sábado, 28 de novembro de 2009

Mudemos de assunto



Ultimamente a vida, as circunstâncias, os acidentes, as coincidências abrigam-me a abrandar, a repensar, a reflectir, a segurar os cavalos que correm dentro de mim. Para quem acredite em planos infinitos será um sinal, um sinal que ao fim de uma semana já encaixei.
Estranho é habituarmo-nos a rotinas de lentidão, é como se de repente se exigisse que um gafanhoto passe a actuar como um caracol, mas o gafanhoto, coxo, lá se vai habituando a outro ritmo. Mentalmente corto dias do calendário e interiormente peço as células do meu organismo para se organizarem para esta parte durar só o mínimo indispensável.
Entretanto, leio, ouço telejornais, passo pouco tempo aqui porque não é prático nem confortável, nas noticias que ouço irrito-me e insurjo-me contra a fantochada que se tornou a justiça nacional, com a vergonha de um dos homens mais bem pagos do mundo, o nosso director do Banco Nacional, vir apelar ao aumento de impostos e redução de salários daqueles que vão sobrevivendo na insegurança e na insuficiência, espanto-me, ainda assim, com os comentadores políticos e económicos, com o facto de apenas serem quatro, os titulares de oitenta por cento da divida de um banco privado, que beneficiou de apoios públicos, que continua a ter lucros babilónicos, com o tempo dispendido nos noticiários com os romances futebolísticos, sigo o romance da Gripe A e quando não aguento mais de espanto e indignação mudo de canal ou pego no meu livro.
Vou pensando nos caminhos alternativos que poderei fazer, logo que for possível, já me convenci que darei presentes de Carnaval e não de Natal, que não farei filhoses ou outras delicias Natalícias.
Sou uma mãe moderna, dou apoio por telefone, falo das frequências, da hora de recolher, se jantaram ou fizeram a barba, recebo mimos virtuais e felizmente muitos reais, os amigos teceram uma rede de solidariedade incrível, que me aligeira os dias, retira-me preocupações, minora-me a solidão.
Afinal não mudei muito de assunto, pois não?

7 comentários:

Maria disse...

Palpita-me que o gafanhoto está já com uma vontade incrível de experimentar o 'arame'...
:))))

As tuas melhoras e beijos

Diogo disse...

Acho que os cidadãos deste país deviam fazer uma festa surpresa a Vítor Constâncio.

Beijo

Kaotica disse...

http://antinatoportugal.wordpress.com/2009/11/29/blogues-como-tornar-se-um-blogue-apoiante-da-pagan/

Akhen disse...

Olá Ana

Afinal sempre serviu para alguma coisa.
Só quando ficamos temporariamente impossibilitados de, fisicamente, agirmos de acordo com a nossa velocidad3e natural, é que temos tempo para meditar um pouco.
A crónica dá a impressão que a autora tinha passado ao lado de tantos "arranjinhos" aqui desta pequena republica de bananas.
Ficaste a par de todas as telenovelas noticiosas deste pequeno jardim. Julgavas que isto era só o Barreiro e arredores?
É ao contrário, o Barreiro é que pertence aos arredores do centro nevralgico deste paraíso. Não para nós, mas para os outros de quem eles falam. Mas pela maneira como os ratos comem, tenho a impressão que já só existe a casca do queijo.
Mas depois de tudo isto, vamos ao que interessa. Está tudo a caminhar bem com essa perninha marota?
Ainda não dá para caminhar com ela, mas dá para estar tudo a caminhar bem contigo, não é?
É isso que interessa.
Ana, com a imaginação que tens, para um pouco, e deixa-te ir para além do sitio onde nos encontramos.
Podes ter a certeza que vais admirar-te do que podes percorrer num pouco de tempo que dispenses para isso.
Depois também é calmante.

PAZ e LUZ na tua casa.

Fernando Samuel disse...

Felizmente não mudaste de assunto...
Um beijo.

Zorze disse...

Ana,

Não ligues a essas merdas.

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

Maria

Até sonho com o arame!

Diogo

De despedida!
Com justa causa!

Kaotoca

Depois vejo

Akhen

Caminhar não direi...

Fernando Samuel

Pois não.

Zorze

Ligo, o mal é a maioria não ligar!

Beijos