terça-feira, 28 de outubro de 2008

Hoje sei que as nuvens são só gotas de água suspensas.




Hoje sei que as nuvens são só gotas de água suspensas.
Durante muito tempo achei que eram outras coisas: fumo das chaminés das fábricas, dos escapes e dos cigarros; uma substância concreta em que se podia tocar, com muita sorte até deitarmo-nos lá, agarrar em bolas como a neve e arremessar uns aos outros; ainda cheguei a pensar que se podia usar como trampolim e que poderiam ser fofas e elásticas…
Parvoíces de menina, que se entretinha a ver formas de animais e coisas nas nuvens, que tinha simpatia pelas nuvens branquinhas que salpicavam o céu muito azul, pelas outras desciam até nós com forma de nevoeiro, que apesar de frias e húmidas eram uns pedaços de céu cá em baixo, dando um ar de mistério, com o seu ar de bruma, simpatia ainda pelas nuvens que discutiam umas com outras riscando céu com raios de luz, acompanhados sempre pelo estrondo dos trovões, ainda hoje gosto de assistir a esse espectáculo.
A primeira vez que vi nuvens por cima, sentada num avião a primeira ideia que me ocorreu foi em estender a mão e recolher um pouco.
Hoje sei o que as nuvens são, gosto mais do céu azul, mas também gosto de certas nuvens.
Não gosto de outro tipo de nuvens, as nuvens que nos vão ensombrando o futuro, nuvens pesadas de ameaça e de cinzento, nuvens que teimam em tornar tudo mais negro, quase que á força, roubam o sol, não trazem tão pouco chuva, trazem só tristeza, injustiças.
Essas ando sempre a sopra-las…

21 comentários:

Anónimo disse...

Estás triste Ana?
Vou recordar para ti a canção que Zezé cantava para Luís, para te animar

"Você sabe de onde eu venho
é de uma casinha que tenho
Fica junto de um pomar...
É uma casa pequenina
Lá no alto da colina
E se vê ao longe o mar..."

Reconheces?
Um livrinho que é uma ternura, "O Meu Pé de Laranja Lima"

Lembras-te quando ele diz:

" E foi assim que eu ganhei a minha roupa de poeta E fiquei Lindo"

Uma boa tarde para ti

Abraços da Lagartinha de Alhos Vedros

Ana Camarra disse...

Não Lagartinha, não estou triste
Mas há sempre nuvens, umas boas, outras não.

O Meu Pé de Laranja Lima, provocou-me um choro incontrolavél, identifiquei-me muito com aquele menino, quando lhe cortam o amigo.
È o fim da infância.
Mas não me lembrava do livro se não tivesses falado nele...

Obrigado

Beijos, Lagartinha

salvoconduto disse...

O teu sopro só não chega, são precisos muitos mais, mas podes contar com o meu.

Abreijos.

M. disse...

Gostei deste texto, Ana.
E já agora do anterior do "se eu conseguisse" também. :)

M.

Ana Camarra disse...

salvoconduto - è bom saber-me tão bem acompanhada, malta de folego!

m.

Ainda bem que gostas.


beijos

José Gil disse...

Se é para soprar nuvens contem com o meu sopro também.

E já agora um beijo

SENSEI disse...

Cúmulos, cirros, stratos, com algumas variações acrescidas, estas são as 3 formas básicas de nuvens naturais. Contudo, existem outras nuvens, menos naturais e mais persistentes, são as nuvens que nos são colocadas por seres infelizmente pouco credíveis, como governantes e afins.
Mas formemos nós próprios as nossas nuvens e, arremessemo-las contra as deles, vamos provocar uma trovoada e das fortes, tão fortes que o mundo há-de ouvi-la e, ficar a saber, que neste rectângulo, na extrema da Europa, ainda há gente que sabe dizer não!... Sei bem por onde quero ir!... E POR AÍ NÃO VOU!

Xôxos

Ouss

Diogo disse...

Há nuvens que nos fazem sonhar e há nuvens que nos fazem gelar. O que me custa é que nos as possamos transmudar devido à ignorância, estupidez e cobardia.

Os textos e a música deste blog são tão agradáveis!

Beijo

Ludo Rex disse...

Quem em criança não olhou para as nuvens e brincou às formas? Bons tempos... As outras, as nuvens negras e cinzentas, lutamos todos os dias contra elas... Todos!
Kiss Grande

poesianopopular disse...

Ana
Vamos precisar de muito folgo para sopra-las, mas iremos vencer!
bjos
Este acordeon parece-me Astor Piazzola, será?

Ana Camarra disse...

Zé Gil

Por vezes as nuvens que considero ameaçadoras, o Zé considera benéficas e vice-versa, por isso não sei se não sopraríamos em direcções contrárias…
Mas o que conta é a intenção!
Por isso muito obrigado.

Sensei

Pois tu sabes esses nomes técnicos e sempre que preciso pergunto-te, eu sei só as que gosto e as quer não.

Diogo

Boa analise das nuvens!
Quanto ao blogue faz de conta que estás em casa!


Ludo

Pois temos que continuar a lutar.


José (Poesia)

Todos juntos temos muito fôlego.
È Piazolla sim senhor, adoro!

Beijos

Dr. Alban disse...

As novens são do melhor

utopia das palavras disse...

Gosto de nuvens doces
verdadeiras...
das de cor cinza vulcão
NAO!!!!!
Gosto de nuvens de algodão
das que fazem trovão
NÃO!!!!

Beijinhos
ausenda

marreta disse...

As nuvens que nos assombram o futuro também não gosto, mas as nuvens físicas que nos ensobram o sol gosto. E se for acompanhado de uma grande chuvada num dia de manhã em que não vá trabalhar, então é divinal!
Saudações tempestivas do Marreta.

P.S.: Mudei de poiso. Agora estou em "marreta.wordpress.com".

Zorze disse...

E por trás das nuvens escondem-se as naves. Algo que ainda tento entender.

Nuvens e nevoeiro. Lembrei-me da minha professora de filosofia e que fez-nos uma questão, quiçá, pertinente para todos.

Imaginem um nevoeiro tal que só veríamos as pessoas do joelho para baixo?

É muito interessante ver as respostas.

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

Dr. Alban

As novens não sei…
As nuvens são como são.


Ausenda

Eu até gosto das que trazem trovão.


Marreta

Pois esses dias de chuva e nós no choco até é bom sim senhor.
Já sei que mudaste!

Zorze

As naves, nunca vi!
È uma questão interessante essa da tua professora, podíamos ter a sorte de nos deparamos com pernas de atleta mas se nos deparássemos com alguém sem pernas, eu conheço alguém sem pernas!

Beijos

Anónimo disse...

Amiga

Eu também posso ajudar, se quiseres, sopro também!

Beijos

Zé Manuel

Fernando Samuel disse...

Bonito:
Nuvens do nosso contentamento,
Nuvens do nosso descontentamento...

Um beijo.

Zorze disse...

Ana,

Víamos dos joelhos para cima. Ou então os sticks das muletas.
O pensamento era outro. A filosofia era outra.
Também conheço pessoas sem bracinhos. E algumas que queriam comprar outra cabeça, se isso fosse possível.

Anocas, o ponto que queria atingir era mais do tipo mental.

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Tantas nuvens, caramba!

Zorze

Eu percebi,m estava a brincar.

beijos

Tixa disse...

Gostei muito do que li, recomendei no google + e passei a segui-la.