terça-feira, 19 de outubro de 2010

Depois volto...


Não fugi para parte incerta, embora muitas vezes pense nisso, só em partir sem saber onde e como chegar, como se partir fosse só por si a aventura e a vontade sem mais nada anexo, só partir, sem ancoras nem bagagens, nem pedi asilo político a nenhum paraíso das Caraíbas com charutos enrolados, bebidas ambarinas e praias de sonho, embora já me tenha passado essa ideia pela cabeça e concluído se esta Europa civilizada só me dá desgostos, talvez possa procurar outra coisa qualquer em vez de ficar e sofrer indignar-me e lutar sempre, mas lutar assim todos os dias também cansa, cansa mais quando parece que a maré, o vento e a corrente estão sempre contra, sempre contra e a praia até está ali mesmo mas não se chega lá.

Também não fugi para dentro do meu mundo pequeno, pessoal e egoísta, acho que nem sei fazer isso, nem quando devia consigo, centrar-me só em mim, nos meus, nos meus pequenos prazeres, nunca o consegui fazer, as injustiças sempre me afligiram, em miúda não gostava de ir ao circo dava comigo a perguntar onde dormiam aqueles meninos mascarados de lantejoulas, que por baixo das pinturas tinham sempre um ar triste.

Não fiz nada disso, apenas de vez em quando, deixo cair, esqueço-me de ouvir que apesar de tudo ainda há risos de crianças, distraio-me ao ponto de não me maravilhar com voo inquieto de uma ave, com os cheiros felizes da vida, com o carinho ensurdecedor de um sorriso, depois volto, já cá estou.

3 comentários:

Zorze disse...

Ana,

Foge, e foge para bem longe, tens muitos "vampiros" que te sugam, a esta altura já deves saber, as coleiras conscienciais que drenam dia-a-dia a tua beleza.
Se não sabes, é um grande azar teu, viveres de olhos fechados, cada um constrói a sua sorte. Mesmo que, a não tenha nas suas mãos.

Eu não te ligo, para não te sugar. Devo ser daqueles poucos que não te ligam, mesmo sabendo, que às vezes, possas precisar.

Quando precisam de ti, talvez, precises de alguém, e mesmo não precisando, podes porventura de precisar, naqueles momentos em que não precisamos de ninguém, é preciso que quando precisem procurem outros que precisam de ajuda, e outros, e outros se precisem uns aos outros.
Nem que, se estraguem uns aos outros.

Beijocas.

Maria disse...

Não te canses, Ana. Não deixes que o cansaço te vença. É disso mesmo que eles estão à espera: que nos cansemos!

Beijo.

Fernando Samuel disse...

E isso é o mais importante: voltares...

Um beijo.