domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um homem muito brasa...

Lembro-me de ser miúda e cantar em coro “Aí quem me dera ter um homem muito brasa, para meter na mala e levar para casa!”, confesso que nem sequer fazíamos ideia do que fazer com o tal homem muito brasa, nem da comparação com o fogo, na altura acho que o rapaz de barbas dos Bee Gees era uma brasa, o Travolta era magro vestia fatos brancos e era uma brasa, antes disso terá sido o Paul Newman, o Al Pacino também foi brasa, apesar de ser um homem vulgaríssimo, para a minha avó terá sido quem: o Rudolfo Valentino, espero que tenha sido o Burt Lencaster! Não sei!
Sempre gostei dos “outros homens” os que não apareciam assim no topo da selecção de brasas nacionais e internacionais, sei lá, o Marlon Brando era lindo no “Há lodo no Cais”, acabou como uma caricatura de si mesmo, o Jack Nicholson continua a ter um de doidivanas que é sedutor, homens desalinhados, com o tempo aprendi que as brasas que aquecem a vida das mulheres são outras, um homem feio pode ser fascinante, falar da vida com as mãos no ar, num gesticular fascinante, um careca baixinho a falar sobre musica como se a respirasse, pode ser uma coisa sexy, esses homens mais do que abdominais perfeitos e sorrisos pepsodentes, acabam por ter outras coisas, mais quando conseguem transmitir a uma mulher que ELA é a única, assim como a tal tampa feita por medida, quando não assim tão confiantes que galem com os olhos tudo o que é fêmea num raio de duzentos metros, que nunca, nunca se dão ao luxo de fazer publicidade, mesmo que não seja enganosa, a verdade é que esta semana passei por um dos homens brasa do meu tempo de secundário, na altura tinha assim uma poupa, vestia a roupa da moda e tinha estilo, não dizia nada de jeito, agora tem barriga, tenta fazer a poupa mas tem falta de cabelo, tem o estilo de quem parou no tempo, falou comigo cinco minutos onde não disse nada de jeito, referiu-se “aquele tempo” como o melhor da sua vida, o que achei triste, confessou que “esta musica de agora é só barulho”, repetiu o tique de afastar a tal poupa que é uma sombra triste daquilo que foi, só me lembrei da minha amiga que suspirava por ele nos corredores, que hoje é uma mulher com carreira, continuou a evoluir, já não usa o penteado como a Farrah Fawcet, escuta musicas de agora, ainda bem que não se deixou queimar por aquela brasa…

5 comentários:

Diogo disse...

Pois eu tinha um fraco pelas mulheres do Woody Allen - a Diane Keaton, a Mariel Hemingway e a Mia Farrow, quando eram mais novas.

Zorze disse...

Ana,

Isso das brasas pode queimar!
E como bem referes o tempo esfria muitas brasas. São os sintomas do tempo...

Na minha óptica de "ver", dou mais importância ao ser espiritual, ao interior, à personalidade e à pessoa humana.
Sem claro, não descurar, que se uma moçoila tiver um peidolim daqueles, meio caminho já está percorrido.

Beijos,
Zorze

duarte disse...

olá ana.
nunca tive muito jeito para avaliar "brasas". quando uma dessas se cruza no meu caminho, normalmente paro, escuto e olho...
não vá eu ter de levar com a pesada mecânica de uma mente a carvão. gosto do sorriso, da amizade, de momentos em que a cumplicidade nasce espontânea e livre. quanto a paixões , tenho muitas, todas tão diversas quanto a diversidade que o belo tem.
num festival aqui bem perto, fiquei louco com a voz de uma galega, noutro foi a simpatia de uma castelhana, enfim... não tenho jeito para avaliar "brasas".
abraço do vale

Fernando Samuel disse...

Não há nada como o tempo para apagar as brasas...


Um beijo.

Jorgete disse...

Ana: já tinha dado com o seu blog e agora é minha amiga do facebook.Acho os seus textos pedaços de poesia, dessa poesia e sensibilidade tão femininas.Até a música reflecte essa maneira de ver a vida.