
Quando eu era miúda os romances radiofónicos eram as novelas da época, lembro-me das mulheres pararem a azafama doméstica para ouvirem em rancho um dramalhão de faca e alguidar “Simplesmente Maria!”, essa altura levávamos calduços e deixavam-nos ir brincar para a rua, quando terminava o folhetim, era assim que diziam, assoavam-se e limpavam olhos chorosos.
Pela hora do almoço dava os Parodiantes de Lisboa, uma espécie de revista radiofónica que durou até há pouco tempo.
No entanto existiu também um romance radiofónico conhecido pela “Coxinha do Tide”, parece que a desventurada heroína era coxa e o romance patrocinado pelo detergente Tide, o detergente não se implantou na época, derrotado pelo Ajax, Presto, Omo e claro sabão Clarim, mas as desgraças da coxinha ficaram no imaginário e a expressão também.
Hoje sou eu a coxinha, não do Tide, porque como não consigo chegar à maquina de lavar não faço a mínima ideia do detergente que lá está, mas coxinha e muito, algo desventurada também, não consigo evitar pesar que tenho obrigações “lá fora”, no mundo real, que alguém, por quem tenho muito carinho e estima, que nem sequer faz ideia do que é a coxinha do Tide, anda sobrecarregadíssima a abarcar as minhas tarefas e as suas, para agravar brigo a família a um rodopio “abre as persianas, por favor!”, “Deixa-me a garrafa de água”, “Dás-me banho?”, “Muda-me o filme”, etc.
Sei que isto é post rameloso de quem está assim a modos com pena de si próprio, sinceramente hoje estou chateada, apetecia-me andar, sair, deixar de ter apenas o fio de ligação ao dia a dia com censuras, porque me apercebo sinceramente que algumas coisas não correm pelo melhor mas que me omitem os factos.
Faço listas, intervalo entre uma certa exigência da parte dos que me rodeiam para um mutismo de quem está zangado consigo.
Sou a coxinha do Tide!
Comentários
Como vai isso? Estás melhor?
O outro dia não te respondi no fb porque estava efectivamente a dormir e de manhã já não estavas online.
Um beijo e as melhora para a Coxinha do Blogger ;)
Tás mesmo fartinha dessa paragem forçada,esta quase, tem mais um bocadinho de calma!
Porque estás sempre off? não tens pachora para falar com a malta?
Queres que te leve uma torta de chocolate?
Sério, precisas de ajuda?
Sei fazer tudo, sou dona de casa, sei ler para pessoas chateadas e ou chatas,sei passear cadelas e apanhar o presente, enfim o que for preciso!!!
Vá lá anima-te!
um beijinho
muito mimo
Lagartinha de Alhos Vedros
Se conseguires efectuar uma projecção da consciência, até voar serás capaz.
Completamente, "no limits"!
Beijos,
Zorze
Entrei há momentos pela SEGUNDA vez no facebook e vi que tinha muitos convites, muitas mensagens. Peço desculpa a todos, tu incluída, mas realmente ainda não estou freguês desse utilitário.
Quero ver-te rapidamente a representares outro papel, que não a coxinha, muito menos do tide.
Abreijos.
Uma vez, viajava eu de autocarro a caminho da minha terra, eis senão quando, chegada a hora do tide, o motorista parou para que toda a gente fosse ouvir o folhetim numa tasca à beira da estrada...
Um beijo.
Estiveste a ouvir alguma reposição radiofonica da "Coxinha do Tide"?
Estás lacrimejantemente deprimida?
Mas afinal, eu sei que não tenho vindo cá saber como estás, mas também sei que é fácil para nós dizer aquele blá, blá, blá, de situações idênticas, mas não gosto de sentir no que escreves essa insegurança que demonstras em relação ao evoluir da situação.
Eu sei que é próprio de quem, como tu, que eras assim a modos o "Speed Gonzalez", e agora está limitada.
Vamos lá a sacudir esses pensamentos negativos e ajudar positivamente à recuperação total.
Tá.
Paz e Luz na tua casa