
A minha mãe conta que comecei a andar aos nove meses de idade, saltando a fase de gatinhar, comecei assim agarrada aos móveis e depois a aventurar-me em passos débeis, mas pelos vistos decididos de quem quer fazer tudo por si só. Comecei a falar cedo, também, tarde foi a dentição, talvez porque nunca quisesse sorver o mundo à dentada, só de uma forma mais suave. A única coisa que se regista que tenha comido à dentada foi um Pato Donald de espuma macia, trazido de Inglaterra, que eu achei particularmente saboroso e que despedacei com gengivas sem dentes, trouxeram-me outro, teve o mesmo fim…
Também se regista que comecei cedo com tentações escrever, agarrava nos lápis de cor e “escrevia” num alfabeto que ninguém mais entendia, talvez fenício ou grego, escrevia nas contracapas dos livros, nas folhas que me davam para desenhar e quando me perguntavam o que lá estava respondia “Não sabes ler?”, no mesmo ímpeto pintei, aliás resolvi completar o trabalho do Mestre Pablo, colorindo a Guernica pendurada sobre o sofá da sala, até onde cheguei, empoleirada nas costas dos sofás.
Também se regista que comecei cedo com tentações escrever, agarrava nos lápis de cor e “escrevia” num alfabeto que ninguém mais entendia, talvez fenício ou grego, escrevia nas contracapas dos livros, nas folhas que me davam para desenhar e quando me perguntavam o que lá estava respondia “Não sabes ler?”, no mesmo ímpeto pintei, aliás resolvi completar o trabalho do Mestre Pablo, colorindo a Guernica pendurada sobre o sofá da sala, até onde cheguei, empoleirada nas costas dos sofás.

Os meus pais assombraram-se com uma Guernica de cavalos roxos, azuis e verdes, e com tudo o que parecia gota pintado de vermelho….
Comigo parece que também sempre esteve aquele sentimento que me deixava mal comigo própria sempre que prejudicava alguém, daí fazer certas tropelias que sabia erradas e de imediato comunicar à minha avó que “A menina não faz outra vez!”, por vezes ela não conseguia descobrir de imediato o que é que eu não faria outra vez, porque eram sempre habilidades novas.
Lembro-me de não gostar de palhaços (ainda hoje não gosto, principalmente dos que andam à paisana), nem de homens vestidos de Pai Natal, fugi de um na Baixa, correndo a atravessar a estrada.
Espero manter estas coisas dentro de mim, até porque o ímpeto de andar sempre é muito meu, continuo a querer colorir as coisas feias e tristes da vida, sem as esquecer, sem fingir que não existem, aflige-me prejudicar alguém, seja de que forma for, quando o faço, inadvertidamente digo para mim própria que não o farei outra vez…
Comentários
Abreijo.
Mantem-te assim, és uma pessoa maravilhosa e única.
Beijinhos e continuação de melhoras desse teu precalço :)
Estás melhor?
Gostava que fosses ver o CASALQUASEABERTO que estreou ontem e amanhã seg 7/12 21.30 vai estar de novo em cena, porque seria óptimo lenitivo para combater a inércia da tua imobilidade temporária.
Beijo e anseios para que estejas capaz de ir e por conseguinte melhor.
Um beijo.
Abreijos.
andas a escrever muito bem.
beijo do vizinho
Tu por ti e eu por mim.
Não me escapa um certo fugir de mim, oops... de ti.
Beijos,
Zorze
A tua Guernica, pintada de roxos, azuis e verdes e vermelhos, eram as cores da tua homenagem às crianças e todos aqueles aos quais Guernica foi dedicada por Picasso.
A vida é um enorme circo, os palhaços somos nós.
Por isso "eles" inventaram os palhaços ricos e os palhaços pobres. Só que "eles" são uns pobres palhaços.
Paz e Luz na tua casa
Faço por isso.
Sun
Já não mudo...
Luciano
Adorava ir, mas só posso sair dia 22, depois logo se vê|
Zero
Ainda é dificil para mim navegar muito tempo, as prometo que vou.
Fernando Samuel
Nem sempre é possivél.
Salvo
Tantos! Cada vez mais.
Obrigada, vizinho!
Eduardo
Não te agonies, de certeza se olhares para dentro vais descobrir coisas fantásticas.
Zorze
Foges de mim?!
Akhen
São palhaços maus...
Beijos