Álbum de família 4


Estes são os meus avós paternos.
Nesta foto a minha avó está grávida do meu pai, o terceiro filho, teve mais dois depois dele.
Quando morreu, aos 26 anos, ainda o meu pai não tinha dois anos, tinha tido cinco crianças.
Sei que era perdidamente apaixonada pelo o meu avô, o meu avô bateu na mesma tecla até ao final da vida afirmando sempre que também era apaixonado por ela, a sua pantera, como ele dizia.
Tal facto não o impediu de casar pouco depois da minha avó ter morrido, ter mais três filhos, tios com quem partilho afinidades e uma ternura quase envergonhada.
Do casamento dos meus avós ficaram duas crianças, o meu pai e a minha tia. O meu pai nunca teve memória da mãe, a minha tia recorda o funeral no dia em que completou cinco anos. Os outros não sobreviveram, duas de doenças infantis, uma morreu juntamente com a mãe no parto.
Toda a vida o meu avô, as irmãs e primas da minha avó, reconheciam em mim múltiplos traços dela, não sei, sei que eu e a minha irmã temos um cabelo liso e escorregadio como era o dela, sei que todos os primos herdaram o nariz do meu avô, os lábios cheios também, uns mais que outros e o tom moreno.
Eu herdei também o nome da mãe dos meus tios como segundo nome.
Tenho esta foto, uma pequenina, a do casamento, algumas histórias da paixão que os unia testemunhada por muitos que já cá não estão.
Nesta foto acho que têm um ar feliz!

Comentários

korrosiva disse…
Adoro fotografias antigas, saber ou simplesmente imaginar como eram, como viviam, se riam se choravam, se amaram muito...

beijinhoss
Fernando Samuel disse…
E se nos contasses essas histórias da paixão?...

Um beijo.
Diogo disse…
A mortalidade naqueles tempos era impressionante. Hoje, lembramo-nos pouco disso. Julgo que a morte, na altura, era considerada um acontecimento mais natural.

Era bonita a tua avó.

Beijo
Sandra disse…
Oi Ana,
Que casal elegante. Eu também tenho algumas fotos de meus avós e são lembranças tão profundas e marcantes! Meus avós paternos, pois os maternos não cheguei a conhecer. Os seus avós são lindos e você deve ser também uma "pantera", como sua avó.
Beijos da amiga,
Sandra
samuel disse…
Independentemente da ternura, que foi salvando a sanidade mental de milhares de portugueses, estas histórias verdadeiramente violentas, de como tão facilmente se morria na flor da idade, ou em criança, ou mesmo ao nascer, lembram-nos "quão melhor era isto nos bons velhos tempos". Xiça!!!

Abreijos.
anad disse…
Uma história muito bonita que nos contou. Senti emoção no texto.
Beijinhos
Anad
Ana Camarra disse…
Korrosiva-Também adoro!

Fernando Samuel-Vou contando assim aos bocadinhos!

Diogo-A esperança de vida era curta, a mortalidade infantil enorme, a morte no parto um horror.
Era bonita, era.

Sandra-Eu só conheci o meu avô paterno e a minha avó materna, fiquei com fotos, histórias, com algumas heranças genéticas.
Acho que não era capaz de amar assim como a minha avó amou, incondicionalmente sobre todas as coisas.

Samuel-Xiça mesmo!

Anad-Eu sou muito emocional, a escrever.

beijos
Anónimo disse…
És parecida és!

beijos

KL