quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Marmelos, batatas doces e outras coisas


Ainda está sol, mas os dias estão mais curtinhos, amanhecem mais tarde e anoitecem mais cedo, de noite já preciso do conforto de qualquer coisa, nem que seja o lençol por cima, o céu já não está igual!
Aqui em baixo preparamo-nos para múltiplas coisas, mudanças, esperanças e lutas e lutar é que fazemos desde aquele esforço primeiro para encher os pulmões de ar.
Há pássaros que já partiram, há crias de bichos diversos que já estão com a robustez necessária, fazem-se as últimas colheitas, já comprei batatas doces, comecei a martirizar os meus pés com sapatos mais fechados, comprei anti traças com cheiro de cedro, porque a naftalina cheira a coisas tristes, embora isto tenha dias, estes dias e acima de tudo estas horas que vivemos dão-me a inquietação das incertezas e a esperança das resoluções, dos caminhos. As próximas semanas vão ser de luta, intensa, mas esperançosa, de expectativa, de esperança, também.
Reparei hoje em folhas de árvore a mudar de cor apesar de estar ocupada e de me preocupar com outras coisas de ler cartazes, de me aborrecer um bocadinho, de estar suspensa à espera de múltiplas coisas que não estão nas minhas mãos, que não posso decidir, coisas grandes e pequenas, problemas meus e dos meus e outros de todos nós.
Tenho a certeza que tão depressa não vou mergulhar, fica para o ano, junto com outros talvez, não tenho a certeza se este Natal consigo reunir as mesmas pessoas da família, não tenho a certeza se tenho força e coragem para mais uns encontrões da vida, mas como me preparo sempre para o pior que poderá vir e procuro sempre ver o lado mais luminoso, geralmente, aguento.
Ah, para além das batatas-doces, comprei marmelos para cozer com açúcar amarelo e pau de canela, maçãs bravo esmolfe e outras que perfumam a casa, cheiram a esperança.

12 comentários:

Zorze disse...

Ana,

Os encontrões da vida, são toda uma ciência humana.
Se posicionarmos, de facto as situações, os ditos encontrões, deixarão de ser encontrões, e sim a constatação de formas comportamentais.
Não estou com isto a dizer que temos de ser frios, ou que por expectativas que criamos em relação a outros, dói ver certas atitudes. Dói sempre.
Mas tens que recorrer sempre ao pensamento de que tu e em primeiro lugar és responsável pelas tuas atitudes e modo de agir, logo os outros também terão que o ser, independentemente de trezentos e um mil factores e atenuantes.
Por isso, estar tranquilo.
É que os encontrões levados a sério, mesmo que o tempo os vá disfarçando na memória, fisicamente as marcas ficam e as pessoas nem se apercebem desse processo.
Provoca doenças e mata, diluído no tempo.

Quanto aos teus dotes culinários tenho que voltar a provar a tua produção.

Beijos,
Zorze

utopia das palavras disse...

O teu texto tem o tom da nostalgia do Verão, de um Outono quente que espera de nós a força e a esperança no trabalho que encetámos! Tem cheiro de mudança e de cor rubra!

Andei à procura de marmelos para os fazer também com acúçar amarelo e pau de canela...mas ainda não encontrei por cá!

beijos, Ana

salvo disse...

Eu por mim prefiro a marmelada. Quando estiver a secar avisa-me que eu vou aí roubar-te uns cubos.

Abreijos.

Akhen disse...

Ana

Quem fazia isso tudo, de doces e mesmo culinária era a minha irmã.
Dos encontrões da vida, aprendi a aguentar os embates, com um certo "jogo de cintura". Há coisas que acontecem só quando se está sozinho. Não gosto de mostrar a ninguém as minhas fraquezas emocionais.
Costumo dizer "Tu és mais forte, vá..." e muitas vezes estou a mentir a mim próprio.
Mas como dizes que o tempo já está mudando e já estás sentindo o cheiro do Outono, aqui vai....

O vento sopra leve
O Outono aproxima-se
Na mala
traz a paleta com que pintará
a Terra
doutras cores

Hoje digo-te
PAZ e LUZ no teu caminho.

Anónimo disse...

Já comprei os marmelos,a canela nunca falta cá em casa e eu começo a ficar bem melhor disposta. Não gosto do calor, do verão,dos dias que nunca mais acabam sempre cheios de poeira, moscas e barulheira.
Eu gosto de manhãs frescas, da praia vazia com mar revolto, as gaivotas em terra e gosto de noites longas, com conversas, leitura e música.
Agora que me reformei, gosto até de ouvir o vento e a chuva.

Não estranhem há gostos para tudo, para mim a Festa do Avante, marca o princípio do Outono, sabe-me a mel e cheira-me a canela

Um abracinho da Lagartinha de Alhos Vedros

Diogo disse...

E os dias, os meses e os anos vão passando cada vez mais rapidamente, como num TGV a acelerar. Entristece-me verificar que falta cada vez menos para chegar à estação de destino e não me apetece nada sair num apeadeiro a meio caminho. Gozemos, pois, a paisagem e os passageiros que estão connosco.

Beijo

duarte disse...

ana
não tarda, estarei a provar esse teu doce...espero que brevemente.
e sim a vida é bela com a tua amizade, que naturalmente te retibuimos. pra já, lutemos com unhas e dentes.
abraço do vale

Anónimo disse...

OI aninha, posso mandar um abraço ao Duarte?
Abracinho da Lagartinha de Alhos Vedros

Fernando Samuel disse...

Essas «promessas» de doces até parece que já cheiram...


Um beijo.

Cidadão do Mundo disse...

Eu além da marmelada, vou querer o já prometido doce de tomate. Também vou mandar um abraço ao Duarte e à Lagartinha, pronto, acho que também tenho direito hehehe.

Abraço!

Anónimo disse...

Na roda de amigos da aninha, todos têm direito a doces, tortas de chocolate e claro o meu abraço!

Lagartinha de Alhos Vedros, andando por aí de bandeira rubra, distribuindo propaganda!

Ana Camarra disse...

Zorze

Os encontrões da vida são isso, por vezes deixam nódoa negra e somem-se com o tempo, outras vezes dói muito e a dor persiste, outras é momentâneo.
Os cozinhados é combinar-mos.

Ausenda

Rouba num marmeleiro!
Ainda sabe melhor!

Salvo

Este ano com tanta campanha não sei se faço!

Akhen

Que linda prenda me envias.
Dizemos sempre essas mentiras a nós próprios.

Lagartinha

Pronto, trocamos eu fico com o meu e o teu Verão, posso dar-te o Inverno!

Diogo

Posso sentar-me ao pé de ti?

Duarte

Pois agora é luta, muita.

Lagartinha

Claro que sim, eu acrescento o IVA.


Fernando Samuel

Mas eu não faço promessas, agora já cá estão os marmelos o açúcar amarelo e os paus de canela….

Cidadão

Cada abraço que passa por aqui leva IVA.
Que eu acrescento o meu.

Beijos