
Despedi-me dos meus meninos.
Segunda feira chegam outros, uns novos em folha, outros já conhecidos.
Tenho meninos inteiros com pai e mãe, mesmo que separados não se separaram dos filhos nem os utilizaram como arma de arremesso, com casas, com sapatos, as refeições todas, histórias à noite, alguém que os aconchegue.
Depois no meio tenho os outros, a Marta que já escrevi, o Ricardo que tem pai e mãe e as outras coisas boas, mas uma mente de quatro anos num corpo de dez, que os pais teimam em negar que assim seja, o Nuno que tem um brinco como o Ronaldo fala de sexo de uma forma desbragada, desagradavelmente surpreendente para um franzino de oito anos, fala em armas, mente, recusa-se a partilhar, o Rui que tem uma mãe em fase terminal, um pai que nunca vi mas que sei que existe e umas nódoas negras nas costas que ele diz que fez por bater de encontro a uma parede…
O Rui fala muito de namoros e paixões, como a Tânia, que é filha de um amor ocasional de uma mãe que a considera um empecilho, pelo que ela fica entregue a carinhos de avós e tios. Falam de amor como os pobres falam de dinheiro, é o que lhes falta.
A Rita quer que a veja a correr, a chapinhar, talvez porque a mãe a tenha abandonado a ela e a um irmão que ficaram cada qual com a sua avó, o pai está lá em casa também e agredi a avó sempre que necessita do seu quinhão de heroína, com a Rita não se importa…
Existem mais dois ou três entregues a avós, com pais e mães semi ausentes que os usam como argumentos e moeda de troca, empurrados entre fins-de-semana, ordens judiciais e outras coisas.
Os meus meninos abraçam-me, eu ralho, repreendo, ensino coisas, como o facto de leite sair de um animal, que aquilo que está plantado não é arroz mas uvas e porque é que os girassóis se chamam assim, chamo a atenção, mas abraço-os….
Segunda-feira há mais!
Segunda feira chegam outros, uns novos em folha, outros já conhecidos.
Tenho meninos inteiros com pai e mãe, mesmo que separados não se separaram dos filhos nem os utilizaram como arma de arremesso, com casas, com sapatos, as refeições todas, histórias à noite, alguém que os aconchegue.
Depois no meio tenho os outros, a Marta que já escrevi, o Ricardo que tem pai e mãe e as outras coisas boas, mas uma mente de quatro anos num corpo de dez, que os pais teimam em negar que assim seja, o Nuno que tem um brinco como o Ronaldo fala de sexo de uma forma desbragada, desagradavelmente surpreendente para um franzino de oito anos, fala em armas, mente, recusa-se a partilhar, o Rui que tem uma mãe em fase terminal, um pai que nunca vi mas que sei que existe e umas nódoas negras nas costas que ele diz que fez por bater de encontro a uma parede…
O Rui fala muito de namoros e paixões, como a Tânia, que é filha de um amor ocasional de uma mãe que a considera um empecilho, pelo que ela fica entregue a carinhos de avós e tios. Falam de amor como os pobres falam de dinheiro, é o que lhes falta.
A Rita quer que a veja a correr, a chapinhar, talvez porque a mãe a tenha abandonado a ela e a um irmão que ficaram cada qual com a sua avó, o pai está lá em casa também e agredi a avó sempre que necessita do seu quinhão de heroína, com a Rita não se importa…
Existem mais dois ou três entregues a avós, com pais e mães semi ausentes que os usam como argumentos e moeda de troca, empurrados entre fins-de-semana, ordens judiciais e outras coisas.
Os meus meninos abraçam-me, eu ralho, repreendo, ensino coisas, como o facto de leite sair de um animal, que aquilo que está plantado não é arroz mas uvas e porque é que os girassóis se chamam assim, chamo a atenção, mas abraço-os….
Segunda-feira há mais!
Comentários
http://som-da-tinta.blogspot.com/2009/03/as-andorinhas-e-o-amor-em-materia-de.html
palavras para quê?
MULHER o mundo precisa de muitas ANAS.
Existe o mais que puderes, que o mundo agradece.
ABRAÇOS MIL
mais 1 abraço para serem 1001.
Obrigada por existires.
Beijinho
Anabela
Cada dia que vivemos, vivemos imensas histórias paralelas.
Tal como histórias paralelas somos para os outros.
A frase seguinte é um misto de brilhantismo e sensibilidade tremenda com pitada de simplicidade meridiAna, só ao alcance de consciências de alto nível como tu.
"Falam de amor como os pobres falam de dinheiro, é o que lhes falta".
Beijos,
Zorze
Abraço!
Um beijo.
Mas parece-me que descreves os dias e as pessoas ( crianças ) de uma forma única... peculiar.
É isso que torna esta descrição tão verdadeira...
Que dizer?
Segunda feira há mais...
Um óptimo fim-de-semana.
Bruno-Fui ver, mas sendo o blogue de quem não me espanta nada!
Duarte-Já fui ver, gostei.
Diogo-Sou muito mãezinha, muito mesmo.
Belita-Isso é melhores agradeceres à minha mãe, porque pai já não tenho. Fico à espera para o cafezito…
Zorze-È verdade, quando estão sempre a falar de amor é o que lhes falta.
Mugabe-Doí pois, oh se dói.
Fernando Samuel-Como dizia Vinicius, fundamental!
Entremares-È segunda-feira há mais, no fim do mês estou esgotada, mas de certa forma feliz.
Beijos
(e vou-me .. que já estou de lágrima no olho e não, não sou nenhuma chorona)
Gostei muito deste espaço. De tudo quanto li e senti nas entrelinhas.
Voltarei.