segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Esperar...


Não costumo ser espectadora do meu dia-a-dia, geralmente sou muito interveniente, é mais vulgar desdobrar-me para chegar aos outros do que esperar que os outros cheguem a mim, no meu dia-a-dia, desdobro-me, telefono para saber se tudo está bem, eventualmente levo alguém a uma consulta, levo para a casa onde fizer falta uma palete de leite, de água, o que for…

Nos últimos dois meses tem sido ao contrário, o que tem sido muito complicado, eu fico assim parada á espera, á espera que tragam cigarros, um filme, um livro, o almoço, o jantar, que possam parar para falar comigo, para me contar uma anedota, que me possa levar á rua.

Conto as horas de chegarem a casa.

Os meus filhos chegam, apressadamente dizem qualquer coisa, peço para subirem as persianas deixar entrar a luz, peço mais tarde o contrário, que as baixem para não entrar o frio, leio livros emprestados, tricoto coisas, consigo cozinhar numa de abelha rainha, sentada a dar ordens: dá-me uma cebola, o azeite, deita isto no lixo, baixa o lume…

Tenho dias mais cinzentos que o costume, dias com saudades da rua, com saudades da agitação habitual, dias em que não me apetece falar, dias em que desmancho o que tricotei no dia anterior, dias com saudades de mim, as noites essas são passadas a sonhar, a sonhar que ando, que conduzo e que nado….

8 comentários:

Diogo disse...

Já não falta tudo.

Podias ter aproveitado para começar a alinhavar um livro.

Beijo e rápidas melhoras.

Teresa Fidalgo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teresa Fidalgo disse...

Bom, não sei exactamente o que se passa, adivinho uma doença... desculpe o atrevimento... Mas parei por aqui, como o faço muitas vezes como mera espectadora, e não pude deixar de comentar...

Acredito que encontre coisas bem interessantes para fazer, enquanto espera. O facto de nos agraciar com a sua escrita já é um grande afazer... Quando algo nos impede de, fisicamente, andar, podemos sempre fazê-lo em pensamento e partilhar isso com os outros. Acredite que este seu blog é uma grande partilha... uma grande oferta, e, dessa forma, já está a contribuir, a ajudar... como revela que gosta...

Só me resta desejar, se for caso disso, rápidas melhoras.

salvoconduto disse...

E não é bom sonhar? Logo, logo tens ordem de libertação.

Abreijos.

samuel disse...

Entretanto aparecem textos como este... que sabe-se lá se veriam a luz do dia...


Abreijo.

Maria disse...

Já faltou mais, Ana. Força!

Um beijo

Ana Camarra disse...

Diogo

Para escrever é preciso inspiração e não tenho tido muita, como se nota.

Teresa Fidalgo

Quando escutar "Mais vale isso que uma perna partida!" acredite!

Salvo

Quase, só falta o quase...

Samuel

Provavelmente não viam a luz do dia...

Maria

Eu tenho, eu tenho.

Beijos

Zorze disse...

Ana,

Enquanto se espera, também se vive.
Vê as coisas desta maneira, percebeste que o tempo é relativo, passaste a ter outras rotinas, viste muito mais televisão, não viveste os dias a correr.
Afinal um dia tem mesmo 24 horas.

Nem tudo é mau. Daqui por uns tempos nos intervalinhos de dias stressantes e de correria vais-te lembrar destes dias.

Beijos,
Zorze