quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vai Marta!


A Marta é uma menina linda! Cabelo castanho claro, olhos de mel, educada, tem oito anos, assim um ar frágil de caniço, usa roupas da Ana Montana, ganchos com flores e mochilas da Barbie.
A Marta de vez em quando fica murcha, triste, sem razão aparente.
Tive de lhe perguntar o que se passa, a Marta disse-me que tinha saudades do pai.
Perguntei se estava longe, respondeu-me que sim, que vive com outra mulher, que se está a divorciar da mãe.
Há quanto tempo não o vês Marta?
Não sei, não me lembro dele, só o vi em bebé…
Rasgou-se qualquer coisa dentro de mim, disse-lhe que qualquer dia iria passar uns dias com o pai, respondeu-me que não, nem a mãe deixa, nem o pai quer.
Disse-me ainda: Gostava que ele um dia me telefonasse, achas que me telefona, Ana?!
Engoli em seco, Sim é claro que sim!
Deu-me a mão com muita força e perguntou se podia ir brincar. Vai Marta!
A minha mão ficou a doer!

18 comentários:

mugabe disse...

Ana, também me rasgo muitas vezes por dentro..!

Abraço

Anónimo disse...

Pois Linda

Por muito que pareça que já estás habituada, doi-te sempre qualquer coisa pelos outros.
Por isso, também, que és especial.
Beijos mil

KL

Lúcia disse...

Dói. Dói.nos. E essa coisa de 'nem a mãe deixa nem o pai quer...' é mortífera!

duarte disse...

DOI TUDO...E DE POUCO VALEMOS , NESSAS ALTURA.
ABRAÇO DO VALE

Paula disse...

é egoísmo...do mais puro!
não percebo esses pais..
:(

Anónimo disse...

As crianças, como arma de arremesso.

André Miguel disse...

Como sempre quem mais sofre, pelo egoísmo dos adultos, são as crianças.

Maria disse...

Às vezes apetece-me dizer asneiras....

Fernando Samuel disse...

Excelente crónica!
Parabéns.

Um beijo.

PAULO LONTRO disse...

E a mim ficou a doer a alma, graças ao teu texto.
Só espero que a Marta, e as Martas, tenham amigas como tu, por perto.

Anónimo disse...

Aninha li sofregamente todos os textos, estava cheia de saudades!
Por aqui fiquei um tempinho ouvindo a música linda!
Estou de partida para a beira mar.
Lá te espero.
Beijos

Lagartinha de Alhos Vedros

Diogo disse...

A sucessão de relações ao longo da vida (namoros, viver junto, casamentos) veio substituir o antigo casamento para toda a vida (quando a mulher era dona de casa e dependente do marido). Não lamento, de forma nenhuma, a emancipação feminina. Mas o choque para as crianças fruto destas separações nunca poderá ser avaliado.

sagher disse...

Sabes Ana, ele há gente que não merecia ter filhos

Ana Camarra disse...

A todos

A Marta (que tem outro nome) é um dos 22 meninos que me faram companhia até ao final do mês todas as manhãs.
Há 22 anos que faço isto, a verdade é que não me habituo ao desamor que estas crianças sofrem.
Tenho mais Martas, vitimas de negligência, de amor possessivo e sufocante, de lutas paternais, de coisas que doem.
Tento dar-lhes carinho, alguma estrutura, é pouco.
Hoje tive uma, não a Marta que de 5em 5 minutos se abraçava a mim.
Também há meninos de amor completo, remediados, ricos e pobres,um autista, vários com problemas de desenvolvimento, brincam todos juntos este mês....

beijos

samuel disse...

És uma pessoa bonita!

Abreijo.

salvoconduto disse...

Também conheço um "Samuel" que já não vê o pai vai para cerca de três anos, não porque o pai não queira, bem pelo contrário é o que ele mais deseja no mundo, mas porque a mãe e um juíz, que disso só tem o nome, lho impedem. Esse pai tem lutado até à exaustão por esse direito. Que raio de justiça é essa que permite tal situação? Porque se tratam desta maneira dois seres humanos, um deles ainda em vias de formação.

Abreijos.

Zorze disse...

Ana,

Infelizmente existem muitas situações dessas.
Começa pelo o egoísmo dos Pais, e como alguém já comentou usam a criança como arma de arremesso nos seus diferendos.
Depois a nossa (in)justiça que é lenta e insensível. O ritmo da (in)justiça "esquece" que as crianças crescem.

Beijos,
Zorze

juh disse...

também a mim me doi pensar nessas crianças cujo os pais nao as merecem, pois elas é que acabam a sofrer... bjs