terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Por vezes


Por vezes, inesperadamente fazemos uma espécie de parto de nós próprios, talvez quando nos reinventamos face a paredes de pedra que se estreitam ao nosso redor, depois passarmos todos os obstáculos, depois de conseguir dar a volta a todas as adversidades, aparecem maiores com que não contávamos, enxurradas de problemas, sombras que tapam por completo o sol, que fazer então? Que fazer quando de onde esperamos ajuda, conforto, um pouco de coragem, nos aparecem só espinhos, pedras nos caminhos, terrenos minados? Que fazer então, senão buscar uma vez mais as reservas que julgávamos esgotadas, transformar as fraquezas em forças, seguir em frente outra vez, porque depois da noite o sol aparece no horizonte e as tempestades mais que destruir constroem-nos resistências. E onde ficamos? No epicentro de um turbilhão? No meio de nós próprios, na nossa essência reforçada? Nessa altura só posso olhar um pouco mais para dentro, olhar um pouco mais para mim procurar-me, encontrar-me, e enfrentar-me outra vez.

4 comentários:

Ana disse...

Ana,
Já te disse que adoro a tua escrita, não disse?
mas mais do que a tua forma de escrever, começo a admirar a mulher que se reinventa, "face às paredes de pedra...aos espinhos--ao turbulhão...".
E vais conseguir reinventar-te, reencontrar-te, e enfrentar-te as vezes que forem necessárias.
Bj e força

Zorze disse...

Anuette,


"Por vezes, inesperadamente fazemos uma espécie de parto de nós próprios"... isso poderá ser um pouco difícil... ", talvez quando nos reinventamos face a paredes de pedra que se estreitam ao nosso redor,"... porquê pedra? e não algo mais esponjoso?... "depois passarmos todos os obstáculos, depois de conseguir dar a volta a todas as adversidades"... passamos ou damos a volta? Em que é que ficamos?

Vou dizer-te um segredo que não sabes. Isto às vezes, Tem Dias!
A seguir digo, que acredito muito em ti!
Pois és bela, belíssima...

Beijos,
Zorze

Anónimo disse...

Isto tem dias em que nos deparámos não com uma simples parede de pedra, mas com uma verdadeira muralha medieval, aparentemente intransponível, inultrapassável, seja de forma for.Então, emergimos de dentro de nós, como se do meio de um furacão, e vamos buscar forças, sabe-se lá onde, e descobrimos que a muralha pode ser escalada.
Com a certeza de temos sempre alguém disposto a dar o empurrão necessário para a escalada.
No fim,descobrimos que estamos vivas, apesar de alguns dos fios que nos ligam à vida se terem quebrado na jornada.
Beijos
Dulce

Fernando Samuel disse...

E é esse o caminho.

Um beijo.