quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fica só


Fica aqui ao pé de mim, naquelas conversas, simples,
Só nossas, quase sem palavras, só olhar, só o toque,
A presença, o sorriso no fundo do olhar ou então
Diz-me qualquer coisa,
Diz-me porque é que sorris para mim,
Porque é o mar é azul,
Porque é que gostamos de ruínas á beira-rio
Douradas pelo sol a despedir-se,
Diz-me como é que as aves se sustentam no vento,
Porque é que os peixes gostam de nos assustar,
Porque é as mãos se encaixam,
Porque é que o tempo passa
Tão depressa
Que ainda ontem era
O inicio da Primavera dos
Sentidos
E agora
Acaba o Verão, ou
Pelo contrário
Como é que o tempo passa tão devagar
Que escorre oleoso e lento
Numa ampulheta estrangulada,
Quando queremos que chegue outro dia,
Outra hora,
Outro instante qualquer
Ou então não digas nada
Fica aqui só
Ao pé de mim

7 comentários:

Zorze disse...

Ana, Ana...

"Porque é o mar é azul,", eu sei lá, o céu é azul, deve ter algo a ver...

"Diz-me como é que as aves se sustentam no vento", talvez abram as asas...

"Porque é que os peixes gostam de nos assustar", esta tem um quê de macabro, macabrioleces, digo eu.

"Porque é que o tempo passa", o tempo passa? o que andou a fumar? passou-se...

"Acaba o Verão, ou
Pelo contrário", deixa-me adivinhar esta! Inverno, acertei!

"Como é que o tempo passa tão devagar
Que escorre oleoso e lento
Numa ampulheta estrangulada", já ninguém se lembra do shampôo de ovo, quanto a ampulheta pega nela e dá~lhe umas cacetadas que depois volta a funcionar. Mas se tiver muito estrangulada, o melhor é dar-lhe um xanax.

"Quando queremos que chegue outro dia", muita gente não quer que chegue outro dia.

"Ou então não digas nada
Fica aqui só
Ao pé de mim", fico e não digo nada, apenas estou contigo.

Beijo.

Fernando Samuel disse...

Talvez a última seja a melhor hipótese...

Um beijo.

Licínia Quitério disse...

Bela escrita a sua. Parabéns. Voltarei.

Joana Aguiar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cah. disse...

Sempre bom passar por aqui e ler seus textos que sempre são lindos.

Beijos

Joana Aguiar disse...

Cara Ana
O meu nome Joana Aguiar e sou aluna de Doutoramento em Sociolinguística na Universidade do Minho. A minha tese intitula-se: "Mecanismos de conexão frásica: a importância dos factores externos" e visa observar de que forma os factores idade, escolaridade e género influenciam a utilização de estruturas de coordenação e subordinação (entre outras) em textos escritos com características argumentativas. Para tal, estou a recolher textos com características argumentativas da blogosfera e preciso da sua autorização para utilizar os seguintes textos da sua autoria:

http://anacamarra.blogspot.com/2008/10/povo-programado.html

http://anacamarra.blogspot.com/2009/12/natal-solidario-solitario-ou-de.html


O objectivo é codificar cada oração para, em conjunto com outros textos, fazer uma análise sociolinguística; não é analisar a capacidade de escrita, nem o conteúdo. Os textos foram escolhidos pela sua extensão. Sempre que haja menção a excertos dos seus textos (ou ao texto completo), a origem será sempre referida.
No caso de permitir a sua utilização, pedia-lhe, também, que me confirmassem os seguintes dados:
Intervalo etário: 20- 45 anos/ > 45 anos
Habilitações literárias: Ensino Secundário/ Superior
Muito obrigada.
Com os melhores cumprimentos,
Joana Aguiar
ijoana.aguiar@gmail.com

Mar Arável disse...

e os teus lábios encarnados

serão pássaros de esperança