dois passes intermodais, que aumentam já no próximo mês, que todos os dias me aparecem pessoas novas a pedir apoio que eu já não tenho, porque não consigo fazer o milagre da multiplicação dos pacotes de massa e das latas de leguminosas, porque acabo por viver meio angustiada com problemas de saúde em redor de mim, perto de mim, demasiado perto, tão perto que também os tenho, não consigo ainda fazer milagres das compras que façam falta e que não me deixem a inspeccionar a lista, quase em transe, desconfiada que os códigos de barras estavam trocados e que me registaram lagostas, queijos da serra, latas de caviar, Dom Perignon, em vez de vinho branco para tempero, postas de pescada para cozer, latas de cogumelos e iogurtes líquidos…
Ando cansada, ando cansada não daquela forma boa, que é depois do primeiro banho de mar, depois do parto de um filho, depois de fazer amor, ando cansada da pior maneira, ando cansada de me sentir espremida, exausta, exangue, vazia, como quem não tem mais para dar por muito que busque dentro de si.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

No sentido contrário aos ponteiros do relógio

O primeiro livro que li de Saramago foi o imenso Memorial do Convento, foi em 84, de muita coisa que me ficou uma delas foi a incrível conclusão de Padre Bartolomeu de Gusmão de que Deus será maneta, maneta da mão direita, porque na sua esquerda ninguém se senta…um pequeno pormenor num livro tão imenso, imenso como Convento.
Fiquei atracada aos Livros do Saramago, mas ficou-me no goto o “Ano da Morte de Ricardo Reis”, o meu favorito, tenho pena da morte dele, mas ninguém é eterno, neste caso é diferente porque será eterna a sua obra.
No sentido contrário dos ponteiros do relógio fica-me a clarividência de Blimunda, a luta de todas as personagens do “Levantado do Chão”, lado prático de Baltazar, a viagem triste de Ricardo Reis numa Lisboa fascista, a imensa aventura da península Ibérica a vaguear no Atlântico, Jesus Cristo questionando os desígnios do Altíssimo, a estranha viagem do elefante, o ataque contagioso de cegueira, o sonho de voar de Bartolomeu de Gusmão, a música de Scarlatti e Caim perdido numa teia estranhas injustiças.
No sentido contrário dos ponteiros do relógio ainda fica o discurso de Saramago na atribuição do prémio Nobel, relembrando que ainda estamos num mundo de contrastes onde se enviam sondas a Marte e existem seres humanos a morrer de fome.
Saramago foi polémico, afinal era um homem de raízes humildes, sem estudos académicos e acabou por alcançar a maior distinção internacional da literatura, foi maltratado por governantes nacionais que não conseguiram despir-se de preconceitos religiosos ou políticos face à sua obra, escolheu viver no país ao lado, com uma mulher mais jovem que ao apaixonar-se pela obra, acabou por se apaixonar pelo homem, continuou sempre a manter as suas posições politicas, reafirmando-se como comunista, no sentido contrario aos ponteiros do relógio, fomos mais ricos por ter um português assim, ficou um buraco no mundo com o seu desaparecimento, não sabemos que histórias teria guardadas para contar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Doem coisas, coisas diversas mas levanto-me, levanto-me sempre


Doem-me coisas! Coisas diversas, ossos, algumas vísceras, recordações mal guardadas que teimam continuamente em espreitar, projectos em vias de resolução, preocupações comezinhas, diárias, como pedrinhas dentro de um sapato apertado.
Mas levanto-me, levanto-me depois de mais uma noite mal dormida, sacudo os farrapos de sono, faço o circuito normal, lavagens matinais, desodorizante, perfume, roupa (por vezes quando estou com a cabeça muito ocupada baralho tudo como no outro dia em que tentei desesperadamente tirar as lentes de contacto que ainda não tinha colocado), torradeira, sumo, ligar a máquina de café, ouvir as primeiras noticias do dia entre resmungos, monólogos e comentários meus de mim para mim (hoje era a bola, só a bola e nada mais que a bola), sair de casa, pegar no carro passar em pontos de referência (continuar a ouvir falar da bola no rádio), estacionar e só nesse momento ligar o telemóvel, auto disciplina, só começo a ligar-me assim depois de estar vestida (quantas vezes corri pela casa meio vestida agarrada ao telemóvel), começar ontem outras coisas: um balanço breve, coordenar palcos, tendas, transportes e aparelhagens para que todos os meninos tenham a sua Festa de fim de ano, tentar encaixar outras coisas, atender uma chamada no fixo com o telemóvel a fazer uma birra pedindo atenção, largar o fixo, dar atenção ao telemóvel (por detrás o barulho insistente de mais uma chama e mais outra e mais outra), não conseguir de todo terminar um balanço começado quarenta minutos antes, parar tudo (agora não me passem chamadas por favor, desculpa mas liga-me daqui por meia hora), não sei onde ia… sim! Recomeço no ponto onde parei, recolho mais uns testemunhos (uma casa sem água, uma família disfuncional, a criança retirada por negligência, o rol, infelizmente do costume em histórias que vou presenciando ciclicamente como um pesadelo recorrente), Sr. António faça-me uma tosta mista se faz favor, uma pausa, só um bocadinho, pensar como vou pegar nisto, o cartaz, o anúncio, os papeis amarrotados, com coisas escritas na diagonal, aos cantos, com canetas de cores diferentes, coisas riscadas, as duas baterias do telemóvel descarregadas, não sei onde larguei a caneta, tenho de pensar o que vou fazer para o jantar, tinha de falar com alguém mas de momento não sei com quem e sobre o quê, não faz mal, metade do dia está feito….Doem coisas, coisas diversas mas levanto-me, levanto-me sempre.

sábado, 12 de junho de 2010

Do miserável naufrágio que atravessamos.



Continuo tranquilamente teimosa, numa expectativa inquietante, de quem sabe que esperar só não basta. Não basta esperar que nos salvem dos tédios, que nos ofereçam as condições as oportunidades, que chegue Sebastião ou qualquer outro herói a quem as traças roeram os paramentos não obstante o fedor a naftalina.
Das contradições do dia marco aqueles que não me fazem sentido, não serei a pessoa mais esclarecida, clarividente, capaz para desmontar os meandros estranhos dos fluxos de capitais planetários e outras coisas que tais, como a rota dos cardumes de atum e o louvor da caridade em detrimento da solidariedade. Das contradições absurdas registo as recentes que me dão que pensar, num país onde a maioria se acumula no litoral, em redor de Lisboa e Porto, onde fala do desgaste que esse amontoado provoca, de carros, autocarros, desempregados, reformados, bairros sociais, ruas sem jardins, salões de cabeleireiro de bairro, pequenas oficinas em garagem falidas quase à nascença, hospitais e centros de saúde apinhados, gente sem médico, escolas a rebentar pelas costuras, com aulas em pavilhões gelados de inverno e sufocantes de verão, sem laboratórios, salas de estado, de convívio, ginásios, ou outras coisas esperadas de um país em crescimento inserido na zona euro e parte integrante do Velho Continente Europeu, dizia eu que registo a contradição absurda de se fecharem escolas por todo o interior, escolas com telhados novos, escolas com meninos que fazem as aldeias mais quentes, escolas com espaço a outras aprendizagens, fecham-se, esses meninos irão seguir o caminho das grandes urbes, nem que ara isso sejam acordados da cama de madruga duas ou três antes de tocar a campainha de uma escola a transbordar onde quase não vão ter espaço para serem crianças, mas antes de se fechar as escolas fecharam-se maternidades, locais onde as pessoas chegam ao mundo com apoio, fecharam-se Centros Médicos, Urgências Hospitalares. Agora a lógica ilógica daqueles que poupam no essencial e esbanjam no supérfluo leva ainda tudo um pouco mais longe, pois que se fecha as urgências aos meninos que ainda existam perto de casa, neste casa as de Setúbal, onde chegam crianças desde Sines, mas que ainda assim abrange igualmente Palmela, se pensamos que Palmela e grande, cabe lá o Poceirão, Fernando Pó, entre outros sítios, se pensarmos que Azeitão é Setúbal, talvez o acesso a Almada não nos comece a parecer tão rápido como desejável, mas querem aplicar a mesma medida, aqui no Barreiro, onde chegam meninos de Alcochete, Montijo e Moita…quem conhece o martírio de estar ao lado o Seixal e demorar três quartos de hora para uma viagem ridiculamente pequena, que se tornou assim desde que um barco destruiu uma ponte, quem conhece o martírio de chegar do Barreiro a Almada, pode estica-lo de Setúbal, de Alcochete, de Grândola, de muitos meninos que vão sofrer mais dores pelo caminho, respirar pior no caminho, ter doenças agravadas pelo caminho, transportados por Bombeiros assoberbados, na maior parte das ocasiões voluntários, que irão aflitos tentar acalmar a aflição de pais e meninos.
Este é o miserável naufrágio que atravessamos, onde se acha lógico aumentar impostos a quem trabalha em detrimento das grandes fortunas, em que se incentiva o sector privado da saúde oferecendo equipamentos pagos com os nossos impostos para alguns lucrarem, onde os escândalos ligados a governantes e ex-governantes atingiram a banalidade do horóscopo no jornal, onde se decepa a produção, a industria, a educação, a saúde a favor da figura mítica da convergência e para espantar o mau-olhado do défice. O barco mete agua, o casco está rombo, adornamos mas nem sequer junto á costa, portanto continuo tranquilamente teimosa, numa expectativa inquietante, de quem sabe que esperar só não basta.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Insignificâncias significantes


Não me levantei cedo, apesar de um dos objectivo destas férias ser o descanso, as noites continuam a ser uma agonia, uma profusão de sonhos estúpidos e aflitivos, ou procuro obsessivamente alguém que não encontro ou algo muito importante, que não encontro, ou conduzo um carro estranho numa cidade desconhecida, ou por fim, este é o que me custa, caio completamente desamparada, ou é o chão que desaparece, ou estou a voar e falha alguma coisa, ou o chão termina num precipício, a verdade é que apesar dos comprimidos brancos que médico mandou tomar ao deitar, as noites são assim e acordo cedo com uma sensação de ressaca e cansaço. Decido limpar e arrumar gavetas, limpar é significativo porque consigo encher dois sacos de lixo, arrumo tudo de novo, camisolas, com manga, sem manga, de lã, encharpes, luvas, cachecóis, lenços, fatos de banho, lingerie, peúgas, meias, camisolas interiores, uma cotoveleira elástica que coloco e que parece aliviar uma parte das dores do braço, o braço com o tendão afectado que estava melhor com a fisioterapia e a acupunctura antes de partir a perna, o tendão está afectado porque os tumores pressionaram a traqueia, que por sua vez desviou a cervical e inflama porque passo muito tempo no teclado (parece a lengalenga do macaco do rabo cortado), descubro tesouros: desenhos “para a melhor mãe do mundo” ou para a super mãe, neles apareço a conduzir helicópteros, sempre sorridente, com e sem óculos, sempre de cabelo comprido, colares de massa pintada (guardei num guarda jóias), um espelho pintado (para a mãe), insignificâncias significantes, algumas fotos antigas, o meu pai com dois anos, convites de casamentos que já se desfizeram, cheques de contas bancárias que há muito já não existem, passes escolares, um monte (significativo) de marcadores de livros, incluindo dois feitos pelos rebentos.

Tinha planeado almoçar só, uns morangos cortados com um yougurt natural, afinal o laboratório não sei do quê não está operacional não vale a pena deslocar-se para as aulas, saltam umas bifanas, arroz branco, a conversa sobre como as mentalidades avançam lentamente, tão lentamente que se torna exasperante, descanso um bocadinho, levanto-me vazo o roupeiro arrumo tudo outra vez, tiro qualquer coisa para o jantar, apanho roupa, estendo roupa, “mãe vou ter 18 a História!” “que bom filho”, dobro peúgas, boxers, podia ser um fetiche, mexer em roupa íntima masculina, mas não é, passo a ferro, tiro as calças para levar á costureira, mais duas para eu coser, paro um minuto, vou escrever qualquer coisinha…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Afinal, a culpa é minha!






Infelizmente o mundo não mudou tanto como nos querem fazer crer, parece que os governantes abismaram-se com a mudança do mundo em três semanas, com a crise, que parece que para eles foi uma surpresa, para mim não foi, convivo com a crise há algum tempo, desde que me diziam que não podia ser isto ou aquilo, convivi com a crise em contas de sumir infinitas para ver como pagava luz, creche, fraldas e ainda assim pagava os óculos ou o seguro, convivi com a crise quando me congelaram a carreira, o salário, quando me deram férias em vez de aumento ao nível da inflação, quando tive familiares desempregados, quando a minha mãe olha para a pensão e vê que não chega para medicamentos, renda e mais alguma coisa, convivi com a crise quando me contavam histórias de sapatos com cartão a tapar buracos na sola, sardinhas para três e outras. Portanto a crise existe há muito tempo, tem vindo a ser alimentada, com o fecho de industrias, com o desmantelar da pesca, da agricultura, com o arrasar das dunas, dos pinhais, das florestas, dos olivais, dos sobreiros, para construir casas horríveis, estradas mal feitas e campos de golfe, entre outras coisas, mas parece que ninguém tinha dado por isso, ninguém a nível de quem toma estas decisões, então vá de cortar a direito. Onde?! Em quem?! Nos que já estão habituados, mas por outro lado, não habituados o suficiente para deixarem-se ficar, assim trezentos mil manifestaram-se, muitos mais se somarmos os que de todo não puderam manifestar-se, no seu espanto infinito, governantes clamaram pela concertação por oposição à contestação, o que eles não sabem é que todos daqueles que contestam também preferiam um sábado tranquilo para passear com a família, talvez ir ao cinema, levar os miúdos a um Museu, ao jardim Zoológico, ao Oceanário, fazer um fim de semana de Termas, aquelas que o médico recomendou, que não passam de uma miragem, preferiam sem dúvida que sentados a uma mesa: governantes, representantes dos trabalhadores e de empregadores medissem a justeza das medidas que se tomam das acções que se levam a cabo, que fossem atendidos os pedidos de quem leva para casa um magro salário em vez dos pedidos dos empresários da zona do país com maior concentração de Ferraris, que fossem apoiados os desempregados em vez dos bancos, que poderão continuar a somar os seus mais de cinco milhões de lucros diários, livres dos impostos que atormentam os comuns mortais…

Portanto não existindo mais ninguém a culpa deve ser minha, que meti na cabeça que todos devem de ter condições de trabalho, salário e reformas condignos, férias, educação e saúde gratuita, protecção social, livros mais baratos, habitação, cultura acessível, estabilidade no emprego, justiça célere e mais uma data de luxos…

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma sombra como a tua


Faz mais ou menos uma dúzia de anos que foste, não consigo imaginar para onde porque te sinto sempre presente nas coisas mais pequenas, num prato de caracóis onde disputávamos os alhos, nas casas brancas do Alentejo, nos barcos parados presos por ancoras mas sempre prontos a navegar, dando conta dessa vontade com aquele balançar mais calmo ou frenético conforme a maré e o vento, do Museu da Marinha onde me levavas vezes sem conta, sem nunca entrar no Planetário, dos barcos da Doca de Alcântara, as traineiras em Peniche, em Setúbal, em Sesimbra, o cheiro a sal, a peixe e é claro a tabaco, respirámos fundo vezes sem conta essa mistura, fresca mas quente, cheira-me a ti em todas as docas. Os barcos que desenhavas na orla do jornal, de frente, de perfil, com um corte, com medidas, no blocos das reuniões também, milhares de projectos de barcos. Também me lembro de ti sempre que ouço uma banda a tocar, e lembro-me das manhãs de domingos em que seguíamos atrás da banda, eu pela tua mão, a estremecer ao som dos pratos e tambores, lembro-me do cheiro a café e de estar sentada no meio dos teus amigos, com um livro de banda desenhada e um pacote de caramelos, caramelos da vaquinha, quadrados, de leite, pastosos e doces, lembro-me de ti no estranho hábito de desfolhar o jornal ao contrário, de fazer as palavras cruzadas, de arregalar os olhos quando é imprescindível marcar a nossa posição, lembro-me de ti no descuido pelo meu automóvel, que acumula pó, jornais meio lidos, papeis diversos, areia no tapete, coisas no porta bagagens, na sombra dos pinheiros mansos, no mar a brilhar com luz, na comoção com certos filmes, no amor por filmes de cowboys, por musica Jazz (também abano o pé), por espirituais negros, por crianças pequenas, pelas casas brancas do Alentejo, pelo nosso prato favorito, pela certeza das lutas e das causas.
Lembro-me de ti ainda no sentido de humor negro do meu filho mais velho, no olhar traquina e expressivo no meu filho mais novo.
Continuo com o aleijão, a nódoa negra da tua ausência, muitas vezes perante um assunto complexo, uma notícia, uma encruzilhada de vida, penso em falar contigo, em ouvir a tua opinião, vejo o teu andar noutras pessoas, uma sombra como a tua.