
S tem 27 anos e um curso de arquitectura, viveu com o namorado durante dois anos, teve de voltar para casa de mãe, o emprego a recibos verdes terminou, sem direito a subsidio de desemprego e a segurança social, equaciona a hipótese de partir, para um país nórdico onde um famíliar lhe poderá arranjar emprego não relacionado com a sua área.
M anda pelas mesmas idades, tem uma licenciatura, ainda vive com o companheiro, almoça em casa da mãe e leva o comer feito para casa, o salário permite pagar casa, agua e luz, nada mais…
A trabalha num escritório de uma firma de construção civil, a sorte deu-lhe dois gémeos e um companheiro com uma patologia, esquizofrenia, que se revelou depois da firma onde trabalhava fechar. O salário de A é gasto nos transportes, nas despesas obrigatórias, pouco mais, a pensão de invalidez atribuída ao companheiro com menos de 40 anos de idade permite-lhe uma insuficiência alimentar que é camuflada com algum apoio traduzido em panelas de sopa confeccionadas pela sogra, ela também pensionista com uma pensão insuficiente. A não se enquadra em nenhum esquema de apoio social, trabalha, o rendimento do agregado ultrapassa a referência do Salário Mínimo Nacional. A tem vergonha, tem um ar triste e cansado, pensou vender a casa, o que não resolve nada porque não tem para onde ir, não arranja casa a pagar menos do que a prestação mensal, de qualquer das formas as casas também não se vendem.
I trabalhou toda a vida, ficou no desemprego aos cinquenta e cinco anos, reformou-se, a reforma não é suficiente para as suas necessidades, vive numa casa emprestada, trabalha na casa de uns amigos de manhã, onde trata do trivial e de um idoso, na recepção de uma associação de tarde, onde passa recibos verdes.
L é mãe solteira, trabalha e tem uma filha, sobrevive com algum apoio da família, confessa-me que há anos que não vai ao dentista, que tem férias ou que compra uma peça de roupa para si, leva uma lancheira para o trabalho em Lisboa, uma semana depois de receber faz contas de sumir, empresto-lhe livros, pago-lhe uma bica, penso que isto não é justo!
E o futuro escorre destas mãos sem saberem muito bem como e por muito que olhem para a frente carregam a vergonha de se sentirem fracassados, de não perceberem onde é que se enganaram.
Estas pessoas são reais e fazem parte do meu círculo de conhecidos.
M anda pelas mesmas idades, tem uma licenciatura, ainda vive com o companheiro, almoça em casa da mãe e leva o comer feito para casa, o salário permite pagar casa, agua e luz, nada mais…
A trabalha num escritório de uma firma de construção civil, a sorte deu-lhe dois gémeos e um companheiro com uma patologia, esquizofrenia, que se revelou depois da firma onde trabalhava fechar. O salário de A é gasto nos transportes, nas despesas obrigatórias, pouco mais, a pensão de invalidez atribuída ao companheiro com menos de 40 anos de idade permite-lhe uma insuficiência alimentar que é camuflada com algum apoio traduzido em panelas de sopa confeccionadas pela sogra, ela também pensionista com uma pensão insuficiente. A não se enquadra em nenhum esquema de apoio social, trabalha, o rendimento do agregado ultrapassa a referência do Salário Mínimo Nacional. A tem vergonha, tem um ar triste e cansado, pensou vender a casa, o que não resolve nada porque não tem para onde ir, não arranja casa a pagar menos do que a prestação mensal, de qualquer das formas as casas também não se vendem.
I trabalhou toda a vida, ficou no desemprego aos cinquenta e cinco anos, reformou-se, a reforma não é suficiente para as suas necessidades, vive numa casa emprestada, trabalha na casa de uns amigos de manhã, onde trata do trivial e de um idoso, na recepção de uma associação de tarde, onde passa recibos verdes.
L é mãe solteira, trabalha e tem uma filha, sobrevive com algum apoio da família, confessa-me que há anos que não vai ao dentista, que tem férias ou que compra uma peça de roupa para si, leva uma lancheira para o trabalho em Lisboa, uma semana depois de receber faz contas de sumir, empresto-lhe livros, pago-lhe uma bica, penso que isto não é justo!
E o futuro escorre destas mãos sem saberem muito bem como e por muito que olhem para a frente carregam a vergonha de se sentirem fracassados, de não perceberem onde é que se enganaram.
Estas pessoas são reais e fazem parte do meu círculo de conhecidos.
Comentários
Consequências brutais da política de direita PS/PSD/CDS.
Um beijo.
Beijo
Abraço!
A tecnologia, hoje, tem capacidade para dar uma vida razoável a toda a gente. Que não sirva apenas os super-chulos e respectivos agentes a soldo. Está na altura de uma revolução a sério!
Então? Sua marota!
Já não se lembram nos governos Cavaco Silva com direito a artigo no Wall Street Journal? Em que o desenvolvimento de Portugal era apresentado como case-study?
E as novas oportunidades, e as novas tecnologias.
O País que constrói os maiores centros comerciais da Europa e do Mundo. Pontes também.
Temos estádios de futebol de primeiríssima água.
Temos computadores Magalhães para todos os petizes.
Eu sei lá.
A Noruega e o Canadá, roem-se de inveja.
Como é que os portugueses, conseguem? Devem ser muito bons administradores?
Por isso acho que deve haver de algo errado quando uma idosa me pede adiantado €10 até receber a pensão. Com o suposto argumento de que não tem nada para comer.
Com pensões tão altas, fico desconfiado.
Ou quando os polícias atiram os bonés para a frente da residência do garboso primeiro. Com salários de tão elevada estirpe, é estranho.
Também se estranha, o porquê, das para-financeiras como a Credibom, a Credifin e a Cofidis, terem em Portugal - o País das Oportunidades, tão elevados lucros.
Há quem diga, imagine-se, porque os salários em Portugal serem baixos. E para comprarem uma merda de um frigorífico, televisão e até uma operação às cataratas, precisarem de empréstimos.
Vejam o exemplo dos gestores das grandes empresas portuguesas, salários de fazer corar de inveja, os seus compadres finlandeses, alemães e holandeses.
Portugal é um País rico! Rico em estupidez, falta de consciência e de injustiça.
Não percebo porque é que as pessoas criticam.
Beijos,
Zorze
Não digas isso, é a crise internacional....
Nuno
Infelizmente.
Carlos
Eu sei que vês!
Cidadão
Eles, para eles é o venha!
Diogo
Mas usam a tecnologia para o inverso.
Zorze
Tu já sabes que eu tenho um mau feitio desgraçado!
beijos
Ainda não ouvi nenhum empresário dizer que abdica dos lucros para equilibrar a economia.
Mais uma vez eu digo, "O capitalismo, mais hard ou mais soft, não é sistema que sirva para fazer a humanidade progredir".
De nacionalidade portuguesa serei sempre, mas renego esse país de hoje, renego quem à conta dele se governa, e renego também quem elege esses auto-governados. Se me sinto português, é por ter memória histórica, por ter saudades de um país que nunca vi. Hoje, mete-me nojo. E não me venham falar de esperança, dizer que as coisas mudarão. Se não estou hoje ainda tão bem quanto podia estar, isso se deve à tal de esperança que me fez ficar tempo demais nesse feudo miserável ao qual não quero mais voltar. Como diz o ditado e canta Sérgio Godinho, "antes a morte que tal sorte". Sou português, sim, e daí? Tenho culpa disso? Por que motivo haveria eu de dar mais uma oportunidade a um país que nunca me deu nenhuma? Pensem bem nisto os que ainda estão a tempo de fugir.
PS (salvo seja): Beijinhos.
Mac Adame - Afinal estás alive! Que alegria!
Quando ao tema é uma gaita a tua conclusão, vendo bem podiamos ser cá felizes, não era?
beijos
Eu sei onde errei mas e quando a culpa não é inteiramente nossa, como é que se faz? Porque não é.