segunda-feira, 25 de maio de 2009

Álbum de família 4


Estes são os meus avós paternos.
Nesta foto a minha avó está grávida do meu pai, o terceiro filho, teve mais dois depois dele.
Quando morreu, aos 26 anos, ainda o meu pai não tinha dois anos, tinha tido cinco crianças.
Sei que era perdidamente apaixonada pelo o meu avô, o meu avô bateu na mesma tecla até ao final da vida afirmando sempre que também era apaixonado por ela, a sua pantera, como ele dizia.
Tal facto não o impediu de casar pouco depois da minha avó ter morrido, ter mais três filhos, tios com quem partilho afinidades e uma ternura quase envergonhada.
Do casamento dos meus avós ficaram duas crianças, o meu pai e a minha tia. O meu pai nunca teve memória da mãe, a minha tia recorda o funeral no dia em que completou cinco anos. Os outros não sobreviveram, duas de doenças infantis, uma morreu juntamente com a mãe no parto.
Toda a vida o meu avô, as irmãs e primas da minha avó, reconheciam em mim múltiplos traços dela, não sei, sei que eu e a minha irmã temos um cabelo liso e escorregadio como era o dela, sei que todos os primos herdaram o nariz do meu avô, os lábios cheios também, uns mais que outros e o tom moreno.
Eu herdei também o nome da mãe dos meus tios como segundo nome.
Tenho esta foto, uma pequenina, a do casamento, algumas histórias da paixão que os unia testemunhada por muitos que já cá não estão.
Nesta foto acho que têm um ar feliz!

8 comentários:

korrosiva disse...

Adoro fotografias antigas, saber ou simplesmente imaginar como eram, como viviam, se riam se choravam, se amaram muito...

beijinhoss

Fernando Samuel disse...

E se nos contasses essas histórias da paixão?...

Um beijo.

Diogo disse...

A mortalidade naqueles tempos era impressionante. Hoje, lembramo-nos pouco disso. Julgo que a morte, na altura, era considerada um acontecimento mais natural.

Era bonita a tua avó.

Beijo

Sandra disse...

Oi Ana,
Que casal elegante. Eu também tenho algumas fotos de meus avós e são lembranças tão profundas e marcantes! Meus avós paternos, pois os maternos não cheguei a conhecer. Os seus avós são lindos e você deve ser também uma "pantera", como sua avó.
Beijos da amiga,
Sandra

samuel disse...

Independentemente da ternura, que foi salvando a sanidade mental de milhares de portugueses, estas histórias verdadeiramente violentas, de como tão facilmente se morria na flor da idade, ou em criança, ou mesmo ao nascer, lembram-nos "quão melhor era isto nos bons velhos tempos". Xiça!!!

Abreijos.

anad disse...

Uma história muito bonita que nos contou. Senti emoção no texto.
Beijinhos
Anad

Ana Camarra disse...

Korrosiva-Também adoro!

Fernando Samuel-Vou contando assim aos bocadinhos!

Diogo-A esperança de vida era curta, a mortalidade infantil enorme, a morte no parto um horror.
Era bonita, era.

Sandra-Eu só conheci o meu avô paterno e a minha avó materna, fiquei com fotos, histórias, com algumas heranças genéticas.
Acho que não era capaz de amar assim como a minha avó amou, incondicionalmente sobre todas as coisas.

Samuel-Xiça mesmo!

Anad-Eu sou muito emocional, a escrever.

beijos

Anónimo disse...

És parecida és!

beijos

KL