domingo, 18 de outubro de 2009

Agora Não


Não espreites agora
Não espreites para dentro de mim
Agora de repente, não
Agora passam-se coisas só minhas aqui dentro
Vontades, desejos, loucuras,
Saudades, memórias,
Acomodações, cedências
Outras coisas, que prefiro guardar
Gritos que nunca dei
Lágrimas que correram para os sítios errados
Como rios que voltam para a nascente
Sementes e outras coisas presas
Presas em malhas de raízes
Daquelas que cheiram a terra e a humidade
Que nunca germinaram
Dentro de mim toca agora uma música
Só minha, que não sei se podes escutar
Tem risos infantis, vozes roucas, instrumentos de cordas
Um coro desafinado onde eu canto menina
Onde eu canto mulher
Um som que não sei se de um trompete ou
O pedido de socorro de um barco perdido numa bruma
São coisas que nunca perdi
Ou que nunca encontrei
Que já fazem parte de mim
Também guardo esperanças
Luzes e risos, uns usados outros novos
Por isso não espreites
Podes querer ficar

9 comentários:

Akhen disse...

Ana

Gostei do poema, do ritmo, e da forma como desenrolas toda a imagem.
Digo apenas gostei e bastante.

PAZ e LUZ na tua casa.

Zorze disse...

Annielle,

Ficar, pode ser, lugar.
Um lugar próximo e distante, por mais das vezes, lugares.
Recônditos na nossa mente.
O Homo Sapiens Sereníssimus perceberia tudo, num átimo, em instante de átomo.
Poderia ser e até, preocupante...
Mas veria veios capilares a descorrerem formas desenhadas à mão, por seres que trespassam os anos, gerações, quiçá entidades ou elementos.
Que mais do que observam, acarinham e em muitas tentativas vãs, outras não...
Limam arestas em dias, nos dias...
À noite e no nevoeiro.

Beijos,
Zorze

Maria disse...

Fogo, Ana, tão bonito...
Nem tenho mais palavras...

Um beijo

made in ♥ love disse...

LINDÍSSIMO...

Um beijinho
Eduarda
Be in ♥ love

sagher disse...

para quê espreitar a nudez do outro? basta-nos que ele seja sempre como é.

ja agora visita isto:
http://acincotons.blogspot.com/

Anónimo disse...

Lindo!

Como dizer que é lindo, de uma forma também linda?

Aninha gosto do que escreves e da forma como escreves.

Tenha o texto mel, vestidos de organza, asas brancas, bailes, medos da noite com PIDES, ou mesmo histórias de donas de casa com camisas de dormir de flanela com florzinhas.

Gosto das histórias dos teus tios e tias, das brincadeiras de criança,das voltas e reviravoltas do dia a dia de uma mulher ocupada com tudo e com todos!

Gosto e ponto final!

Um abraço e uma torta de chocolate

Lagartinha de Alhos Vedros

Fernando Samuel disse...

É melhor (não) espreitar...

Um beijo.

Maria de Fátima disse...

obrigada Ana
abençoado seja este momento de leitura
sinceramente, eu gostava de ter escrito isto e para mim este é o maior eleogio
e se não gostas disso, fica apenas com a palavra do princípio: obrigada é tudo

Ana Camarra disse...

Akhen

Ainda bem que gostas.
Tu é que és poeta!

Zorze

Acho que nunca encontrei esse Homo Sapiens Sereníssimo.

Maria

Repito o que disse ao Akhen, ainda bem que gostas, tu é que és poeta.

Made in love-Eduarda

Obrigado

Sagher

Exactamente!

Lagartinha

Ainda que virtual soube-me bem essa torta.

Fernando Samuel

Talvez.

Maria de Fátima

Aceito sim senhora eu é que agradeço.

Beijos