quarta-feira, 6 de maio de 2009

Das árvores de fruto....


Havia um cheiro adocicado no ar, eram as árvores de fruto em flor.
Passávamos horas, sentados nos troncos da figueira, tínhamos um balouço lá pendurado.
O quintal era enorme!
Era uma estepe, um deserto, uma floresta africana, uma pradaria, uma ilha de piratas, o que nos dava na bolha.
Os joelhos tinham sempre uma cobertura alaranjada de mercurocromo, os dias eram longos, bastava uma bola, um monte de berlindes, uma corda ou um pau para ficarmos entretidos, num monte de areia construímos castelos, pastelaria fina e variada, muralhas e trincheiras.
Os dias eram lentos, não como agora, que os ponteiros desvairam e andam a muito mais velocidade que o normal, dou conta agora que as árvores da minha infância, gamboeiros, ginjeira, laranjeira, damasqueiro, deviam de estar em flor.
Já não estão!
Mas no fundo quando não olho, há um quintal cheio de árvores de fruto a florir, guardei o cheiro e umas cicatrizes que o mercurocromo não curou….

7 comentários:

Anónimo disse...

A música de Anamar e o teu ternurento texto, levando-me para os meus 6 ou 7 anos, no monte da minha avó, no Alentejo, foram uma prenda para a minha alma.
Lá no monte havia uma figueira bem alta que funcionava como o palco onde eu era a MARISOL
Pertinho havia um rio onde apanhava peixe com um cesto de vime, nos valados apanhava amoras.
Enfim fico por aqui na viagem a um monte que já nem existe!

Um abracinho

Lagartinha de Alhos Vedros

Anónimo disse...

Psiuuu

este One fine day com as tuas palavras é uma coisa fora de série...

Beijos

kl

Maria disse...

Por onde andaste que eu (nós, eu mais irmãos e primos) tínhamos os joelhos todos esfolados mas era de subir para cima e um monte de molhos de pinheiros (caruma?) verde, cheios de resina e sardaniscas, e vinhamos para casa com cabeças partidas e joelhos "escalavrados"...
... quase parecido...
:))

Beijos

Fernando Samuel disse...

Mais um excelente texto.

Um beijo.

Zorze disse...

Ana,

Guarda-os bem guardados, pois são, "uma das" preciosidades da vida.

Beijos,
Zorze

mugabe disse...

Recordar é viver....

Abraço!

Ana Camarra disse...

Lagartinha-Esta quem canta é a Né Ladeiras, acho que as crianças perderam muito a vivencia de rua e faz falta!

Kl-Esta versão é fabulosa!

Maria-è parecido e faz bem.

Fernando Samuel-Obrigado.

Zorze-Faço por isso.

Mugabe-Mas temos de ir sempre para o futuro.

beijos