sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Apontamento


Já escureceu e eu escrevo numa folha, já usada de um lado, uma lista de coisas de que não me devo esquecer, coisas simples, o pior do que tinha para fazer no imediato está feito, pelo menos em marcha, na minha cabeça surgem logo outros projectos, acabo por monitorizar a família via telefone, o dia foi recheado como deve de ser, coisas fascinantes, algumas que oscilam entre o ridículo e o hilariante, uma ou outra mais bichosa, penso que o dia funciona quase como uma caderno de notas, páginas apaixonadas, página banais com as compras de semana, discursos escritos e reescritos, pensamentos soltos, pensamentos mais elaborados, desejos secretos, coisas que já aconteceram mas que ainda assim precisamos de as transformar em algo indelével, mesmo que um dia mais tarde me esqueça onde guardei o caderno ou que ele fica apenas no fundo de uma pasta, o bloco dos rascunhos dos rascunhos onde um dia escrevi algo importante, como hoje.

2 comentários:

Fernando Samuel disse...

Assim se faz a história de cada dia - dos dias...

Um beijo.

SENSEI disse...

Eu também guardo bem as coisas, tão bem que raramente as volto a encontrar.
Um dia após o outro e até ao próximo, onde tudo parece recomeçar, sem nunca nada ser o mesmo, embora em rotinas iguais, sempre novas, como o dia seguinte.

Ouss
Sensei