Coisas que me continuam a lixar independentemente do dia da semana


Já é segunda feira e ainda assim se o dia de ontem acabou com um pretenso documentário histórico, uma informação errada da box da Zon relativa a uma coisa que eu queria ver e que não deu na hora indicada, o dia inicia-se com uma sensação de cansaço à qual não deve ter sido alheia o ritmo do fim de semana no qual se acumularam as mil e uma coisa que remetemos para o mesmo por falta de tempo, a maior desculpa dos tempos que vivemos, a falta de tempo, uma estupidez porque o tempo não se agarra e temos sempre o minuto seguinte a este para usar, temos tempo para parar se quisermos ou se nos for imposto, acabamos por ter tempo para uma data de coisas que dispensávamos e em última analise o tempo não passa nós é que vamos passando por ele e o “nosso” tempo é o tempo em que estamos vivos. Feita esta observação parva que em nada contribui para a minha felicidade nem para os demais devo de acrescentar que para além de ser uma pessoa sem tempo, sou uma pessoa sem médico, o que é normal num país em que todos os cidadãos são “sem-qualquer coisa”, existem sem abrigo, sem direitos, sem reforma, sem salário, sem estarem ao alcance da justiça, sem escola, sem Hospital, sem Centro de Saúde, sem Maternidade, sem regalias sociais de espécie nenhuma e claro sem médico, ainda assim estou na categoria do menos mal. Outra vertente da filosofia nacional, antes morto que estropiado, antes aleijado que morto, antes pobre mas honrado, antes no talho do que na farmácia, antes na farmácia do eu na funerária, no meio do azar todos temos sorte, deve ser do clima. Agora iremos ter a sorte da visita papal, sorte porque pode ser que nos cubra com o manto infindável dos desígnios insondáveis do senhor e se o Papa antes de ser Papa fez vista grossa a abusos sexuais de menores dentro da Igreja e se depois de ser Papa deixa que diversos sacerdotes se vitimizem pela Igreja ser acusada de tais desvarios, pode ser que passe uma esponja por imensos desvarios nacionais, casos de pedofilia estagnados, porque sim também os temos, negócios poucos claros de sucatas, Centros Comerciais ou submarinos, caixas de robalos e escutas que afinal não existem, um buraco financeiro enorme que se pretende curar com a estagnação total de toda a economia coadjuvada com os 75euros, logo agora que eu precisava de comprar uns sapatos de ténis, portanto hoje para começar o dia para além do computador trabalhar aos soluços ora tendo ora não tendo rede, deparo-me com a noticia de que os médicos poderão vir a ser pagos por objectivos de produtividade, tipo come se tivessem a fabricar carcaças ou a encher chouriços, ainda não percebi como vai ser efectuado o controle da produtividade se é pelo maior número de consultas em menor espaço de tempo, se é pelo número de gripes, treçolhos e panarícios atendidos, se em cada cem doentes se tira o apêndice a 5 e a vesícula a 4, seja ou não necessário e isto sinceramente chateia-me.

Comentários

Fernando Samuel disse…
Deixa lá, são eles a brincar... com a nossa saúde...

Um beijo.
Capitão Merda disse…
Não passa de fogo-de-artifício.
Ana disse…
Oh Ana

Se eu te contasse os "sens" que eu sou!! mas tb fui sem médico (pq o meu médico estava doente, imagine-se, o médico doente, só mm neste país é q os médicos adoecem!).
Mas há muito mas coisas que eu sou "sem"!!
Bj, Ana
Joana Aguiar disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Zorze disse…
Ana,

Esta semana foi sem dúvida, vamos lá agreste. A contar pela energia que senti pelos teus posts.

Acerca da questão da Igreja e do Vaticano, por vezes ainda me questiono como ainda as pessoas debatem o assunto.
Será que ainda não repararam que quase todo o património imóvel da Igreja provém de roubo e secular?
E as jóias depositadas em cofres de bancos um pouco por todo o mundo?
Será que foram compradas com base em preço justo e de dinheiro suado de labor diário?
E as supostas bruxas queimadas vivas pela Santa Inquisição?
E as milhentas incongruências destes santos senhores, que proclamam as suas verdades, como se o mundo dependesse das suas verdades?

Vou-me ficar por aqui, não pretendo ferir susceptibilidades.

Beijoca,
Zorze
Joana Aguiar disse…
Bom dia.
O meu nome Joana Aguiar e sou aluna de Doutoramento em Sociolinguística na Universidade do Minho. A minha tese intitula-se: "Mecanismos de conexão frásica: a importância dos factores externos" e visa observar de que forma os factores idade, escolaridade e género influenciam a utilização de estruturas de conexão frásica em textos escritos. Para tal, estou a recolher alguns textos da blogosfera e preciso da sua autorização para utilizar os seguintes textos do seu blog anacamarra.blogspot.com
Povo Programado
Natal Solidário, Solitário ou de pechisbeque?

O objectivo é codificar cada oração para, em conjunto com outros textos, fazer uma análise sociolinguística, não é analisar a capacidade de escrita, nem o conteúdo. Os textos foram escolhidos pela sua extensão e pelas suas características (pelo teor argumentativo). No caso de permitir a sua utilização, pedia-lhe, também, que me confirmassem os seguintes dados:
Intervalo etário: 20- 45 anos/ > 45 anos
Habilitações literárias: Ensino básico / Secundário/ Superior
Muito obrigada e parabéns pelo blogue,
Joana Aguiar
sociolinguisticando.blogspot.com