terça-feira, 8 de setembro de 2009

São rosas senhores!


Isabel de Aragão casou com D. Dinis, parece que ele era dado a outros amores, ela era dada a caridade, reza a história que dava pão aos pobres, à socapa, não percebo porquê, afinal era Rainha, mas pronto fazia-o, e o Dinis desconfiou daquelas andanças perguntou-lhe o que levava no regaço, ela respondeu: São rosas, Senhor!
Abriu o regaço, eram rosas.
Como milagre parece-me fraquinho, que mal tinha o pão? Tinha o mal de existir gente cheia de fome, lá isso era mau, continua a ser aliás, também me parece estranho o Rei preocupar-se com esta miséria da distribuição de pão, em vez de se preocupar com o povo esfomeado.
Por outro lado as rosas não são das minhas flores favoritas, gosto mais de outro tipo de flores, margaridas, túlipas, papoilas, embora nada tenha contra as rosas, são flores.
Entretanto os milagres das rosas, das distribuições, das transformações de coisas em rosas e rosas em coisas, continuam, com poucas diferenças cerca de sete séculos depois.
Continua-se a distribuir pão à socapa, só nas alturas de maior fome, esquecendo que a fome é distribuída a rodos por Barões e Condes, que enchem tulhas e cofres à sua conta. Quem manda continua a fingir que a fome se tapa com rosas, flores, comestíveis se acompanhadas de algo substancial, mas sem substância são só rosas, senhores!

12 comentários:

PDuarte disse...

muito bom este texto.
bj.

Maldonado disse...

Concordo plenamente.
A fome existe todos os dias, por isso é urgente combatê-la com medidas de fundo e não paliativas.
A caridade não resolve a pobreza...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E andam todos a brincar à caridadezinha, fingindo que estão preocupados com a pobreza e a fome, mas só abrem os cofres para ofertarem dinheiro aos bancos.

SENSEI disse...

7 séculos depois, eis que de novo as rosas substituem o pão de todo um povo, narcotizado pelas pesadas drogas do Grupo IMPRESA, RTP1, Média Capital, Impala, Controlinveste, Cofina Media Digital, etc., por sua vez propriedade de doutos Frankenstein bem conhecidos, como os Amorim, os Belmiro, os Mello, os Berardo, os Pereira Coutinho, os Luís Silva, os Espírito Santo, os Soares dos Santos e os Horácio Roque, donos exigentes, que de trela bem curta trazem jornalistas e chefes de redacção. No entanto passeiam com trelas douradas os seus animais de estimação, como o Sócas de raça rosa espinhosa e toda a restante ninhada, desde os de pedigree aos rafeiros de rua, que se pavoneiam arrogantemente e que procuram morder no povo quando este os contraria. Ainda uma espécie diferente, mais distinta, menos rapa pé, raça antiga com muitas reminiscências de um passado estado Novo, agora registados como xuxiais-demo-crátas, raça de aspecto limpo e próprio, mas falsa como se a falsidade por eles tivesse sido criada e, eventualmente foi-o.
Originária em Carneiro, chegou ao Cavaquistão, de casota em casota estilo BPN, lá vão procriando nos fundos, com a raça rosácea, originando bastardos com falsos pedigree, mas com a mesma raiva a Abril de 74 e a tudo o que o referencie.

Fui longo, eu sei, mas deixa lá, fazia tempo que por cá não comentava, embora lesse quase sempre.

Ouss

Adília disse...

De uma perspectiva feminista podemos concluir que a pobre rainha se dedicava a uma das poucas actividades que os padrões de conduta reservavam para as mulheres «bem nascidas» e aí não há muito a comentar, quanto à canonização não se perecebe porque apesar de boa rapariga revelava o velho «vício» feminino da dissimulação. Contradições eclesiásticas!

Diogo disse...

Enquanto não se encarar de frente que a tecnologia, a automação, a robotização e a informática está a acabar com o paradigma do emprego, continuar-se-á a apostar num mundo cada vez mais atulhado de pobres.

Beijo

Popper disse...

Belíssimo ramo. Abração.

zorze disse...

Ana,

Existem várias Fomes, todas elas o espelho da miséria enquanto Humanidade que dizemos que somos enquanto grupo e após séculos e séculos de existência, supostamente organizada.

Temos a fome envergonhada, numa das suas variantes, aquela das big city's, em que pessoas com "bons" empregos, andam kilometros para os outros não verem, e parar num café bem distante, para comer um rissol e um sumo. Hoje ainda é dia 8 e muitos milhares de situações destas ocorreram. O final do mês é muito distante e o salário já se esfumou em muitos destinos obrigatórios e repetitivos.

A fome que hoje mal se comeu e amanhã nem sei se irei comer. É o problema central do indivíduo ocupando todo o seu pensamento.

A fome de dias, que dizem os que a já passaram e sobreviveram que é diferente da de dois ou três dias. Na qual a mente já não prega apenas partidas, mas que, baralha todo o sistema já em falência e que todas as regras sociais de comportamento são anuladas.

A fome das crianças e que muitas delas o destino já lhes fica traçado. Seja no seu crescimento físico e na dor que lhes fica para o resto da vida, fora as que morrem por doenças geradas pela própria fome.

E também, há a fome induzida. A dieta, por vezes por questões de saúde, noutras por simples moda.

Há muitas e muitas fomes.
E num Planeta que dá todas as condições para alimentar todos e ainda mais quem viesse.
O problema é esta bicharada que o povoa que; não sabe, não quer e de má fé, não se sabe organizar nem distribuir. Apesar de ter umas ideias acerca do conceito.

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

Pduarte

Ainda bem que gostas!

Maldonado

A caridade é só um alivio de consciência, nada mais.

Carlos

Pois, esses são os verdadeiros beneficiários do estado.

Sensei

Estica-te á vontade.

Adilia

Não sei porquê a dissimulação é muito bem vista a esse nivél.

Diogo

Não será só isso, mas também.

Popper

"Ramo" ?

Zorze

Há muita qualidade de fome, muitissima, de qualquer das formas acho que não se resolve com flores escondidas.

Beijos

Adília disse...

Ana
Quanto à dissimulação deve ser reflexo da hipócrita moral judaico-cristã que aconselha:olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço.
De resto de acordo com essa moral, as mulheres só têm é de ser dissimuladas pois o que importa mesmo são as aparências, não esqueça o célebre: à mulher de César não basta ser séria...

Fernando Samuel disse...

O milagre das rosas foi um daqueles milagres só pra rei ver...

Um beijo.

Ana Camarra disse...

Adilia

Infelizmento convivo com "beatas" são as pessoas menos caridosas, menos verdadeiras, que mais odeiam, mais azedas, que conheço.

Fernando Samuel

Embora eu mantenha a opinião é que era muito mais milagre transformar flores em pão...

Beijos