sábado, 6 de dezembro de 2008

Agridoce...



Uso muito esta palavra agridoce.
Acho que a vida é assim agridoce, como a morcela com ananás que como todos os sábados da Festa do Avante, sempre com o mesmos amigos. A morcela é picante, tem um travo forte de especiarias, o ananás é doce fresco e sumarento…sabem como a vida!
Comecei o dia como planeado, com um funeral, o dia chuvoso cinzento, a dor sempre a dor de vermos partir alguém que nos é querido.
Ao mesmo tempo o resto, pessoas que não vemos há muito tempo que nos abraçam, que se lembram “Tinhas cinco anos…”, “Tens a mesma cara!”…
Um ar de vergonha, por estes pedaços de alegria num dia que começa assim cinzento e chuvoso, na rua e por dentro de nós.
Depois parto, inicia-se a roda de compromissos, uma Festa de Natal, de um Jardim-de-infância.
A sala é pequena, fervilha de vida, no palco as educadoras vestidas de formigas, cigarras e flores, dançam e ensinam outras coisas.
As crianças batem palmas, trepam para colos e cavalitas, no corredor desenhos e trabalhos, alguns a dormir nos carrinhos.
A vida, vida em contraste com a morte do princípio.
Tal como a morcela com ananás dos Açores, agridoce!

12 comentários:

Fernando Samuel disse...

Agridoce é uma palavra bonita - bonita como a Vida, também ela agridoce...


Um beijo.

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Como a vida, como a morcela com ananás dos Açores....

Um beijo camarada

duarte disse...

abraço para ti camarada.
que a vida te reserve muitas doçuras...
duartenovale

Maldonado disse...

É uma curiosa comparação... :D
Tenho que experimentar esse petisco, um dia desses... ;)

Utopia das Palavras disse...

É assim, amiga
a vida...
doçe e terna
amarga e dura
e com tudo isso
vale a pena vivê-la...
sempre!

Um beijo grande

Ana Camarra disse...

duarte-a ti também camarada.

Maldonado-Mas tem de ser dos Açores, não são iguais ás de cá, as morcelas.

Ausenda-Claro que vale sempre a pena!

Beijos

Zorze disse...

Ana,

No dia do funeral, já não vemos ninguém partir, vemos o invólucro usado por uma consciência que nos deixou memórias. O Ser já partiu uns dias antes aquando do último sopro de vida material.

Em alguns casos, ocasião muito rara, o próprio se vê no seu funeral, mas isto, são outras histórias.

Às vezes em cemitérios mais antigos, pode ocorrer um fenómeno de vermos a nossa própria campa (uma vida passada). Como Portugal é um País antigo e tem o culto do cemitério isso acontece às vezes.

Depois trazes as crianças, o equilíbrio. Um agri-doce, tipo um yin-yang equilibrativo.

A natureza é mesmo isso. Equilíbrio.

Beijos,
Zorze

P.S.: Adoro morcela, um dos prazeres físicos.

Ana Camarra disse...

Zorze

A vida é mesmo assim, os prazeres terrenos, as chatices, as tristezas e as gratificações.
Também se assim não fosse teria alguma piada?!

Beijos

Lúcia disse...

Simples texto contendo as voltas que a vida dá. A morte como princípio - a morte como fim. E o resto são as nossas voltas...

Beijos

Lúcia disse...

Simples texto contendo as voltas que a vida dá. A morte como princípio - a morte como fim. E o resto são as nossas voltas...

Beijos

Diogo disse...

It’s just a ride (como define a vida alguém que não recordo o nome). Uma pirueta fugaz no relógio da eternidade. Simultaneamente sinto-me um puto e um velho. Shit!

Beijo

Ana Camarra disse...

Lucia-A morte faz parte da vida, não é?

Diogo-è assim sentimo-nos sempre assim...

Beijos