quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os de lá…

A classe média dos Estados Unidos da América foi lançada para uma pobreza abrupta, de repente milhares de técnicos, comerciais, com vidas estabelecidas, casas, carros, filhos, férias, viram o sonho americano tornar-se no pesadelo americano.
O maior negócio em expansão nos Estados Unidos neste momento são as firmas que removem recheios de casas, porque de um momento para o outro milhares de famílias vêm as suas casas retomadas pela banca, não conseguem pagar as hipotecas, assim saem, alguns com o carro onde passam a viver, carregado ao máximo com aquilo que lhes parece indispensável, outros nem o carro, passam a viver em tendas em acampamentos clandestinos.

Acampamentos sem balneários, sem o mínimo de condições, isto num país que continua a não ter uma rede de segurança social ou saúde, que gasta biliões em armamento, que mantém ainda intervenções militares em solo estrangeiro.
Para trás ficam subúrbios desertos, como as velhas Cidades Fantasmas do Oeste.
Só na Cidade de Sacramento, Califórnia, existem dez mil crianças sem abrigo a frequentar as escolas, o desemprego é estimado em quase 16% da população activa, qualquer coisa como cerca de 24 milhões de pessoas.
Questionados os novos pobres sobre o que lhes faz mais falta regra geral respondem que é a casa de banho, tomar um banho, lavar os dentes, é um luxo que não possuem, alguns continuam sócios de ginásios para o puderem fazer.
Para trás ficam casas, com electrodomésticos, mobiliário, louças, roupas, brinquedos e até fotos de família.
Para o negócio em expansão dos Estados Unidos, o objectivo é “limpar” 15 habitações por dia, muitos dos que lá trabalham choram a limpar as casas, são iguais às que deixaram…
A fonte deste artigo é a BBC e a CNN, em reportagens especiais. As imagens, uma é das que simbolizou a Grande Depressão no princípio do Século XX, a outra dos tais acampamentos.

14 comentários:

J.S. Teixeira disse...

José Sócrates diz que "“Ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu”. Novo artigo sobre essas declarações do nosso PM e acerca das propostas do seu "amiguinho do Seixal", Samuel Cruz. Tudo no blogue O Flamingo.

Maldonado disse...

O liberalismo económico dos EUA potencia situações dessas.
Para nós é chocante esse tipo de economia, mas como os americanos já estão mentalizados para ele, custa-lhes muito mais encarar os seus efeitos perversos.

Akhen-navegandonaspalavras disse...

Quando me falam na Banca, ou da Banca e quando leio, como no post, o que a Banca está a fazer nos USA, tenho sempre uma sensação estranha, que, normalmente, começa por uma volta que sinto no estomago.
Nos USA, o presidente Obama viu chumbadas no senado umas propostas para fazer face à crise interna, não só na saúde como no desemprego,
mas. em contrapartida têm sido aprovadas leis de apoio financeiro à Banca.
Os Banqueiros, fazem-me lembrar aqueles abutres africanos que, pousados nas arvores, esperam que os animais feridos caiam para, com eles , muitas vezes ainda vivos, irem banquetear-se com a carniça.
Mas se posso entender os abutres que não têm culpa de terem nascido com essa função (limpadores das savanas), já o mesmo não posso dizer dos Banqueiros, nem dos que, como os abutres, estão à espera da queda de um ser humano por uns meros $$$$$$$US's ou €€€€€€€'s.
Será isto "The wonderful world"?

José Gil disse...

Ana esta questão é muito séria, pois efectivamente a ela está subjacente uma crise humanitária gravíssima.

Por um lado, temos os bancos que andaram a prometer empréstimos de dinheiro a preços da uva mijona, baseados na bolha dos investimentos dos subprimes e no dinheiro estava investido nesses fundos.

Por outro, temos uma classe média americana, altamente consumista que passou a basear o seu estilo de vida e a alimentá-lo, através do recurso ao crédito... Crédito esse que por ser fácil de obter, foi endividando cada vez mais a classe média, que entretanto tudo consumia.

Quando a aconteceu a queda das taxas de subprime, tudo veio por ai a baixo, com os bancos a as financeiras a terem de executar hipotécas e créditos malparados.

Olha não sou particularmente apreciador de bancos ou banqueiros... No entanto parece-me que desresponsabilizar os consumidores é persistirmos num erro enorme, pois se não tirarmos lições desta situação, corremos o risco de voltar a acontecer.

E no entanto, continuamos a ter uma situação humanitária e social muito dificil, em que os próprios americanos não conseguem se entender sobre a forma de a resolver.

Já agora Ana, talvez fosse interessante tentares saber exactamente o que se está a passar com as medidas do Obama e o que se está a passar no Congresso Americano, antes de afirmares que o Obama já começou a faltar ao prometido.

Um beijo grande.

Zorze disse...

Ana,

E no entanto a banca americana já começa a apresentar lucros fabulosos. Com a "ajuda" dos programas de injecção de capital por parte do governo americano. Ou seja o contribuinte americano. É surreal mas bem real.
Também concordo em parte com que o José Gil referiu no que toca à desresponsabilização dos consumidores.
Tem que se saber gerir as tentações. Gastar apenas o que se tem, e empréstimos só mesmo em último recurso.
Se não dá para ir à Republica Dominicana, vai-se à Fonte da Telha. E o, compre agora e pague depois. Etc.,etc. ...

Beijos,
Zorze

Ana Camarra disse...

JS Teixeira-Vai na volta têm razão, em tão pouco tempo não me lembro de nenhum. Agora se fez bem é outra conversa.

Maldonado-Eu chamo-lhe capitalismo selvagem.

Aken-Os abutros até faz parte da natureza deles, os banqueiros...

Zé Gil-eu não digo AQUI que Obama falta ás promessas. Eu digo desde o principio que tenho dúvidas sobre ele e que mesmo que ele quisesse levar a "carta a Garcia" espetavam-lhe com um balázio,como fizeram ao JFK ou então arranjavam-lhe uma Mónica, como fizeram ao Bill. Mas de qualquer das formas não confio nele, sob o ponto de vista histórico acho fascinante que num espaço de 40/50 anos de osnegros não puderem frequentar os mesmos espaços publicos que os brancos, haja um Presidente de origem Africana. Mas iss só não chega.
Adorava estar enganada a respeito do Obama, adorava.

Zorze-essa gaita da ajuda aos bancos deixa-me........muito zangada!
Quanto á responsabilização do consumidor, é verdade, mas a máquina do consumo é mais forte e mais bem apetrechada.

beijos

salvoconduto disse...

De um comentário anterior retiro a ideia de que ainda há muita gente "crente". É por essas e por outras que Fátima está sempre cheia...

Abreijos.

Diogo disse...

Muito bom post Ana.

Infelizmente as pessoas não sabem contra quem se hão-de revoltar. Os Media privados turvam-lhes, dia e noite, o raciocínio: «estabilidade das instituições financeiras», «guerra ao terrorismo», «combate ao défice», etc., etc., etc.

E, no entanto, a coisa pode ser simples: não é necessário começar por meter uma bala na cabeça de um Presidente. Pode-se começar por uma sova monumental a um reles aldrabão dos jornais ou da televisão.

Os Senhores do Dinheiro precisam de agentes políticos e mediáticos. Comecemos a dar-lhes caça na exacta medida em que a vida das populações se vai transformando num inferno. Demos-lhes a provar um pouco do próprio veneno.

Beijo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

O American Dream virou pesadelo, mas a culpa, reconheçamos não é do Obama. Será difícil - e levará muito tempo- a reparar os desmandos do Bush. Embora não veja nele um salvador, acredito qu a política americana poderá mudar um pouco.

mugabe disse...

"Eles querem cuidar da casa dos outros, mas a casa deles....!!

Obama, é um fait divers, havia que mudar a imagem dos EUA e foi o que fizeram, os Falcões americanos continuam a dar as cartas e a decidir, Obama é uma imagem para distrair as atenções. Não se lembram no tempo do Salazar, também puseram um preto como locutor da televisão para poderem dizer que não eram racistas.

Abraço!

Sostrova disse...

Um dos livros que li na adolescência e mais me marcou, foi o "vinhas da ira" do Steinback. De facto, voltamos ao período da grande depressão. Acho no entanto que a saída para a economia americana desta vez não vai ser uma guerra na Europa que lhes permitiria recuperar a industria vendendo material bélico… desta vez talvez seja possível encontrar uma solução mais humanista… Tenho grandes expectativas nos modelos que a América Hispânica está a criar e a adaptar. Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador são neste momento referencias….

Fernando Samuel disse...

Não é possível: o «sonho americano» é só bem-estar, abastança. tudo bom...

Um beijo.

Ana Camarra disse...

Salvo

Há muitos há…

Diogo

Juro que sou pacífica, mas de vez em quando penso nessas coisas.

Carlos

Não tenho dúvidas que a culpa não é do Obama, duvido é que queira e consiga remendar os buracos do Bush, já agora também duvido que o deixem…

Mugabe

Pois, é uma espécie de operação cosmética.

Sostrova

Fabuloso livro e filme, impressionante é que eu acho que vão tentar a mesma via, uma guerra.

Fernando Samuel

È este mau feitio…

Beijos

SENSEI disse...

Uma seringa,
um dedo, pode ser o indicador,
o polegar pressiona o êmbolo,
pressiona,
pressiona,
pressiona,
pressiona,
o dedo, que era o indicador
cede ferido com sangue
o polegar perde a oposição
de uma massa demasiado comprimida
essa massa liberta-se
o polegar estatela-se

Eis a história de todas as revoluções,
em especial,
as mais sangrentas!

Ouss