domingo, 21 de fevereiro de 2010

como costumávamos fazer


Esta semana tive um sonho estranho, acabei tarefas, acho eu, daquelas que não posso acabar nunca, consegui ainda abraçar o meu pai, vai fazer uma dúzia de anos que partiu, dei um cigarro à minha tia que morreu em Setembro, tinha deixado de fumar o seu SG Gigante dezoito anos antes, mas confessava amiúde que sonhava com um cigarro e que lhe apetecia muitas vezes, entraram vivos no sonho também, era tão real que me doeu, entretanto acabo outras tarefas, espreito e espero um mail importante que tem já dois dias de atraso, só depois de o ler poderei tomar decisões, adiantei o jantar que repousa na cozinha á espera que eu o termine, bifes de peru enrolados em bacon, num molho de azeite alhos e limão, couve salteada, falta cozer o arroz, falta tirar ainda a receita das analises, apresentar-me logo de manhã, em jejum de braço estendido, para que me contem células que separam daquele tubinho cheio do meu sangue, falta ainda aquietar o meu filho, que sim muitos chumbam em Matemática, mas que tudo vai correr bem, vou ainda escutando sobre os mortos e feridos na Madeira onde a água e as ribeiras se conjugaram com os leitos sujos e as construções onde não existiu bom senso nem ordenamento do território, as noticias irão ainda referir, quase com toda a certeza, as teorias da conspiração de figuras do poder, as candidaturas gémeas á Presidência da Republica, falta organizar a pasta para que não chegue à reunião de pasta cheia de cadernos todos escritos, como fiz na sexta-feira, falta apalpar a roupa estendida e avaliar se está seca, lavar o fogão depois do jantar, beber um descafeinado, preparar a roupa para amanhã de maneira que conjugue com o único par de sapatos que não me faz doer o pé, ver um filme, talvez, ler um pouco já enroscada no ninho da cama, entretanto vou fumar um cigarro, se a minha tia me aparecer hoje em sonhos, acompanhada pelo meu pai, fumamos os três, conto-lhes das notas dos miúdos, as gracinhas dos mais pequenos, da situação politica do país, enquanto fumamos os três num prazer perverso, como costumávamos fazer.

4 comentários:

Diogo disse...

Um sonho bastante atarefado. Que o revolutear do fumo dos cigarros te traga alguma paz de espírito.

Beijo

Fernando Samuel disse...

Esse encontro a três - todos a fumar - vai ser um espanto...

Um beijo.

Zorze disse...

Ana,

Tenho a certeza que não é só sonho. Tenta-te relembrar e repara no que eles falavam, o que falavam, porventura seria lógico e racional?
Ou seja, poderia, quiçá não ser fruto da tua imaginação, ou a relativa capacidade que temos de construir personagens?
Ou seriam eles mesmos, manifestando e se inter-relacionando contigo mesmo?
Deixam-me te dizer que para esse tipo de contacto, estiveram muitos outros seres a suporta-lo, pois estabelecer contacto entre dimensões é difícil.

Vieram ver, observar, a menina laroca e reguilota. Não te prendas em interpretações confusionistas.
Coisas deste e do outro mundo são vestidos de rotulagem complexa, mas, são mais simples do que parece.
É preciso despir as palas que os normativos sociais impõem.
Estás no caminho certo. E desfruta não uma, mas duas ou três cigarradas...
Desfruta os momentos... E olho atento! Cérebro já tens...

Beijos,
Zorze

Anónimo disse...

ola ana
é bom encontrar no sonho alguém que partilhe, momentos de ócio.
é bom recordar sentindo.
abraço do vale