terça-feira, 3 de março de 2009

Pára!




Pára um pouco!
Olha!
Olha ali mesmo aquele raio de sol a cair obliquo na água, eu sei que não cai na água, mas olha, é dourado quase que o podemos pegar com a mão.
Não conseguimos tocar-lhe, mas existe.
Respira, assim profundamente, como num sono justo, respira e deixa estar, cada vez que respiramos entram coisas em nós, cheiros, pedaços ínfimos de plantas, ar que já sustentou um voo, de uma ave migratória, que somos nós na mesma, à procura do nosso mar, primeiro, primordial, do nosso ninho, de ficar e de partir, de estar e ir.

Escuta!
Há sons dentro de sons no meio do silêncio, o suspiro final do amor, as patas de qualquer bicho incansável, o grito dos pássaros, outra vez, vozes, o rumor do mar, um choro, uma gargalhada, o estalar das árvores, a água a gotejar…ping…ping
Sente!
Sente tudo à tua volta, o vazio, a multidão, o silêncio, o frio, o calor, o doce, a traição, o cansaço, o desalento, a esperança, o vento, a raiva, o desejo, o mar, a fome, tudo, tudo ao mesmo tempo.
Toca-me por favor, segura-me pela mão, dá-me um abraço forte como uma muralha, toca-me com o olhar, reconheces-me assim pelo olhar?


15 comentários:

salvoconduto disse...

E eu hoje que por partida da vida não estava a sentir nada, de repente senti o meu lado esquerdo do peito bater melhor.

Reparo que provavelmente o meu comentário ao anterior post não entrou. Se calhar ainda bem porque era triste.

Abreijos

Kaotica disse...

Gostei muito, Ana.

Lúcia disse...

Schiuuu....
o teu texto bate, bate...
shiouuuu

mugabe disse...

Ana,...tu és uma romantica incorrigível !

Abraço!

Anónimo disse...

Pois, lindo como é costume e nós aqui vimos colher esta ternura bela que nos faz bem!
Um abracinho
Lagartinha de Alhos Vedros

Fernando Samuel disse...

Sentir tudo à nossa volta é mesmo o mais importante.

Um beijo.

Diogo disse...

Faz-me falta vir cá tomar um banho diário de humanidade.

Bom poema.

Beijo

Zorze disse...

Ana,

Hoje estamos numa de dar ordens ou de gritos direccionados?

Ao teu texto lindo acrescento pressente, adivinha, arrisca.

As experiências vividas não são sempre certeza de acontecimentos futuros.
Por isso a Vida e não só, não é, um caminho já parametrizado.
Supreende e apanha-nos de surpresa.

São as "rotinas" da Vida.

Beijos,
Zorze

Mar Arável disse...

O amor não tem fronteiras

mas um barco faz sempre falta

para desvendar infinitos

tangíveis

samuel disse...

"cada vez que respiramos entram coisas em nós"

Muito bom! Realmente, é bom passar por aqui...

Abreijos

utopia das palavras disse...

Sentir a cor, o silencio, o cheiro, o som ínfimo que seja, sentir o que bate ténue e forte dentro de nós...sentir, sentir tudo!

Bonito texto, Ana

Beijinhos

Ana Camarra disse...

A todos

Vou fazer uma formação daquelas inuteis, respondo-lhes depois.
Provavelmente a formação irá comer-me a inspiração como um glutão ou em alternativa irei fazer desenhos no meu caderno e sonhar que estou longe daquilo, muito longe...

beijos

SENSEI disse...

Como uma montra, transparemte!

Xôxos

Ouss

Ana Camarra disse...

Salvoconduto-Ainda bem! Mas olha não recebi mesmo nenhum comentário anterior teu.

Kaotica-Ainda bem.

Lúcia-De vez em quando bate-me!

Mugabe-Acho que sim, sou.

Lagartinha-Colhe o que quiseres, mi casa su casa.

Fernando Samuel-Senão estamos mortos ou não vivos.

Diogo-Estragas-me com mimos!

Zorze-Sou pouco de dar ordens, gritos, por vezes, são duas boas sugestões as tuas.

Mar Aravél-Infinitos tangíveis são fundamentais.

Samuel-E entram.

Ausenda-Sentir é fundamental.

Sensei-Uma montra?!

Beijos

Adrianna Coelho disse...


eu parei aqui
olhei essas palavras que iluminam sentidos
até escutá-las todas
e sentir tanto cada sentido
que percebi que meu coração
é que foi tocado.

um abraço, ana!