Trocar as voltas!


Por muito que a maré, os ventos, a conjuntura, internacional, nacional, local, familiar, nos arraste para um sentido, podemos sempre escolher outro. Acabei mais ou menos por trocar as voltas ao romance da coxa do Tide, cumpri tudo, não deixando de me esforçar para alterar o curso das coisa, a partir de ontem estou mais autónoma com ordem de retomar a minha vida, com calma, passo a passo, por outro lado um jornalista conceituado, Português, trocou as voltas também, não acatando uma lei da rolha implícita e nunca declarada, que vai fazendo mais vazia a Comunicação Social, menos credível, trocando essas voltas, marcou posição, ainda por todo o país, trabalhadores de diversos sectores, trocam as voltas, bradando contra a injustiça de sermos eternamente pagadores de crises feitas por outros, que nos anunciam luzes ao fundos do túnel e nos pedem sempre mais um esforço, só mais um, eternizando esse esforço e as suas dificuldades, tendo eles sempre a sua situação salvaguardada, com um esforço mínimo. Ontem a seguir ao telejornal assisti a duas reportagens seguidas, não eram lamechas, não puxavam ao sentimento, mostravam respectivamente uma empresa e uma escola, na empresa, o empresário deficiente privilegiou a contratação de deficientes, ninguém é coitadinho, não há caridade, são pessoas inteiras. Na tal escola, cheia de pequenos actos de revolta escritos nas paredes, nas portas partidas, nos meninos tristes que provêm na sua maioria de bairros onde sobra o mau viver e falta tudo o resto, nessa escola foi dada a oportunidade estranha de aprenderem a tocar violino, os meninos concentram-se como nunca, tocam orgulhosamente, as famílias que nunca ouviram o som do violino ou mesmo falar dele, juntam esforços para adquirir tal instrumento e ouvem maravilhados.
Por fim num registo doméstico os meus meninos trocam voltas também, um ganhando confiança com os resultados do seu trabalho e dos seus projectos universitários, o outro que esbanja confiança, dedilhando a guitarra oferecida pelos progenitores, ganhando o cognome de Paco de Lúcia…

Comentários

Fernando Samuel disse…
Texto belíssimo.

um beijo.
Zorze disse…
Ana,

Fico muito contente com as tuas notórias melhoras, o martírio já lá vai.

Também vi essa reportagem que retratas no post.
A empresa do empresário deficiente já a conhecia e existem outras com a mesma filosofia, mas são muito poucas. São autênticos exemplos de profissionalismo.
A reportagem da escola de Chelas com os miudos da Zona J, que decidiu incluir o violino no processo educativo, deixou-me completamente maravilhado. O Ministério da Educação deveria ver com muita atenção. Não são precisas grandes teorias de ensino, pareceres, relatórios ou grandes estudos que demoram meses a fazer, para muitas vezes essas conclusões espremidas não darem em quase nada, apesar de sugar muitos recursos e perder-se tempo em vão.
Quando um violino apenas, faz magia.

Beijos,
Zorze

P.S.: Com quem então tens um aprendiz de Paco de Lucia em casa?
Não é por acaso, que Paco de Lucia toca no teu blog. São dedos mágicos!
Anónimo disse…
estímulos... vão faltando, ou então ficam esquecidos no fundo de uma gaveta de uma memória rotinada.
tudo é possível.
estranho foi encontrar o mediteranean sundance... falei dessa música ao almoço.
deste vale em chuva , um abraço.
SENSEI disse…
Histórias tristes que ficam para uma posteridade que julgará a corrupção implícita e clara de um governo desregrado, imoral e de forte predominância em actos de clara repressão.
Das duas uma! Ou morre o portador de tais parasitas, ou encontra-se uma solução final para estes.
Porque neste povo a esperança teima em persistir, ainda que baralhados. Tal como aquele menino de 12 anos, que no violino e nos sons que consegue tirar, voa para longe de uma vida dura e difícil que lhe é forçada pelo governo imoral que tem dia-a-dia na frente do seu País e voa livre e feliz, para bem longe, para um sonho lindo onde justiça e liberdade são algo real, não imaginando ele, que um dia milhares de meninos como ele sonharam assim num dia que lhes marcou as vidas e lhes deu esperança de um futuro digno e feliz, foi em 25 de Abril de 1974.
Infelizmente os fascistas usando nomes como Socialismo desfizeram esse sonho, fazendo com que de novo existam cada vez mais meninos e meninas tristes e sem futuro.

Xôxos

Ouss
Akhen disse…
Olá Ana

Felizmente já estás melhor, o que quer dizer que a paciência, agora, só não tem limites para aturar os "bonecos de Sto.Aleixo" que se acomodaram nas cadeiras do governo e que "provocaram" uma crise que já vinha sendo provocada há muito tempo. Não existe muita diferença, só no século, entre a Idade Média (XI/XIII) e a que atravessamos (XX/XXI e o que mais adiante se verá).
Quem paga as crises são sempre os "escravos da gleba".
Só tivemos um GOVERNANTE a sério e sério, depois de 25 de Abril de 1974, VASCO GONÇALVES. A partir de 25 de Novembro de 1975 foram-se alternando os vampiros.
Agora, só se lhe trocarmos as voltas, porque o TEMPO ainda é uma criança.
A continuação das tuas melhoras.
O manancial onde nascem as ideias, ainda não funciona muito bem, mas vai singrando a favor.
Solidariedade não só no rumo politico.
Mas não dizem que é na adversidade que se conhecem os amigos? -:)

Paz e Luz na tua casa