sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não gosto de amores desesperados


Não gosto de amores desesperados, só nos versos de Neruda e nas peças de Shakespeare, todos os outros não gosto, acho que os amores, as paixões, as ternuras devem de ser alegres, cúmplices, felizes, acima de tudo compensadores, sob pena de não valerem a dita pena.

Na vida real Romeu e Julieta deveriam ter fugido para outra cidade, evitando mortes, venenos, golpes de espada, gosto de pensar que poderiam ir para uma cidade de pores-do-sol rosados, onde se amariam entre gargalhadas, António e Cleópatra também, fugiriam para outro sítio, uma ilha qualquer no mediterrâneo azul onde mergulhariam nus entre beijos molhados, deixando para trás tronos e serpentes venenosas.

Os amores devem de ser assim como um local onde nos sentimos muito bem, confortáveis, com inquietações felizes, nunca desesperadas, o desespero cansa, desgasta, a alegria renova, os amantes devem de se provar sempre como da primeira vez, com vontade, com um sorriso, seja nos lábios seja no fundo dos olhos, as carícias devem ter algo de brincalhão, os abraços devem de ter alegria para poderem ser aceites com beijos felizes, esfomeados mas felizes.

3 comentários:

Diogo disse...

Se podíamos viver sem amores desesperados? Podíamos. Mas não era a mesma coisa…

Beijo

Fernando Samuel disse...

No entanto, lá dizia o Proust que «a felicidade é no amor um estado anormal»...

um beijo.

Anónimo disse...

Amo mesmo o amor!
Ainda bem que existe!


Um abracinho

Lagartinha de Alhos Vedros