segunda-feira, 17 de maio de 2010

Moral e Religião




Nunca fui aluna de Moral e Religião, quando iniciei a instrução primária fui colocada no Colégio Barreirense do Prof. Seixas, já velhote mas ainda assim com ideias pedagógicas avançadas, especialmente se comparadas com o Ensino Primário do Fascismo, de qualquer das formas fui poupada às Serras Nacionais, ao cognome de todos os Reis, aos ramais de caminho de ferro de Portugal, o Portugal uno e grandioso do Minho a Timor, que nunca existiu, até porque logo em Abril, a dia 25 acabou o Regime, felizmente.
Quando transitei para outros níveis de ensino, nunca tive aulas de Moral e Religião, por escolha própria e com apoio paternal, afinal o meu avô paterno teve a postura vanguardista de não baptizar as filhas, declarando que a escolha de uma religião devia de ser feita por alguém na posse das suas faculdade e não por um recém nascido, assim foi, a minha tia mais velha acabou por se tornar católica, primeiro muito praticante, depois desconfiada com a Igreja enquanto instituição, facto a que não deve ter sido alheio a postura de um cunhado, Padre, que de facto vivia em comunhão total e carnal com uma senhora, a minha outra tia teve assim uns picos religiosos, pouco convictos, a minha mãe acabou-se-lhe o fervor quando no confessionário, teria ela uns doze anos, o Padre lhe perguntou se já tinha feito isto e aquilo no seu próprio corpo ou no dos rapazes… Coisas que a minha mãe desconhecia de todo, saiu de lá baralhada e confusa, eternamente ressentida. O mesmo Padre que apelando à decência não deixou a minha vizinha do lado casar sem luvas calçadas…
Acresce dizer que as três foram baptizadas para puderem concluir a 4ª Classe, a turma era levada inteira porque de facto a religião não era muito popular, a madrinha era a Nossa Senhora, o Padrinho o São José e pronto.
Portanto nunca tive aulas de Moral e Religião, até porque um dos professores Moral tinha pouca e Religião só falava de Católica ficando indignadíssimo quando alguém procurava saber um pouco mais sobre os hindus, os protestantes, os muçulmanos, ou outra coisa qualquer. Por essa altura, um dos meus primos sentia-se deslocado porque era o único da turma a não frequentar tal disciplina e inscreveu-se, em má hora, porque o Professor ao detectar que o meu tio exercia um cargo em representação do PCP, vocacionou todas as aulas para o insultar e humilhar assim o meu primo, o resultado foi que praticamente toda a turma anulou a disciplina, num acto solidário.
O conceito de Moral e Ética foi-me assim incutido, não por temor ao divino ou porque se espera uma recompensa posterior, mas porque se deve de agir correctamente, apenas e só.

4 comentários:

+uma disse...

Olá, gostei para além do som...
Tudo isto me fez recordar aquando puto e nas aulas de religião e moral cá o menino saltava pela janela com mais um ou outro, agora percebo... eh eh eh Bjs.

Fernando Samuel disse...

E assim encontraste a verdadeira moral e a verdadeira ética...

Um beijo.

Zorze disse...

A religião tem a sua própria moral, que é imposta e sem hipótese de questionamento. É cultivada a adoração, o seguidismo e a obediência. Sempre na base da manipulação das emoções.
Se se analisar correctamente a história factual, as religiões foram "uma das" piores coisas na história da humanidade.

Beijo,
Zorze

Zé do Cão disse...

Gostei, já anda a necessitar de umas aulas de moral.
Gostei de ter lido que o padre obrigou a noiva a casar de luvas calçadas. Luvas era um luxo nessa altura, bem como estava em moda o pedir emprestado esses complementos, bem como "estólas", chapéus para as senhoras, enfim... Eu uma emprestei a um noivo uma luvas. Mas como o gajo não tinha o indicador direito de uma das mãos, enfiou uns bocados de jornal para que o dedo fosse esticado. O pior é que com o entusiasmo molhou a luva e vi-me à rasca para tirar o papel lá de dentro.

Jocas