Opera música de operários

O meu avô materno era um homem culto, recatado, calmo e circunspecto.
Casou com uma mulher que era um furacão de alegria, boa disposição e trabalho.
Ele era branco e louro de olhos claros, ela morena, ele tinha alguns estudos e de uma família com umas certas pretensões, algumas propriedades, ela era de uma família pobre, começou a trabalhar em criança, trabalhos duros, ainda era ela que governava a casa e tratava da irmã doente e do irmão mais novo, quase que não foi à escola.
No entanto, aprendeu a ler e escrever quase sozinha, tinha uma voracidade por aprender tudo, ele ferroviário e mais tarde por circunstâncias várias, padeiro, tinha outras paixões para além daquela mulher: os livros e a opera.

Assim assistia a toda a temporada do São Carlos, luxo supremo conjuntamente com os livros que adquiria e com a tenacidade com que colocou as três filhas a estudar, que não era habitual naquele meio e naquela época.
Como tal cresceram a ouvir óperas, como não tinham gramofone ou algo parecido tinham a minha avó, que não só decorava os libretos como as árias, como as assobiava, cantava e descrevia em pormenor.
Aprendi todas as óperas clássicas com a minha avó. Noites a fio a assobiar a pedido O Adeus à Vida da Madame Butterfly ou L’Amour da Cármen.

Uma herança sem preço.

Comentários

salvoconduto disse…
Obrigado pela playlist.

Abreijos.
Ana Camarra disse…
Salvo

Sempre ás ordens!


Beijos
Diogo disse…
Nunca consegui ser um apreciador de ópera. Vi algumas quando era puto. Achei sempre que tinham um acto a mais.

Beijo
Anónimo disse…
Aninha!
Não podia ter melhor presente no regresso a casa!
Bom texto e Excelente música!

Beijinho
Lagartinha de Alhos Vedros
Anónimo disse…
E assim aqui fiquei a passar o serão ouvindo esta música linda!

Um abraço

Lagartinha de Alhos Vedros
samuel disse…
Eu sabia que havia de existir uma forma simpática de "assobiar" a ópera! :-)))

Abreijos.
SENSEI disse…
Se há algo de puro e espiritual nesta terra dos homens, é a música clássica, ópera e coros incluídos, são-no por excelência.
Transportam-nos, em sensações de paz, de raiva e revolta, de esperança, de invencibilidade, de mágoa, de alegria, faz-nos voar, leves e livres, algo que ninguém nos pode tirar, por mais presos e encarcerados que estejamos, esses sons que conhecemos, podemos sempre ouvi-los dentro de nós, isso ninguém nos pode tirar.
Lembras-te do filme "Os Condenados de Shawshank"?!... Da cena em que a personagem representada pelo actor Tim Robbins, coloca aquela ária da Madame Butterfly?!... EXCELENTE MOMENTO!

Xôxos

Ouss
Zorze disse…
Annuelles,

A opera bufa, também.
Esta necessidade de provarmo-nos a nués próprios que eboluimos e que os macalos estão longe.
Bien, allez.

Oublo de biez em quando música clássica. Só oubindo e perciebo que há um mondo else were inolbidable.

És ali que entiendio, las mágicas del alquimista del cogumelo rojo.

Alevento a espada Excalibur, dizendo - Era só dar um jeito nesta merda, era a prezilha!
E qual ético voltei a enterrar a espada na fenda da crendice e jubilei.

Quem tirai este canivete suiço terá os ouvidos limpos de cera!

Beijos,
Zorze
Ana Camarra disse…
Diogo-Talvez, também se aprende é como a poesia.

Lagartinha-Se gostaste fico feliz.

Samuel-Claro que há

Sensei-A aria não é da Madame Butterfly de Puccini mas sim das Bodas de Figaro de Mozart, é a nº 3desta playlist.

Zorze, Zorze, não sei do Nesquick se é das galinholas...

Beijos
BatRitinha disse…
Também é pela minha bisavó que tenho algum fascínio pela ópera. São essas recordações que ficam e nos adocicam a alma. Gosto muito de passar por aqui e de a ler.
duarte disse…
não fui educado nesse sentido...a música foi-me chegando. Como vai chegando.os meus avós pouco tempo estive com eles(só nas férias grandes)...da minha infancia só ecoa um serge, um bob marley e outros mais...
boa bagagem e boas memórias as tuas.
abraço do vale
Fernando Samuel disse…
Provavelmente lá me encontrei com eles no Coliseu nas noites fabulosas das temporadas de ópera - em que a malta da «geral» fazia fila umas duas horas antes do espectáculo para arranjar um bom lugar...

Um beijo.
Ana Camarra disse…
BarRitinha-Ainda bem, passa sempre mi casa su casa

Duarte-Boa música essa que guardas, falta dizer que lá em casa ouvia-se muita música francesa (Brell, Ferrat), muito Jazz e Blues, Clássica e de intervenção. Para além disso ao domingo eu e o meu pai davamos volta ao Barreiro atrás da Banda, adoro Bandas!

Fernando Samuel-Pois és mocito para a idade da minha tia mais velha, por isso é provavel.

Beijos