quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Poderá


Poderá pensar-se que é só assim
Um dia atrás do outro
Numa sucessão de rotinas infinitas
O dióxido de carbono, o relógio,
Chegar para partir depois
A lâmpada fundida
A urgência perfeitamente adiável
Os que morrem longe e são só números
Que nos podem tocar ou não
Os que nos morreram perto e fazem-nos falta
O óleo do carro, as mercearias em falta
O extracto bancário e as férias por gozar
A roupa suja que se lava
Seca, guarda e suja-se outra vez
A vertigem do sexo, viscoso
A dor de cabeça
Todos aqueles a quem temos intenção de perguntar
Como estás?
Mas não o fazemos
Dias seguidos, quase iguais, sempre
Diferentes, como gémeos verdadeiros
Sempre a procura
Poderá pensar-se que é só assim…
Ou então não
Que cada dia é uma folha em branco
Para encher com outras coisas para além da
Rotina
Que existem coisas que crescem, secretamente
Como os cabelos, os raios de sol,
As sementes que rompem a terra para dar
Flor e fruto
Novamente sementes, que quase morrem para
Crescer outra vez

4 comentários:

Mar Arável disse...

O ciclo das marés

Zorze disse...

Ana,

Cada dia poderá ser uma folha em branco. Basta que à meia-noite se esteja preparado para virar a página.

Sexo viscoso? Bem...

Os cabelos crescem? Não é para todos, por isso, é que existem o "Atum Calvo".
A ver se amanhã ou depois vou cortar o cabelo. Já pareço um "beetle"!

E se poderá, poderá, desde que as pessoas o queiram. Só que isso é um brincadeira do arco-da-velha.

Beijos,
Zorze

Akhen disse...

Ana

O Universo contém em si tudo aquilo que nós somos. O Complemento e o Todo somos nós"

É como o ciclo da água.Só que a água somos nós.

Paz e Luz na tua casa

Fernando Samuel disse...

Quase morrem... para viver...

Um beijo.