quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Só por isso


Existem caminhos infindáveis e

Prazos intermináveis,

Existem coisas tão desejadas que

Chegam na altura em que já não fazem falta,

Frutos tão doces que nos deixam a alma amarga,

Talvez porque nunca mais sentiremos aquele dulcíssimo extremo

Momentos mágicos, irrepetíveis que

Tentamos recriar

Até se tornarem banais

Vazios

Vazios que se enchem assim de si próprios

Não deixando espaço a nada mais

Silêncios cheios, de intenções, vontades, desejos

Palavras vazias como

Cabaças secas

Magoas tão antigas que não podemos

Viver sem aquela dor

Carícias guardadas que apodrecem como folhas outonais

Fomes e sedes antigas, tão alimentadas

Até se tornarem insaciáveis

Furiosas

Por isso e só por isso

7 comentários:

Fernando Samuel disse...

E «isso» é tanto!...

Um beijo.

cláudia disse...

Amei! :)

Jorge disse...

Ana, tu nesceste para escrever !! escreve coisas tuas no Facebook, porque são de extrema qualidade !! escreves coisas lindas de Fernando Pessoa, Sofia Mello Breyner e companhia,...são coisas muito boas, mas eu gostava mesmo era que escrevesses coisas tuas, porque são muito boas e bonitas !!

Beijo

Anónimo disse...

Ana, concordo inteiramente.
Gosto imenso do que tu escreves...
Continua a escrever, por favor.
Um abraço e as melhoras,
Dulce

Zorze disse...

Ana,

Não te peço para escreveres, aliás, eu por regra quase nunca peço nada a ninguém, talvez, se calhar nunca.
Posso te aconselhar, é que, não te deixes aprisionar a pedidos que te solicitem. Mesmo que de boa fé e revestidos de pureza.
Haverá sempre uma coleira que te capta, às vezes, não vista, mas ela está lá, a coleira. E em múltiplas situações mental-somáticas, entramos aqui no campo das ideias e das emoções.
Escreve se te apetecer, não escrevas se não estiveres para aí virada.

Beijos,
Zorze

P.S.: A partir daqui só conseguiria exprimir-me em kimbundu, correndo sério risco de não ser entendido pela norma social vigente da época.

Diogo disse...

O poema é teu?

Beijo

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Por vezes é demais!

Claúdia

Ainda bem.

Jorge

Não sei se nasci para escrever mas é uma parte importante de mim.

Dulce

Ainda bem que gostas.

Zorze

Mas eu só escrevo quando me apetece.

Diogo

È! Porquê?

Beijos