domingo, 25 de outubro de 2009

O Evangelho segundo cada um de nós!



Parece que está instalada uma polémica porque José Saramago disse que a Bíblia está cheia de maus exemplos da natureza humana. Por acaso não tenho acompanhado porque não tenho tido tempo, sou daquelas pessoas que necessitava de dias com 48 ou 72 horas, um erro divino…
Não sou Católica, na minha família existem cristãos, de vários ramos, Católicos, Evangelistas e até uma Ortodoxa da igreja Grega, pelos apelidos e mais umas coisitas devemos ter tido antepassados muçulmanos e judeus, como provavelmente a grande maioria dos habitantes da Península Ibérica, olhando mais para trás devemos ter tido antepassados que encontraram no sol ou no vento ou até num animal, uma divindade.
Eu por mim custa-me a acreditar nessas coisas, não desacredito, não repudio, acredito sim na espécie humana, na sua capacidade para o bem e infelizmente para o mal, também, gosto de pensar que o bem triunfará.
Eu até sei que o Velho Testamento é velhote, tem milhares de anos, têm de ser olhado como deve de ser à época, que são alegorias, parábolas e fabulas, histórias da carochinha que querem dizer outras coisas, mas a mim assusta-me a ignorância e assusta-me alguém falar sobre qualquer coisa sem conhecimento de causa.

Neste campo sinto-me à vontade já li livros do Saramago e conheço a bíblia, Velho e Novo Testamento. Ao longo desta semana deparei-me com católicos fervorosos que desconhecem os Evangelhos, apoiantes e opositores a Saramago que nunca leram nenhum dos seus livros.
Facto será que a Igreja Católica enquanto instituição não tem sido exemplo de práticas de tolerância, amor ao próximo entre outras coisas, para além das riquezas acumuladas à custa de muita miséria, para além da Santa Inquisição responsável por mortes e torturas, (pronto o Papa pediu desculpa à relativamente pouco tempo, mas uma coisa não limpa a outra) para além das Cruzadas e de outras barbaridades, a Igreja Católica foi mais um instrumento de repressão e atraso da humanidade do que libertador e igualitário, como parece, Jesus Cristo pretendia.

Mas pronto as opiniões são boas, porque cada qual têm a sua, confesso que ontem ainda peguei no “Livro de Caim” mas isto de no mesmo mês pagar propinas e livros escolares, arrefece-me as paixões literárias, no entanto está provado seja por causa de um filme como o “Je vous salut Marie”, as aparições de Fátima ou o Livro de Caim, a Igreja é um poderoso promotor de marketing…

10 comentários:

Akhen disse...

Olá Ana

Tudo de bem em tua casa são os votos de um ateu.
Sinceramente não sei por onde começar, mas afinal já comecei e comecei desejando que tudo de bem esteja contigo.
Quanto ao post, dos livros que compõem a Biblia, um há que é comum a todas as civilizações, já que existem referencias iguais ao mesmo em todas elas. É o Génesis.
Todas as civilizações vêm o Génesis dentro do contexto em que ele foi vivido por elas. As tradições são orais na sua maior parte, já que me parece naquela altura não existirem escribas.
Escribas foi uma classe que apareceu mais tarde e mesmo assim os sinais só eles os entendiam. Podiam oralmente dizerem o que lhes surgisse no pensamento de momento.
A outra parte da Biblia, é a história do povo hebreu, desde que saiu de UR, cidade que ficava numa zona da Mesopotâmia oriental (Iraque), mais perto do que hoje é o Irão, e de uma outra cidade antiga Ninive.
Foi daí que saiu Abraão com a sua tribo. O seu percurso está na Biblia, depois do livro do Génesis.
Uma coisa ficamos pensando. O porquê de um Deus, o qual ao que o hebreus dizem criou tudo isto, portanto criou todos os seres, ter escolhido aquele povo como seu eleito e um, a quem à partida lhe foram concedidas uma série de
prerrogativas em detrimento de todos os outros povos.
Eu pergunto: Que pai é esse que faz distinção entre os seus filhos?
Quanto à Santa Igreja Católica SARL, que tem como presidente do conselho de administração um individuo a quem é atribuido um titulo, PAPA, do qual apenas muda o nome que escolhe Ex: PAPA Bento XVI, como poderia ser Papa Marmelo I.
Se soubessemos toda a sua história a partir do século III, talvez não chegassem tantos livros como os da Biblia para escrever os seus segredos e maleficios mais negros.
Nem sei porque o Bento VXI ou qualquer outro Papa veste de branco.
Por isso, para mim, cada um acredita no que entender estar correcto.
Se nós soubessemos tudo o que existe e o que não existe, a Terra seria um paraíso.

PAZ e LUZ na tua casa

sagher disse...

pois sim, mas o Saramago tem carradas de razão

Zorze disse...

Ana,

Não acredites tanto assim na espécie humana.
A sua história comprova que não é de fiar.

Beijos,
Zorze

Anónimo disse...

Oi aninha, o que tu e os teus amigos sabem da Bíblia...
Eu cá por mim nunca a li, nem uma síntese, é confusa, sei lá nunca me despertou interesse.
Sou ignorante?! pois é verdade, adoro ler, temos a sorte de ter cá em casa muitos livros,de vários autores e entre eles o Saramago.
Ainda não li o "Caim", mas já está na mesa de cabeceira do meu companheiro, eu leio-o depois.
Não ligo a essa conversa da igreja, eles que se entendam.

Um beijinho

Lagartinha de Alhos Vedros

salvoconduto disse...

Durante muitos anos li a bíblia em hoteis. Interrogava-me sempre porque não levara um livro comigo, mas sempre dizia para para os meus botões: "não há necessidade, vou dormir cedo". Mas não sei se era pelo raio da almofada o facto é que tal nunca acontecia. Lá tinha que ir a uma das gavetas procurar a bíblia para poder adormecer, pois os jornais do dia há muito tinham sido devorados. Estava lá sempre...
Felizmente agora quando tal me acontece ligo o leitor de MP3. Tenho lá tudo, até audiobooks que saco da net.

Abreijos.

Diogo disse...

A Igreja e o Cristianismo constituem a forma pela qual se manteve o poder do império romano até aos nossos dias. Hoje, sem as legiões mas pela palavra do Senhor.

Simplesmente, Saramago podia ter escolhido outra altura (em que não estivesse a lançar um livro novo) para acender o debate.

Beijos.

duarte disse...

vai vender , e muito. eis a minha conclusão.
quanto ao sururu...não tenho tempo, para aprofundar e até quiçá, ler. O meu dia a dia está cada vez mais confuso, estou mesmo a precisar de dias mais longos.
abraço do vale

Ana Camarra disse...

Akhen

Os Papas papam de mais...

Sagher

Pois tem.

Zorze

o que é que queres, sou uma utópica.

Lagartinha

eu gosto saber sobre tudo!

Salvo

Eu não vou para lado nenhum sem livro.

Diogo

Ainda assim acho o Império Romano era menos mau.

Duarte

Estás rabujento...

Beijos

Fernando Samuel disse...

De facto, a Igreja inspira-se muito no Antigo Testamento...

U beijo.

Carlos Albuquerque disse...

Cheguei agora a este blog, que me entusiasmou!
Antes de mais digo que conheço Saramago pessoalmente. Prefiro o escritor ao homem algo sorumbático que ele é, mas isso é outra história.
Tenho a sua obra, praticamente completa,alguns livros autografados. Admiro o escritor pela genialidade com que cria as suas personagens, a notável Belimunda do Memorial do Convento, a mulher do médico do Ensaio sobre a Cegueira, o imperdível sermão aos peixes do Viagem a Portugal, etc.
A recente polémica em torno do lançamento de "Caim" (que já li e reli), resultou de uma reacção serôdia e grosseira da Igreja Católica, que acabou por ser o maior agente publicitário do nosso Nobel, como já o fora aquando do "Evangelho Segundo Jesus Cristo".
Saramago exagerou nas suas afirmações, reconheceu-o, em entrevista, mas não apagou o que continua escrito em "Caim".
Sugiro a leitura de "Caim", mesmo aos católicos, para poderem acompanhar, através da escrita "mágica" de Saramago, o primogénito de Adão e Eva numa viagem por presentes do futuro e do passado, que termina no Dilúvio.
Talvez isso leve alguns católicos a lerem a Bíblia...
Abraço