A máscara oculta


Passei mais uma noite mal dormida, entre dores na bendita perna, preocupação com a chuva que sentia lá fora, a dor de cabeça que se instalou vai para dois dias e teima em ficar e a incredulidade de assistir volvidos trinta e cinco anos sobre a Revolução que entre outras coisas acabou com a censura, que garantiu a liberdade de expressão, incrédula portanto com o facto de existirem umas supostas escutas telefónicas, que nos garantem por um lado que são conversas triviais, sem nada de relevante e grave, por outro lado são destruídas, mas não foram, parece que foram arquivadas, mas estão no activo, mas eis que chegado ao dia da publicação de parte delas, meios e subterfúgios legais são accionados para que continuem ocultas, mais ocultas que a crónica de um jornalista que apontava dedos a algumas feridas, mais ocultas que um Jornal televisivo dirigido por alguém incómodo, mais ocultas que um suposto negócio que seria efectuado por um grupo de capitais do estado, onde são encaixados devidamente todos os filhos, afilhados, assessores e compadres de outros negócios, mais ocultas do que as acrobacias bancárias levadas a cabo por gestores da máxima confiança e Conselheiros de Estado, que passam despercebidos a Directores da mais alta instância bancária, que sendo assim é recomendado para uma instância superior a nível Europeu, as boas acções devem de ser recompensadas, no meio disto senti-me profundamente solidária com o Oficial de Justiça que vê a hipótese de ter o salário congelado, não por este ano, mas por mais uns quantos anos, seguido por jornalistas ávidos, provavelmente a dizer a mal da sua vidinha, daquela atenção mediática inesperada, para além destas coisas ocultas, ocultas ficaram também outras conclusões, o Caso Casa Pia, que navega ainda em águas de bacalhau, já muito mal cheirosas, do qual talvez se irá concluir que todos os jovens e crianças envolvidos são culpados, o Caso Portucale, o Caso Freeport, o assunto da REN e do sucateiro amigo, continuamos a não saber onde está a Maddie, mas correm livros e processos de difamação, não sabemos o valor real do défice, não sabemos o valor total do desemprego em Portugal, nem o volume de salários em atraso, sabemos apenas que o cidadão pode passar a ter os seus rendimentos escarrapachados na internet para gáudio da bisbilhotice, não sabemos quanto custam os submarinos ou os helicópteros comprados a perder de vista, alguns governos antes, por quem agora questiona sobre o despesismo do actual, tudo isto continua oculto, escondido e mascarado num Carnaval que parece eterno, bufo, vestido com roupagens emprestadas e os rasgões disfarçados de lantejoulas.

Comentários

Ana disse…
Apesar do frio e da dor na perna, continua bem disposta e dona de um humor ímpar.
Bom Carnaval
Fernando Samuel disse…
Neste Reino da Ocultação é assim...

Um beijo.
Jorge disse…
Deixa lá que as Pinoquices estão quase no fim...esperemos !!!

Beijo.
Anónimo disse…
Um beijinho aninha!
Passo aqui mas nem sempre escrevo!
Sabes já não consigo encontrar formas originais para te dizer que escreves bem, que devias publicar,ou pelo menos mostrar a um editor, enfim...que dizer?!

Um abracinho!

Bom carnaval!

Lagartinha de Alhos Vedros
CRN disse…
Como é que vamos deixar de necessitar importar?
Zorze disse…
Ana,

É o regabofe total!
O povo também tem a sua quota-parte de culpa.

Beijos,
Zorze