Quando se regressa tudo é familiarmente estranho, os objectos conhecidos parecem ter outra dimensão, as coisas parecem-nos maiores ou pelo contrário menores, o facto de nos afastarmos delas não as apaga, apenas conseguimos criar distância, o que pode ser bom ou até mau, por vezes a distância ajuda a ver tudo de um prisma muito diferente, os obstáculos intransponíveis passam a pequenos montes de areia, as coisas muito importantes ficam assim como formigas, uma coisinha pequena, ligeiramente incomoda, outras vezes a distância é em si própria a única coisa intransponível, afastamos-nos como um barco levado pela corrente, sem ancora que nos segure e prenda, depois adquirimos o gosto pela corrente, pelo imprevisto do caminho, não conseguimos, não temos vontade, de regressar ao tal porto, que foi o nosso sitio, onde agora é tudo estranho, voltar é assim algo que nos é imposto e escolhido, um magnetismo, um fluxo de maré ou nem por isso, talvez um hábito, os hábitos são rotineiros, desgastantes, vulgares, ordinários, cansativos, se for uma escolha, tem de guardar em si a ruptura com a insatisfação, tem de trazer exactamente o prisma do olhar que nos fez o regresso apetecível, a saudade do prazer já provado mas ainda não gasto, quando se regressa com prazer á festa do reconhecimento.
Regressei.

Regressei ao sítio a que chamei casa, que é assim um sítio, um lugar onde vivo dentro de mim.
Regressei.

Regressei ao sítio a que chamei casa, que é assim um sítio, um lugar onde vivo dentro de mim.
Comentários
Abraço
Belo
Um beijo.