Um barco como uma casa Uma casa como um ninho


Para quê explicar o inexplicável?
Para quê explicar o voo das aves
O tom de algodão puro das nuvens
A vertigem de querer
De não querer
A vontade de mudar o mundo
De mudar de sitio
De estar no mar e em terra
De adorar a noite e desejar o dia
Querer partir e ao mesmo tempo ficar
Querer porque se quer
O que vemos e tudo o que desconhecemos
De sentir um amante como um amigo
Que nos derruba como num assalto
Um amigo como um irmão
De sentir um barco como uma casa
Uma casa como um ninho
Um ninho como um mundo
O Céu como tecto, a terra como chão e
Um abraço como um porto

Comentários

SENSEI disse…
Gostava de partir, tendo Portugal como barco, o povo como o meu canto, feliz, alegre e positivista.
Mas nado sem este barco, nado numa corrente falsa, inexistente, não passa de um holograma criado para manter este meu canto silenciosamente confuso coadjuvado pela surdez e cegueira, acreditando e correndo atrás de ilusões puras, sem grande credibilidade, procura viver a vida que não tem, apenas o tempo lhe dirá, aquilo que outros que como eu, há muito sabemos.
As bóias desfazem-se ao lhes tocarmos, pois não passam de mais mentiras que parecem, mas não são.

Recuso esta corrente!
Vejo as bóias passar, sabendo que são apenas falsas imagens de salvação.
Olho e vejo, o barco está a 3/4 da linha de água, cada vez mais a borda se une e se funde com o horizonte aquoso, ali á minha frente, infelizmente ainda são muitos os que se debruçam para ver, não a realidade, mas apenas o que lhes dizem para ver, sem entenderem que o peso do seu medo patrocinado pela ignorância distribuída gratuitamente e, a sua curiosidade desprovida de conteúdo, apenas acelera o inevitável naufrágio.
Os capitães, no comando, dizem-lhes mais mentiras, abandonem as vossas conquistas, os vossos salários, os vossos direitos como produtores da riqueza deles, trabalhem aos sábados, domingos e feriados, abandonem as férias e o subsídio destas, esqueçam o 13º mês.
Assim, com este vosso esforço, garantirão os vossos postos de trabalho, assim como o bem estar do patrão e, colocarão este bem acima dos demais, o fosso será então abissal, mas nada tendes a temer, quem não pensa e vive na ignorãncia, não sofre, é garantido.

Não acumuleis riquezas na Terra, pois a Deus por elas darás contas!
Mas essas contas só aos pobres serão pedidas, pois existem ainda uns outros mandamentos:
"Não invejarás os bens do próximo"
"Não roubarás"
Noutro ponto ainda se pode ler:
"Apenas o trabalho te libertará"
"Arbeit Match Frei"

Não sei!... Acaso terá Hitler sido o verdadeiro Messias?

Apetece-me não lutar, por vezes, acho que este povo tem o que merece ter, a fome, o desespero, a angustia, penso que são roupagens que merecem vir a vestir, não sabem nem procuram saber, apenas abrem as bocas para serem alimentados com uma pestilenta papa, que parecem gostar de engolir.
Heróis do mar!... Cobardes em Terra!
Eis o POVO DE PORTUGAL!

Gostava tanto de estar enganado!... Mas sei que o não estou.

Ouss (Isto tem mesmo dias)
mugabe disse…
Texto de grande qualidade como sempre !

Abraço!
Adrianna Coelho disse…

"De sentir um barco como uma casa
Uma casa como um ninho
Um ninho como um mundo"


Eu gostei do poema, sód estquei essa parte pq achei linda demais.

um abraço

alma disse…
e querer partir com vontade de ficar...e sentir dôr profunda sem querer mostrar
e guardar cá dentro o sofrimento para mostrar só amor
e a nossa casa é o ninho, sim.
Ana Camarra disse…
Sensei-Não estava a pensar nisto assim, mas cada um interpreta da sua forma.


Mugabe-è o que me passa pela ginja

Adriana-Ainda bem que gostas!

Alma-O mundo também é a nossa casa.

beijos
Fernando Samuel disse…
...Um ninho como o Futuro...

Um beijo.
salvoconduto disse…
Que seja como um porto, aqui te mando um abraço, do Porto.
Ana Camarra disse…
Fernando Samuel-Também

Salvo-Que bom!Um bi-Porto.

beijos